A 3ª temporada de Westworld estreou no último domingo (15) na HBO e trouxe uma nova ambientação para o seriado. Após 3 meses do massacre no parque, o episódio 3x01 “Parce Domine”, de certo modo, apresenta um novo arco com o objetivo de ser um “reboot”, ao sair da temática anterior de western e entrar no mundo real e futurista.

Contudo, apesar da mudança estética — agora com grandes paisagens urbanas, arranha-céus elegantes, carros voadores e várias funcionalidades ativadas por comando de voz —, a atração ainda se encontra com alguns problemas que tornaram o 2º ano alvo de muitas críticas, como uma dependência contínua de narrativas altamente complexas e com muitos diálogos confusos.

Nesse sentido, as histórias são muito fragmentadas e de ritmo lento e os personagens ainda são enigmáticos. Por outro lado, no contexto de um drama de espionagem envolvendo ficção científica, o episódio de estreia trouxe uma nova missão para Dolores (Evan Rachel Wood), em uma sequência de ação com perseguições pela cidade.

Evan Rachel Wood, como Dolores
Evan Rachel Wood, como Dolores/Fonte: HBO

Originalmente uma personagem de conflitos, ela agora parte em busca de criar um novo mundo, com o objetivo de acabar com a humanidade. Isso, em especial, ao ir atrás daqueles que a prejudicaram no passado e dos bilionários da tecnologia que controlam a sociedade moderna.

O episódio começa com ela invadindo a casa de um homem que frequentemente a estuprava em suas visitas ao parque. Ela o persegue, de modo a controlar a tecnologia do local, e o faz reviver suas indiscrições passadas antes de levá-lo à morte. Além de esse fato servir como uma vingança, o homem em questão trabalha na empresa Incite, companhia que Dolores quer destruir.

Esse empreendimento controla grande parte do mundo moderno, especialmente em Los Angeles, através de um dispositivo chamado Rehoboam. Conhecido como “o sistema”, ele tem a aparência de um globo vermelho e preto, contudo, seu poder ainda é um mistério. Logo, essa trama indica uma mudança no comportamento inicial de Dolores e sugere que ela poderia virar uma figura vilanesca nessa temporada.

Um novo personagem central

Aaron Paul, à esquerda, como Caleb
Aaron Paul, à esquerda, como Caleb/Fonte: HBO

O mundo real é um eco de Westworld. Essa afirmação é vista sob o olhar de Caleb (Aaron Paul), um ex-soldado que agora trabalha como operário em Los Angeles e vive em dificuldades financeiras. Em uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia, a automação tornou os trabalhos escassos, desse modo, ele recorre a pequenos crimes a partir de um aplicativo chamado RICO, o qual permite que seus usuários selecionem várias missões criminais na cidade e em seus arredores.

Ele é assombrado por memórias violentas da guerra e, durante o episódio, ele mantém uma relação apenas com seu amigo Francis (Kid Cudi) através de um telefone, o qual serve como mentor e que o conforta e encoraja nos momentos mais difíceis. Em seguida, foi revelado que Francis não é real, mas uma voz armazenada no aparelho que simula a sua personalidade enquanto ainda era vivo.

Uma das apostas para o sucesso dessa temporada está no que pode surgir após o encontro de Caleb com Dolores, visto ao final do episódio. Isso porque, além de eles terem o potencial de entregar ótimas performances com seus personagens problemáticos, poderiam ter sua relação ampliada, algo que Westworld frequentemente ignorou nas temporadas passadas.

A volta de Bernard

Jeffrey Wright, como Bernard
Jeffrey Wright, como Bernard/Fonte: HBO

Enquanto foi desenhada uma nova ambientação futurística no atual ano, vimos que Bernard (Jeffrey Wright) está em exílio em algum lugar da China, em uma barraca. Após levar a culpa pelo massacre do parque, ele também trabalha em um matadouro sob o pseudônimo Armand Delgado.

Ao ser reconhecido por dois de seus colegas de serviço, ele é caçado e luta para escapar em busca do antigo local, onde deverá se reunir com outros protagonistas e constatar todas as mudanças que ocorreram.

O que esperar?

Com um arco que promete responder o questionamento de “quem controla o sistema do mundo moderno?”, Westworld poderá ainda não ter se desligado de temáticas similares das temporadas anteriores, que tinham o questionamento de “quem controla o parque?”

Assim, essa trama central pode trazer uma fórmula repetida, caso não seja mais bem desenvolvida ao longo dos próximos episódios.

Entretanto, é grande o potencial para novos dilemas e conflitos entre personagens que já se mostram interessantes e com atores e atrizes capazes de entregar grandes performances para uma temporada repleta de ação.

Texto escrito por Ricardo de Carvalho Isídio via Nexperts.