Quem esteve vivo nos anos 2000 pôde presenciar uma verdadeira moda zumbi infestando a cultura pop. Citando alguns exemplos, tivemos o início do infindável The Walking Dead na TV, o caótico e divertido Left 4 Dead nos games e até mesmo uma marcha dedicada aos cosplayers com a Zombie Walk, realizada anualmente em diversas cidades mundo afora. Já nas telonas, as hordas de obras baseadas em mortos-vivos não decepcionavam e atendiam a todos os gostos — Madrugada dos Mortos, REC, Eu Sou a Lenda e Todo Mundo Quase Morto eram algumas delas. E foi nessa remessa que fomos apresentados ao didático e inventivo Zumbilândia.

Na comédia original, Jesse Eisenberg e Woody Harrelson, com Emma Stone e Abigail Breslin, somavam forças para sobreviver a um mundo pós-apocalíptico enquanto enfrentavam uma relação conturbada que, no fim, era o que os unia. Dez anos se passaram e o grupo permanece intacto em Zumbilândia: Atire Duas Vezes. A sequência traz um verdadeiro upgrade de quase tudo o que foi feito no primeiro longa e, inegavelmente, é puramente dedicada aos fãs. Little Rock (Breslin), agora adulta, sente-se deslocada do grupo e foge com o seu novo namorado, cabendo aos demais integrantes resgatá-la.

Zumbilândia 2
(Fonte: Sony Pictures Entertainment/Divulgação)

A direção novamente é de Ruben Fleischer —  também responsável pelo questionável Venom —, que, nessa continuação, está muito à vontade para requentar elementos que funcionaram na primeira obra, sem lançar mão de algumas novidades. A trama é mais horizontal e expande o universo do filme, embora diminua a presença dos zumbis. Inclusive, agora existem versões aprimoradas deles, mesmo que subaproveitadas. O humor, felizmente, ainda agrada bastante e tem um rico repertório pautado em piadas autorreferenciais, metafóricas e sobre adventos do universo pop em geral. Quem conseguir entender todas as referências ou parte delas com certeza vai se divertir. As regras de sobrevivência, por sua vez, saltaram para mais de 70, mas não espere ser apresentado a todas. Minispoiler: há uma cena fenomenal de "batalha de regras".

O quarteto continua instigante, agora na companhia de novos rostos. Columbus (Eisenberg) é metódico e faz observações perspicazes o tempo todo, em contrapartida do anedótico Tallahassee (Harrelson), que ainda é um carismático redneck difícil de se lidar. Já Wichita (Stone) é a girl power do time e transpassa bastante firmeza em suas emoções. O deslize vem na concepção de Little Rock, que, apesar de ser o motor da trama, pouco tem a fazer na sequência. A estrela da vez é, definitivamente, a estereotipada Madison, interpretada por Zoey Deutch, dona de piadas hilárias sob o arquétipo de patricinha, lembrando muito os raciocínios estapafúrdios de Magda, do saudoso Sai de Baixo.

Zumbilândia 2 é um grande fan service do filme original (crítica)
(Fonte: Sony Pictures Entertainment/Divulgação)

Na ala dos coadjuvantes, temos as adições de Luke Wilson e Thomas Middleditch, contrapartes dos protagonistas masculinos. O embate entre eles rende uma cena de ação memorável acompanhada de uma infinidade de piadinhas que fazem referência a O Exterminador do Futuro, entre outros sci-fis. Rosario Dawson tem participação mecânica e serve de remendo para determinados eventos, o que Avan Jogia também replica em seu personagem. Sem adentrar nos spoilers, existe um personagem que protagoniza uma das melhores cenas pós-créditos vistas nos últimos tempos — o sentimento de recompensa é grande, sendo uma verdadeira aula de fan service.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes tem mais regras, mais personagens, mais piadas, mais ação e muito potencial para agradar aos fãs inveterados do filme original, excluindo marinheiros de primeira viagem. Mesmo repleto de tapa-buracos e indo na contramão de uma moda esgotada, a franquia ainda é capaz de render horas ininterruptas de gargalhadas e cabeças de zumbis voando por aí. Nostalgia pura.

Este texto foi escrito por Fabrício Calixto via nexperts.