Uma ex-funcionária da Netflix entrou com uma ação contra a empresa na última terça-feira (2); Tania Zarak, da divisão de originais internacionais, alega que foi demitida por estar grávida. No documento apresentado ao Tribunal Superior de Los Angeles, a profissional explica que começou a trabalhar no serviço de streaming em junho e descobriu a gravidez em novembro de 2018.

Como teria sido a demissão

Funcionária acusa Netflix de demiti-la por estar grávida

Depois de anunciar as boas-novas, Zarak começou a ser excluída de reuniões, ter suas mensagens ignoradas e receber comentários depreciativos de seu supervisor, Francisco Ramos, sobre sua aparência. A gota-d’água foi quando ele resolveu removê-la das equipes de duas séries: uma novela musical adolescente e outra sobre uma cantora mexicana-americana.

Zarak resolveu reclamar do tratamento no setor de Recursos Humanos. No mesmo dia, Ramos a chamou para conversar e a profissional garantiu que conseguiria trabalhar normalmente ao longo da gestação. O supervisor perguntou para quando o parto estava previsto, ao que Zarak respondeu que seria em maio. Ramos teria ficado visivelmente incomodado e, inclusive, dito que não seria exatamente um grande problema se Zarak abandonasse o trabalho. Também mencionou que ela deveria fazer algum tipo de acordo amigável para deixar a empresa, como uma espécie de seguro, em vez de continuar a trabalhar até chegar o momento em que tivesse que sair de licença-maternidade.

No dia seguinte, Ramos e um profissional da área de Recursos Humanos demitiram Zarak. “Tania, estamos reunidos aqui porque queremos que você vá embora”, relata o documento apresentado ao Tribunal Superior de Los Angeles. Depois que o supervisor saiu da sala, ela comentou com o colega que acreditava que isso tinha acontecido simplesmente por ter compartilhado que estava esperando um bebê.

Funcionária acusa e Netflix se defende

Funcionária acusa Netflix de demiti-la por estar grávida

O documento também faz várias referências à cultura da Netflix, com benefícios que serviriam apenas para fazer marketing, aos quais os profissionais não teriam fácil acesso. Uma das vantagens oferecidas pela empresa seria justamente a licença-maternidade de 1 ano, para que os colaboradores passassem mais tempo com os recém-nascidos, mas que aparentemente pode acarretar em retaliações para os profissionais que decidirem fazer uso dela.

Zarak alega que a quebra de seu contrato de trabalho foi injusta e que, desde então, “ela sofreu e continua a sofrer humilhações, problemas emocionais e dores físicas”. Agora, a profissional busca indenização por salários perdidos, benefícios não concedidos e danos morais. No entanto, a Netflix não parece disposta a ceder às acusações e deve tentar se defender na Justiça norte-americana.

Um porta-voz da empresa diz que as alegações não têm qualquer tipo de mérito. “Em outra oportunidade, examinamos essas acusações e percebemos que são infundadas”, afirmou. “A Netflix se esforça ao máximo para que os profissionais que tenham família ou pretendam começar uma recebam todo o suporte e a flexibilidade de que precisam.”

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Este texto foi escrito por Kamylla Silva via nexperts.