Os baluartes do humor tupiniquim estão de volta no que pode ser considerado (ou era para ser), um Vingadores da comédia audiovisual… no campo da galhofagem. O primeiro Os Parças, de 2017, surpreendentemente levou milhões de espectadores aos cinemas e angariou a quarta posição no ranking de filmes mais assistidos daquele ano nas telonas brasileiras, dividindo espaço com blockbusters colossais, como Star Wars: Os Últimos Jedi e Liga da Justiça. Se o sucesso veio, uma sequência seria iminente, e cá estamos diante de Os Parças 2, que deixa para trás seu molde esquético para se tornar um Camp Rock à la Sessão da Tarde.

Os Parças 2 é menos constrangedor que o primeiro filme (crítica)

Após novamente se envolver em confusão, dessa vez tornando-se alvo de um mafioso chinês, o quarteto precisa administrar uma colônia de férias para levantar grana e fazer com que Romeu fuja do país. Em paralelo, a trupe passa a competir com uma colônia vizinha repleta de mauricinhos e patricinhas. Agora sai de cena o diretor Halder Gomes e entra a celebrada Cris D'Amato, responsável por sucessos instantâneos, como É Fada, S.O.S Mulheres ao Mar, Se Eu Fosse Você e outras produções que credenciam seu trabalho no gênero. Aqui, D’Amato não promove milagres, mas sabe para qual público direcionar suas piadas e, de alguma forma, põe ordem na casa (mesmo que seja a da mãe Joana).

O arranjo entre os protagonistas era um verdadeiro caos no primeiro filme, e não existia uma harmonia que alinhasse seus estilos. Em Os Parças 2, o problema foi posto na régua e a direção, na medida do possível, conseguiu uniformizar o entrosamento deles, mesmo sob um escopo tacanho de piadas bobas que flertam, por muitas vezes, com ofensas a estereótipos, padrões sociais e afins, mas não de forma tão infame e constrangedora como foi visto no primeiro longa. Em contrapartida, houve esparsidade nas participações especiais, e figuras como Falcão (do futsal) e Fabiana Karla foram encaixadas a esmo na trama. 

Os Parças 2 é menos constrangedor que o primeiro filme (crítica)

De longe, o personagem de Tom Cavalcante foi o que recebeu maior atenção, e suas piadas, seus exageros, seus trejeitos e suas imitações permeiam por mais tempo nos 92 minutos de filme. Em segundo plano, vêm Whindersson Nunes e Tirullipa, que basicamente se atêm aos seus “stand-ups” fora das telonas — talvez em uma tentativa livre de reforçar o fanservice —, e o Bruno de Lucca continua dando vida a um personagem módico que, a princípio, deveria puxar o humor da comédia romântica, mas acaba adentrando um limbo narrativo completo. Todavia, a presença de novos personagens, sobretudo do núcleo adolescente, é um dos fatores acertados que contribuem positivamente para o enredo, não fugindo do que já assistimos em obras focadas em acampamento, exibidas incontáveis vezes nas tardes dos anos 80 e 90.

Os Parças 2 não é tão embaraçoso quanto o seu antecessor e até consegue oferecer mais unidade em relação ao elo dos personagens. também se aplicando à progressão da trama, que deixa de ser desordenada. Entretanto, a sequência ainda soa retrógrada e ingênua por conta de um humor caricaturesco no sentido mais imaturo da coisa toda, tendo que recorrer a chacotas com nordestinos e gordinhos, por exemplo. É possível se divertir com uma cena ou outra, mas a experiência, de maneira geral, é enfadonha e novamente tem potencial atirado ao vento.

Por Fabrício Calixto de Oliveira via nexperts.