Pode ficar tranquilo, pois esta é uma crítica SEM SPOILERS da 2ª parte de O Mundo Sombrio de Sabrina. Venha saber o que a gente achou!

É sempre um alívio quando uma série muito boa consegue manter o nível de qualidade após um primeiro ano bem-sucedido. Menos de 6 meses após sua estreia, a 2ª temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina (Chilling Adventures of Sabrina) não decepciona e segue com os melhores elementos da 1ª temporada (que nós chegamos a selecionar para nossa lista de Melhores Séries de 2018).

Isso não quer dizer que se trata de mais do mesmo. Claro, elementos como as brincadeiras com a religião satanista ou a deliciosa malícia dos pequenos malfeitos – que não seriam aceitos por heróis mais tradicionais em outras produções – ainda estão lá.

No entanto, os novos episódios (ou ao menos os cinco primeiros deles aos quais tivemos acesso) parecem mais independentes, ainda que dando continuidade à trama principal da disputa de poder entre Sabrina e o Lorde das Trevas.

E é aí que a aventura se aproxima de outra grande série teen e sobrenatural, também protagonizada por uma garota loira e à frente do seu tempo: Buffy, A Caça-Vampiros.

Cada desafio e monstro "da semana" enfrentado por Sabrina serve como uma analogia ou metáfora de outros aspectos da vida de uma jovem adolescente. Algo que Buffy fez muito bem nos anos 90, e um dos motivos para a série ser cultuada até hoje. Episódios como os da Lupercália e a eleição para líder do corpo estudantil na verdade falam (às vezes menos sutilmente do que o necessário) sobre a descoberta sexual e o machismo estrutural.

Outra similaridade entre as duas séries é que tudo isso é feito sem afetar o fator entretenimento. O Mundo Sombrio de Sabrina é divertido, por vezes aterrorizante e nunca tedioso. A subversão de clichês também está de volta.

Já era de se esperar que uma produção tão abertamente feminista não usasse o ciúme ou a disputa entre mulheres por um homem como um recurso, e ela não decepciona. Sororidade é uma das palavras da vez na 2ª temporada.

O Mundo Sombrio de Sabrina também se aprofunda em tópicos apenas iniciados anteriormente, chegando a abordar a transição de um personagem transgênero e ampliando seu universo com a inclusão de novas criaturas.

As tias de Sabrina ganharam mais espaço na narrativa. Merecidamente, diga-se de passagem. As interações entre Hilda e Zelda, ou mesmo das duas com a sobrinha, são deliciosas e, ao mesmo tempo, guardam os melhores momentos cômicos e emotivos.

Por fim, pode-se afirmar que o showrunner Roberto Aguirre-Sacasa não mentiu ao dizer que a 2ª temporada seria mais sexy e divertida. O terror está menos presente, dando lugar a mais cenas de ação, mas ainda é o pano de fundo. Ou talvez, assim como Sabrina, só estejamos cada vez mais habituados às maravilhosas bizarrices de Greendale.

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