Homem-Aranha no Aranhaverso é um dos grandes nomes da temporada de premiações. Até o momento, são 13 prêmios garantidos, contando com os mais conhecidos Globo de Ouro e Critic’s Choice Awards, o que o coloca como o franco favorito a vencer a categoria de Melhor Animação do Oscar 2019. Apesar do sucesso retumbante que o longa alcançou, indústria e fãs não esperavam esse triunfo absoluto para o projeto da Sony Pictures com Miles Morales no papel principal. Entretanto, o estúdio conseguiu inovar as histórias do Cabeça-de-Teia nas telonas e até mesmo o próprio gênero com uma tecnologia totalmente nova.

A Sony Pictures enterrou as esperanças dos fãs com suas produções do Homem-Aranha no cinema conforme novos longas eram lançados, principalmente quando o reboot da franquia protagonizado por Andrew Garfield não atingiu as expectativas, o que a levou a fazer um acordo com a Marvel Studios para emprestar o herói às histórias do MCU. Ao mesmo tempo, o estúdio percebeu a riqueza que existe no universo do Cabeça-de-Teia e iniciou projetos com personagens secundários, como Venom, que se tornou um sucesso de bilheteria inesperado, e Morbius, cujas gravações ainda não foram iniciadas.

Mas, com menos alarde do que os longas live-action, o estúdio trabalhou em Aranhaverso e quebrou paradigmas. O design da animação abriu mão de técnicas normalmente usadas para o gênero e desenvolveu uma totalmente nova que poderia criar a estética dos quadrinhos. Cerca de 177 animadores trabalharam no filme para que ele alcançasse o visual desejado em todos os frames, fazendo com que a todo momento o longa parecesse um painel das HQs. Além disso, a narrativa acompanha o conceito por meio de onomatopeias e momentos em que os personagens pensam, características básicas de qualquer gibi.

É impossível reverenciar Aranhaverso sem citar os artistas por trás da produção. Phil Lord e Christopher Miller eram os diretores originais de Han Solo antes de serem demitidos, mas trabalham com excelência na produção da animação dirigida por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman. Na dublagem, o elenco é repleto de estrelas que dão personalidade aos heróis na forma como pronunciam suas frases. Shameik Moore (Miles), Jake Johnson (Peter B. Parker), Hailee Steinfeld (Gwen Stacy), Mahershala Ali (Aaron Davis), Brian Tyree Henry (Jefferson Davis) e Nicolas Cage (Aranha Noir) são apenas alguns dos excelentes atores no filme.

Enquanto a parte técnica da animação seguia um caminho inovador, o roteiro também precisava dar suporte ao que a estética faria tão bem. Quebrar o tabu de que Peter Parker precisa ser o Homem-Aranha protagonista foi o caminho; a oportunidade foi então concedida a Miles Morales, personagem que nasceu nos quadrinhos na última década e sempre teve sucesso na editora.

Com isso, era necessário dar uma nova abordagem ao herói, mas sem perder aquilo que o faz único. Manter o cerne do Cabeça-de-Teia, mesmo sem citar o lema “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, mas o atrelando às ações de cada herói que acompanha o personagem principal, mostrando suas motivações e criando a atmosfera que todo fã espera para as tramas do Amigão da Vizinhança.

Aranhaverso traz todas as nuances que preenchem a história de um personagem icônico. A narrativa apresenta seus desejos, dificuldades, dramas pessoais e sua luta para fazer seus problemas serem solucionados. A ascensão de Miles Morales ao manto de Homem-Aranha de sua realidade ainda permite que os outros heróis do longa ganhem mais profundidade, já que eles também se transformam em exemplos por tudo que já passaram e suas claras semelhanças, justamente quando mais precisa de pessoas em quem ele possa se espelhar.

Todas essas qualidades de Aranhaverso e muito mais o tornaram o franco favorito das premiações, algo totalmente fora do esperado quando os concorrentes são a Pixar, com Incríveis 2, e a meticulosidade de Wes Anderson, em Ilha dos Cachorros. Apesar disso, nenhum desses dois longas consegue entregar diversão, emoção e inovação técnica na mesma dosagem que o longa da Sony Pictures; só isso já mostra o quão surpreendente é o projeto do estúdio até mesmo para quem faz parte da indústria do entretenimento.

Homem-Aranha no Aranhaverso é rico em narrativa não só por entender o personagem principal tão bem quanto o segundo longa protagonizado por Tobey Maguire, mas também por criar um universo todo do zero com base em aspectos da cultura pop que são importantes para o seu público, ao mesmo tempo que inova a animação para tornar sua história ainda mais agradável para quem consome quadrinhos. A Sony Pictures acertou mais do que nunca ao produzir um projeto que mostra amor a um personagem tão formidável e ao usar como alicerce estético a linguagem base que deu vida a ele, fazendo jus a todos os prêmios que tem recebido.

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Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via nexperts.