O texto a seguir é uma produção da newsletter Marie Curie, um dos produtos da empresa NZN ao lado do Minha Série.

Marie Curie é uma newsletter que traz conteúdo para mulheres. Toda semana, discutimos aqui algum tema ou trazemos uma entrevista ou tema que tenha impacto na maneira como você trabalha, se posiciona e se relaciona com a sociedade. E o assunto de hoje é o seguinte:

"Depois de ver #CaptainMarvel e Mulher Maravilha, eu saí do cinema com uma sensação de que eu posso dominar o mundo. De que nada nem ninguém pode me segurar. E é algo que eu nunca senti vendo o mesmo tipo de filme com heróis homens. E aí eu penso que os homens devem se sentir assim depois de (quase) todos os filmes que assistem. E pra muitos essa sensação é tão presente que, quando ela não acontece, acham que o filme é ruim”.

O depoimento acima vem do perfil no Twitter da Kika Martini, apresentadora do Voxel que já fez uma participação especial em edições anteriores. Ela fez questão de dizer que gosta de filmes de heróis e que não estava comparando gêneros ou coisa do tipo. Mas, foi o suficiente para que seu perfil recebesse dezenas de comentários agressivos e pouco articulados sobre como ela “viu o filme errado”.

Sem entrar no mérito da qualidade do filme, pinçamos algumas reações:

Isso é mimimi... o problema não é a heroína, o problema é a lacração. Tem um monte de filmes e desenhos com mulheres poderosas e o pessoal nunca se incomodou com isso. Essas feminazis é que estão estragando a diversão das pessoas.

Depois que passou dos 13 anos isso se chama neurose.

Algum homem aqui vai assistir filmes com heróis com o pensamento de alimentar o ego? Pergunto porque todos os homens que conheço quando assistem um filme do tipo querem é assistir o filme e se divertir, só isso...

É porque vcs enchem o saco.

Houve respostas positivas também. Gente que efetivamente queria conversar sobre o assunto ou que já entendeu que a representatividade importa. E muito.

A verdade é que Capitã Marvel é o primeiro filme do chamado Universo Cinematográfico Marvel que é protagonizado exclusivamente por uma mulher. Antes dela, quem tinha chegado mais perto disse foi a heroína Vespa, interpretada por Evangeline Lilly, que dividiu com o Homem-Formiga o protagonismo do filme lançado em 2018.

Pensando nisso, listamos 7 filmes que mulheres de diferentes idades, gostos e objetivos podem curtir. Afinal, é sim importante que mais mulheres saiam das sessões de cinema acreditando que conseguem conquistar o mundo. No fim das contas, sem neurose alguma, a gente pode mesmo.

Onde assistir: Cinema

Por que vale a pena: além de todos os recordes que o longa está batendo nas bilheterias, a história é a primeira da franquia Vingadores a trazer uma heroína no papel principal em seus filmes de ação. E se tem uma coisa que Mulher Maravilha mostrou, é que ter uma mulher no comando da tela toda consegue inspirar meninas e mulheres de uma forma que a gente não imaginou que seria possível . Em uma semana, Capitã bateu USD 500 milhões arrecadados e se tornou a segunda maior estreia de um longa de herói, depois de Vingadores: Guerra Infinita. Tem mais: é a maior bilheteria para um filme com protagonista mulher.

Também vale destacar a atriz escolhida para estrelar a protagonista Carol Danvers. O papel de maior destaque de Brie Larson foi em O Quarto de Jack, que conta a história de uma mulher que, apesar de se encontrar numa situação terrível, não desiste de encontrar uma saída para dar uma vida melhor a si mesma e ao seu filho. É uma atriz para se ficar de olho.

Onde assistir: Netflix

Por que vale a pena: esse é um documentário-chave para entender como a imagem da mulher foi construída pela mídia ao longo dos anos para retratá-la mais como uma donzela em perigo e quase nunca como alguém capaz de tomar decisões por si própria e ser a heroína de sua própria história.
Miss Representation é aquele tipo de obra cheia de informações e que não cansa de surpreender (e, em alguns momentos, chocar) quem o assiste por conta das cenas que apresentam como o “ideal feminino” foi montado nas telas de TV.

Onde assistir: Google Play Filmes, iTunes

Por que vale a pena: o filme teria tudo para ser um drama pesado, mas consegue surpreender pelo ritmo leve e otimista como qual retrata a situação encarada pelas três protagonistas— mulheres negras, que moram nos Estados Unidos na época em que a divisão racial era institucionalizada e que trabalham em um ambiente dominado por homens.

Apesar da história se concentrar na narrativa de Katherine Johnson, matemática que fez os cálculos para as primeiras missões espaciais realizadas pelos EUA, também é possível acompanhar a trajetória de Mary Jackson, que se desdobra para estudar e conseguir uma graduação maior numa época na qual as mulheres mal podiam ir à faculdade; e a de Dorothy Vaughank, que se empenha em mostrar aos superiores a importância do trabalho que ela e sua equipe realizam. Difícil não se identificar com pelo menos uma situação.


Onde assistir: Netflix

Por que vale a pena: Já comentamos dele por aqui, quando a obra ainda era candidata ao Oscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem, mas agora reforçamos a dica por ele ter sido o premiado da categoria. Toda a história gira em torno da menstruação. Tema que, se já não é visto com naturalidade no Ocidente, torna-se um tabu gigantesco em países do Oriente.

O curta tem como foco uma comunidade localizada em Hapur, na Índia, na qual as mulheres recebem aulas sobre como operar uma máquina que fabrica absorventes biodegradáveis— item que praticamente não existe no interior do país, que ainda carrega uma imagem bastante negativa sobre a menstruação.

Onde assistir: Netflix, Google Play Filmes, iTunes

Por que vale a pena: Quisemos trazer aqui um título que pudesse ser compartilhado com mulheres e meninas de todas as idades e escolhemos Matilda porque é uma obra que, apesar da narrativa infantil, conta a história de uma personagem que é bastante segura de si.

Com uma inteligência bem acima da média, a protagonista consegue, finalmente, convencer seus pais (que não são, vamos dizer assim, modelos de criação) a ir para a escola. Além das amizades que faz ao longo do caminho, a jovem precisa encarar uma diretora que aterroriza tantos alunos como professores. E, na busca para tornar sua escola um lugar melhor, a protagonista descobre talentos que ela nem sabia que existia.

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Onde assistir: Netflix

Por que vale a pena: Felicidade por um fio mostra uma realidade que muitas mulheres ainda não sabem como encarar: a necessidade de parecer perfeita e de se encaixar dentro de estereótipos definidos sem sua permissão. É justamente quando Violet acha que tudo deu errado em sua vida que ela começa a se encontrar.

E, ao perceber que a vida antiga, com um cabelo liso e um cargo importante em uma empresa sem coração eram apenas símbolos de uma prisão. A comédia romântica não foge dos clichês do gênero, mas adiciona um componente interessante de questionamento e empoderamento que dão um alívio no catálogo da plataforma de streaming.

Onde assistir: Netflix

Por que vale a pena: O documentário acompanha a batalha de uma família do Colorado para que sua filha transgênero, Coy, tenha seus direitos assegurados e possa viver sua infância de maneira plena. A produção mostra uma perspectiva diferente para uma questão que ainda não foi tratada como deveria por nossa sociedade.

Em decisão histórica, pela primeira vez, uma corte dos EUA tomou uma decisão favorável para que uma jovem utilizasse os banheiros que correspondam com a sua identidade de gênero.

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