O Natal é só no mês que vem, mas o Papai Noel da Netflix pega no batente desde cedo e logo nos presenteia com um vasto conteúdo relacionado à data cristã. Do início de novembro para cá, já pudemos desembrulhar produções interessantes, como Deixe a Neve Cair, Klaus e agora Um Passado de Presente: típica comédia romântica natalina cheia de previsibilidades do gênero e que, todavia, carrega sua dose equilibrada de doçura. De alguma maneira, afinal, é quase sempre disso que se trata o gênero, certo?

Um cavaleiro do século XIV é transportado para 2019 e se apaixona por uma professora desiludida com o amor. A direção é de Monika Mitchel, especialista em produções para a TV. Não tão conhecida em terras tupiniquins, ela foi responsável por Te Prometo Ser Fiel, Uma Babá em Minha Vida e Sugar Babies. Mitchel também já se aventurou em obras natalinas de outrora, como Christmas Joy e Hearts of Christmas. Suas produções costumam carregar certa leveza no tom, e isso não se desfaz em Um Passado de Presente.

Um Passado de Presente é um clichê repleto de doçura (Crítica)

O longa mescla dois planos: um completamente pontual, em Norwich (Inglaterra) em 1334; e outro nos dias atuais, na pacata Bracebridge (Estados Unidos), onde a trama perdura por mais tempo. É justamente esse choque de eras que catapulta a meiga relação entre Sir Cole e Brooke, sem muito expor o casal a situações embaraçosas ou embates que possam, de repente, gerar algum tipo de desconforto para o espectador. Pelo contrário, a direção se esvai em empecilhos dramáticos e preza por uma narrativa exageradamente delicada, entreposta pelos clichês que são característicos dos rumos narrativos que comédias românticas tradicionais desse padrão costumam adotar. É tudo muito previsível e, para engrenar, exige certa tolerância de quem assiste. Assim feito, funciona.

Um Passado de Presente é um clichê repleto de doçura (Crítica)

O filme é essencialmente ancorado no casal protagonista e não se mobiliza para construir coadjuvantes de peso. A queridinha Vanessa Hudgens, de High School Musical e Machete Mata, parece muito à vontade no papel da professora Brooke e apresenta uma personagem carinhosa com aquele jeitinho “fofamente” desastrado de ser, embora demonstre limitações em momentos que requisitam mais dramaticidade. Quem realmente se sobressai é Josh Whitehouse (Nossa História de Amor e Música), que entrega um Sir Cole divertido e instigante. É muito satisfatório acompanhar suas descobertas e interações com coisas da atualidade, bem como se deleitar nas cenas em que ele conversa, da maneira mais classuda possível, com outros personagens. No segundo escalão temos Emmanuelle Chriqui, Ella Kenion, Arnold Pinnock, entre outros, que encabeçam figuras esquecíveis.

Um Passado de Presente é um clichê repleto de doçura (Crítica)

Um Passado de Presente é mais uma caixa com o laço vermelho da Netflix que vem para aquecer os nossos corações, mesmo à base de clichês e trivialidades. A química dos protagonistas é afetuosa e prende o espectador do começo ao fim, mas desperdiça potencial dramático por conta de uma nuance excessivamente sutil. Quem procura uma comédia romântica escapista e feliz vai se divertir muito aqui.

Por Fabrício Calixto de Oliveira via nexperts.