A primeira série original da Netflix falada em árabe e produzida na Jordânia estreou no início de junho deste ano e não escapou de polêmicas em sua terra-natal, um país de valores bastante conservadores. Trata-se do drama sobrenatural Jinn, que virou alvo de um procurador por causa de cenas consideradas controversas.

Em um determinado episódio, a personagem Mira, que é interpretada pela atriz Salma Milhis, beija dois rapazes diferentes em cenas isoladas — e isso causou a fúria de parte do público conversador no país. Essa "transgressão" e o comportamento tido como promíoscuo causou reações também nas redes sociais: muitos espectadores reclamaram dessa decisão de roteiro e também da "linguagem pesada" dos adolescentes.

A divisão de cibercrimes do Ministério do Interior da Jordânia foi acionada para "tomar medidas necessárias imediatas para pausar a transmissão" graças às "cenas imorais". Como resposta, a Comissão de Mídia do país informou que não tem controle sobre a produção de séries por streaming e que não pode tomar nenhuma medida neste caso. A Comissão Real de Filmes também já emitiu nota indicando que a produção deve continuar no ar.

Jinn: série árabe da Netflix gera polêmica na região por "cenas imorais"

Já a divisão do Oriente Médio da Netflix afirmou que as críticas foram "uma onda de bullying", mas que Jinn trata de temas universais que "podem ser vistos como provocativos".

Anunciada em agosto de 2018, Jinn segue um grupo de adolescentes árabes que tem suas amizades e romances testados quando eles inadvertidamente convidam as forças sobrenaturais dos Jinn (espíritos sobrenaturais) para seu mundo. Uma batalha do bem contra o mal e uma corrida contra o tempo se seguem.

Este texto foi escrito por Nilton Kleina via nexperts.