O que aconteceu em Chernobyl é considerado o maior desastre nuclear da história. A minissérie Chernobyl, da HBO, obteve bastante êxito em adaptação para a TV. A narrativa descreve a explosão de um reator RBMK (Reator Canalizado de Alta Potência, em português) ocorrida em 1986 em uma usina na Ucrânia, causando a morte de dezenas de pessoas e provocando diversos problemas de saúde na população local. A cidade próxima à usina, Pripyat, teve que ser evacuada devido à radiação que foi disseminada. Pripyat está abandonada até hoje.

Com apenas cinco episódios, a minissérie foi aclamada pelo público, embora tenha gerado intrigas com os russos e feito com que eles tomassem a decisão de produzir sua própria versão do desastre. O repórter Aaron Pruner, do portal Thrillist, entrevistou o especialista em radiação Luke Hixson, que atualmente desenvolve trabalhos em Chernobyl.

Além de pesquisar o transporte da contaminação radioativa através do meio ambiente, Hixson também é presidente e co-fundador da organização humanitária Clean Futures Fund. Essa instituição fornece ajuda a comunidades afetadas por acidentes industriais semelhantes ao que houve em Chernobyl. Ao ser perguntado a respeito da fidelidade da minissérie, Luke diz ter ficado satisfeito com o que foi exibido: “Eu tenho assistido a minissérie e gostei muito. Até agora, acho que é uma das recriações mais precisas até hoje. [...] A cinematografia tem sido maravilhosa. No geral, estou fascinado e emocionado”.

Especialista em radiação fala sobre Chernobyl, da HBO

Hixson ainda relata sobre alguns detalhes que a série revela e que eram desconhecidos do grande público, como a questão dos cachorros executados mostrada no episódio 4. Hixson diz que ficou surpreso ao constatar a quantidade de cães que ainda viviam lá. “[...] Temos fotos históricas que mostram alguns filhotes e cachorros chegando à usina poucas semanas depois das evacuações. [...] Ao longo dos anos, esses cães que foram deixados para trás continuaram a se reproduzir e viver como animais selvagens. Quando cheguei pela primeira vez à Usina Nuclear de Chernobyl, fiquei surpreso ao ver centenas de cães selvagens vivendo em quase todas as áreas das instalações - mesmo em algumas das áreas mais contaminadas”.

A área mais afetada pela radiação é conhecida como Zona de Exclusão. O local ainda serve de residência para pessoas que retornaram depois da evacuação. Luke demonstra ter admiração por esse ambiente: “A Zona de Exclusão é um santuário cheio de emoção, lembranças e esperanças e sonhos daqueles que foram evacuados. Não há lugar como este na Terra. Muitos dos turistas que visitam a zona não têm a oportunidade de vê-la por trás das cortinas, como consegui ao longo dos anos. Eu sempre tento fazer com que eles percebam que isso não é apenas uma zona de desastre, é um lugar onde as pessoas viviam e cresciam. É onde seus pais e avós moravam. Eles tinham planos para o futuro e esses sonhos foram destruídos quando o reator da Unidade 4 explodiu. As coisas nunca seriam as mesmas”.

Luke Hixson também desenvolve trabalhos sociais em Chernobyl, oferecendo ajuda a crianças doentes e deficientes, para os trabalhadores atuais na Usina Nuclear de Chernobyl, para os síndicos aposentados e suas famílias. Também apoia o centro de reabilitação infantil e o orfanato local. Ao encerrar sua fala, ele foi incisivo ao afirmar que as pessoas, após assistirem a minissérie, precisam pensar a respeito do desastre com mais seriedade: “Eu quero que as pessoas entendam que isso não é um parque temático, isso não é uma tela para a expressão artística. Este é um lugar sagrado, isto é um memorial, isto é um aviso. Passamos a vida toda construindo para o futuro, mas isso pode ser tirado de nós em apenas alguns instantes. É importante lembrar o que é mais importante na vida: nossas famílias, nossos entes queridos e aqueles que carregamos conosco em nossas mentes e corações. Chernobyl vai lhe ensinar sobre a vida e sobre as coisas que você é abençoado por ter - tudo que você tem a fazer é estar disposto a abrir seus olhos e escutar”.

Este texto foi escrito por Leonardo da Vinci Figueiredo da Cunha via nexperts.

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