É bem difícil que você seja uma pessoa que goste de política, assista a Veep e não tenha pensado, ao ver uma situação protagonizada por algum líder importante nos últimos anos, que poderia ser uma cena da série. Com as mudanças que aconteceram no mundo desde que a produção estreou, em 2012, dificilmente a última temporada não seria afetada. O showrunner do seriado, David Mandel, conta que teve a intenção de aproveitar as alterações na política para atualizar o roteiro do sétimo ano.

Em entrevista à revista Variety, ele disse que nas temporadas anteriores muitas reações à série foram de surpresa com o modo como um político se comporta quando as portas estão fechadas, mas agora elas não existem mais. “Muito da série era frequentemente cometer um erro e depois pagar um preço público por aquilo. Não estou certo de que isso ainda exista”, Mandel explica.

Mudanças na política afetaram a última temporada de Veep, segundo showrunner(Reprodução/Jason LaVeris)

Ainda que a ideia não tenha sido levar para a série toda coisa absurda feita pelo presidente Donald Trump, o showrunner diz que ele e a equipe tentaram usar elementos do contexto atual. “Definitivamente, eu senti que precisávamos tratar do fato de que a política tem ficado mais sombria, de que estamos vivendo em um mundo muito pessimista e de que, em alguma medida, a culpa é dos eleitores”, afirma. Ele completa o raciocínio ao dizer que todo dia encontra alguém dizendo que Selina deveria ser presidente, ao que ele responde que a pessoa deve querer dizer que a atriz que interpreta a protagonista, Julia Louis-Dreyfus, deveria ser presidente: “Eu não discordo, mas são duas coisas bem diferentes”.

Um dos elementos tomados pelo contexto político atual aparece no primeiro episódio da nova temporada, no qual Selina faz comentários sobre ser uma líder dos “americanos de verdade”. Mandel reconhece, porém, que esse tipo de pensamento não é novo, mas que recentemente voltou a ser importante. Ele defende, ainda, que a série consegue mostrar comportamentos reprováveis por causa dos personagens e do quanto os atores que os interpretam são estimados — sem esses fatores, ele acredita que Veep não teria passado do episódio piloto.

O showrunner conta que tinha uma lista de momentos que gostaria de incluir, como algumas histórias, combinações de personagens que nem sempre são vistos juntos, outros que gostaria de trazer de volta e piadas. Outra meta era garantir que haveria espaço para mostrar os relacionamentos; Mandel diz que a família de Mike estará de volta nessa temporada, assim como uma de suas relações preferidas: a de Marjorie e Catherine.

Mudanças na política afetaram a última temporada de Veep, segundo showrunner

Há, também, alguns momentos dedicados a abordar a personalidade de Selina, a relação dela com a mãe e as descobertas que fez sobre o pai. Mandel acredita que, em alguns momentos, o que ela considera como uma vitória não é realmente uma conquista e há mais coisas a explorar.

Mesmo com o contexto político e alguns momentos dramáticos nas últimas temporadas, Mandel afirma que a coisa mais importante ao terminar Veep foi colocar a comédia em primeiro lugar. “O que podemos fazer com ela que você não esteja esperando e o faça rir? Quando nós lemos em voz alta pela primeira vez entre nós, eu simplesmente sabia que era isso; é difícil explicar o porquê, eu só achei que estava funcionando da forma certa”, completa.

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A sétima temporada de Veep será mais curta e terá sete episódios. A série estreia no domingo, 31 de março, na HBO.

Este texto foi escrito por Camila Pessoa via nexperts.