Há 10 anos, os fãs de uma das séries mais icônicas de todos os tempos assistiam ao episódio final. Criada por J.J. Abrams, Damon Lindelof e Jeffrey Lieber, Lost foi uma revolução na forma de contar histórias na televisão, por isso ela está no quadro Séries na História de hoje.

Aliando uma narrativa de qualidade com uma audiência estrondosa, o seriado fez com que fóruns e comunidades borbulhassem de teorias acerca de sua mitologia e dos mistérios deixados ao fim de cada episódio. Com suspense psicológico, ficção científica e personagens que conquistaram o público, Lost se tornou uma febre nos anos 2000 e esteve no centro do engajamento dos fãs nas redes sociais que começavam a surgir na época e em iniciativas de transmídia.

Para quem acompanhou e quem ainda não viu o fenômeno, o Séries na História vai contar um pouco dessa jornada e mostrar como ela influencia a cultura pop até hoje.

Sinopse

Reprodução/ABC
(Fonte: ABC/Reprodução)

O voo 815 da Oceanic Airlines cai em uma ilha no Oceano Pacífico, deixando 48 sobreviventes que precisam se unir para se manterem vivos. Entre conflitos de interesse, eles descobrem que a ilha apresenta fenômenos misteriosos que podem ameaçar a todos. 

Entre os personagens principais estão o médico Jack (Matthew Fox), o misterioso John Locke (Terry O'Quinn) e a fugitiva Kate (Evangeline Lilly), com figuras de diferentes nacionalidades, uma delas interpretada por Rodrigo Santoro em um dos anos. A série teve seis temporadas exibidas pelo canal ABC.

Recursos de narrativa 

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Para valorizar as histórias dos principais sobreviventes, Lost inovou no formato de flashbacks. Em cada episódio, o público conhecia o passado de um personagem, enquanto os eventos da ilha se desenvolviam em outras cenas. Séries como Orange is the New Black e Once Upon a Time (que tem os mesmos produtores de Lost) usaram bastante esse recurso. 

Lost também inovou no recurso de flashforwards, que mostravam o futuro, e nos flash sideways, que pareciam ser de uma realidade paralela, algo que só foi explicado no último episódio.

Comportamento do público

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(Fonte: ABC/Reprodução)

As milhares de teorias da conspiração alimentadas pelos fãs em fóruns tornaram a experiência de assistir a Lost algo compartilhado. Antes das suposições sobre Game of Thrones lotarem a internet, os fãs da série de J.J. Abrams já tentavam montar as peças de um quebra-cabeça que parecia se complicar mais a cada temporada.

No Brasil, a ansiedade do público para assistir aos novos episódios toda semana mostrou que os consumidores não aceitavam mais o intervalo entre a exibição da série no ABC e a chegada aos canais daqui. Atualmente, algumas emissoras realizam lançamentos simultâneos, e o fenômeno do streaming, com serviços como a Netflix, permitiu que o mundo todo pudesse conferir as séries favoritas ao mesmo tempo. 

Referências de transmídia

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(Fonte: ABC/Reprodução)

Um dos primeiros produtos midiáticos a adotarem uma estratégia transmídia, em que uma história se desenrola em plataformas diferentes, Lost teve o seu universo expandido para livros, quadrinhos, consoles de video game e informações em sites criados para empresas da narrativa, como a Oceanic Airlines. Ao contrário de produções que colocam a mesma história em plataformas diferentes, Lost deixou informações diferenciadas sobre a mitologia e os personagens, o que foi um convite para os fãs se reunirem para discutir o mistério e se focarem na série além do episódio semanal. 

Nos tempos atuais, um fenômeno parecido acontece com o universo de Harry Potter.

O último episódio de Lost foi lançado em maio de 2010 e teve 2 horas de duração, com audiência de 14 milhões de espectadores. Assim como o restante da série, o final gerou muitas teorias e se tornou polêmico por despertar vários tipos de reação no público.

Lost serviu de inspiração para inúmeras séries que beberam da fonte dos recursos narrativos, do suspense psicológico e do universo expandido, sendo um marco televisivo que merece ser assistido até hoje.

Texto escrito por Mikaela Brasil Oliveira via Nexperts.