Nesse último domingo (26), foi exibido o último episódio de Homeland. Ao longo de oito temporadas, a série desenvolvida por Howard Gordon e Alex Gansa para o Showtime trouxe muitos momentos incríveis para seu público. No entanto, logo no começo do series finale, os roteiristas fizeram com que seus espectadores se lembrassem dos eventos iniciais da história. 

Um bom roteiro de série deve sempre ter sua trama principal apresentada logo no começo do primeiro episódio e, posteriormente, muito bem amarrada ou em conexão com o final do último episódio. Assim, tudo faz sentido e os fãs não ficam com nós soltos para desvendar. 

Nesse caso, Homeland tem um fio condutor narrativo presente muito forte, já que a série se concentrou em desenvolver as questões psicológicas de seus personagens centrais com bastante destaque.

Entretanto, a série mudou bastante durante seus oito anos. As primeiras temporadas tinham um ritmo mais frenético, ao contrário das últimas, que tentaram reviver esse espírito em algumas oportunidades, o que não funcionou tão bem.

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Enquanto o relacionamento de Carrie (interpretada por Claire Danes) e Nicholas Brody (Damian Lewis) serviu como um dos principais impulsos para termos essa energia diferenciada durante o começo da série, no final, o roteiro optou por explorar com mais detalhes os acontecimentos que envolviam Carrie e seu mentor, Saul (Mandy Patinkin).

O intitulado "Prisoners of War" trouxe o desenrolar das consequências de ações dos episódios anteriores, o que foi desenvolvido de maneira bastante direta. Após a morte de um outro presidente dos Estados Unidos e um fracassado acordo de paz entre países e o regime do Taliban, Carrie e Saul ficaram novamente presos no meio de forças cada vez mais hostis. 

Em meio a esse impasse, quando Carrie convenceu Saul da verdadeira natureza da morte do presidente, os russos revelaram seu verdadeiro plano: convencê-la a coagir Saul a revelar seu patrimônio de décadas nas infra-estruturas russas em troca do gravador de vôo. E isso poderia, inclusive, exigir o uso de força, caso necessário.

Assim, o episódio conseguiu colocar os dois um contra o outro pela última vez, e, incrivelmente, não houve tentativas de bombardeio, acidentes com comboios blindados ou tiroteios desencadeados por essas ações. 

As cenas que concluíram a série traziam os personagens dialogando sobre um assunto muito recorrente: lealdade, dever, confiança — justificando também suas ações por meio desses discursos.

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Nesse sentido, Saul se recusou a desistir de seu patrimônio, que ele acreditava ser essencial para conter a influência emergente da Rússia. Carrie, esperando desesperadamente evitar que seu mentor fosse assassinado, mas também uma provável sentença de prisão perpétua, queria justificar suas ações garantindo que o público soubesse a verdade sobre o acidente de helicóptero. O que impediria mais conflitos catastróficos.

Tudo isso custou muito caro a Carrie, que precisou fugir para a Rússia, longe das pessoas que amava: sua irmã e filha. Além de permanecer longe de Saul. Dessa forma, ela se iguala a Brody, sendo uma traidora. E assim como ele, Carrie tentou se explicar da única maneira que sabe: criando um livro que misturava suas experiências de investigação com sua vida pessoal.

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Carrie e Saul passaram por inúmeros conflitos ao longo da série, enquanto trabalhavam para justificar uma decisão após a outra como moralmente justa ou pelo bem da segurança internacional. Eles se convenceram de que eram leais um ao outro, mesmo quando claramente não eram, o que eventualmente lhes permitiu uma espécie de paz.

Todo esse relacionamento construído foi bastante real, mas também fez parte das operações. Talvez esse desfecho tenha sido o plano de Carrie durante todo esse tempo. Nesse sentido, é preciso dizer que a série terminou da forma como deveria.

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Texto escrito por Matheus Rocha da Silva via Nexperts.