Quase 10 anos após sua morte, a vida íntima do astro do pop Michael Jackson voltou aos holofotes com força total neste mês, por meio de um novo documentário. Leaving Neverland, dirigido por Dan Reed, resgata a história de dois garotos, de 7 e 10 anos, que conviveram com o músico e teriam sido abusados sexualmente por ele. Os dois homens, hoje com cerca de 30 anos, gravaram depoimentos para o filme contando detalhes das situações e como cresceram afetados por esses acontecimentos.

Com 4 horas de duração, o título estreou na última semana no festival de Sundance e será exibido em duas partes em março, na HBO. Como seria de se esperar, a produção motivou uma reação da família do astro e de fãs. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o diretor do documentário relatou ter recebido, além de emails e telefonemas raivosos, ameaças de morte após a estreia e a repercussão na mídia.

“Alguns dos textos dos emails são simplesmente trechos copiados e colados ali, porque nós achamos uma página na internet que explica para as pessoas o que fazer para protestar contra o filme”, relatou Reed.

O grupo responsável por gerir o espólio e os direitos autorais do cantor divulgou um comunicado cerca de 12 horas após a exibição do documentário em Sundance, no dia 25 de janeiro. O texto defende que o filme “não é um documentário, mas sim o tipo de assassinato de reputação feito por tabloides que Michael Jackson teve de suportar durante toda a vida, e agora em morte”.

O comunicado afirma ainda que o documentário presta um “desserviço às vítimas de abuso infantil” e que as duas vítimas entrevistadas no filme teriam motivações financeiras para trazer o caso à tona.

Wade Robson e Jimmy Safechuck entraram com processos judiciais contra os representantes legais do legado de Michael Jackson em 2013 e 2014, respectivamente, alegando que teriam sido abusados pelo músico entre os anos 80 e 90. A corte judicial que recebeu o caso decidiu que os processos foram abertos muito tarde e que os representantes do cantor não poderiam responder por supostos abusos cometidos por ele.

“Eles têm um ativo muito precioso para proteger”, disse o diretor de Leaving Neverland ao The Hollywood Reporter durante o festival de Sundance. “Cada vez que uma música (de Michael Jackson) toca, cai uma moeda em uma caixa registradora. Não me surpreende que eles tenham saído em defesa do seu ativo.”

Críticos e jornalistas que assistiram ao documentário em Sundance afirmaram que o filme foi aplaudido de pé pelos presentes após a exibição. O jornalista Adam B. Vary o descreve como “um documentário devastador, mas acima de tudo muito crível”. "Estou tremendo. Estávamos todos equivocados quando éramos fãs de Jackson", escreveu Mara Reinstein, crítica de cinema da revista US Weekly.

No último dia 28, foi a vez de a família de Michael Jackson se pronunciar. Em um comunicado, a família defendeu que o astro é um “alvo fácil”. “Nós não podemos simplesmente ficar parados enquanto esse linchamento público continua e os abutres do Twitter e outros que nunca conheceram Michael vão atrás dele. Michael não está aqui para se defender; caso contrário, essas alegações nunca teriam sido feitas”, afirma a nota.

Dan Reed, que dirigiu Leaving Neverland, foi indicado em 2009 a um Emmy por Terror em Mumbai, um documentário feito para a TV que conta a história do ataque terrorista a um hotel de luxo na Índia. Ele também dirigiu um documentário sobre o ataque terrorista contra a revista francesa "Charlie Hebdo", em 2015.

Este texto foi escrito por Rafael Waltrick via nexperts.