Uma história tocante, contada de maneira inovadora e com um visual de cair o queixo: eis, talvez, uma boa definição para Homem-Aranha no Aranhaverso, o mais novo sucesso de bilheteria da Marvel. O filme, elogiado por críticos e espectadores, ganhou destaque, entre outros pontos, pela maneira irreverente e inovadora como explora novos rumos para um universo temático que já soma décadas de existência.

Para entender melhor como os diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman chegaram a um resultado tão positivo e surpreendente, selecionamos os melhores trechos da recente (e reveladora) entrevista do trio ao portal norte-americano Entertainment Weekly. Nela, descobrimos detalhes sobre como o processo criativo por trás do Aranhaverso foi decisivo para o sucesso do filme. Confira!

Primeiro passo: uma abordagem cuidadosa

Para Peter Ramsey, a reação do público à história de Miles Morales e ao Aranhaverso é resultado de uma abordagem cuidadosa. Para o diretor, é gratificante ver a identificação das pessoas com o filme – especialmente de crianças negras e latinas, que têm demonstrado um enorme carinho por Morales. “É emocionante ver a representatividade desse personagem”, disse. Bob Persichetti complementou a fala de Ramsey: “O mais impressionante é que não são só as crianças que têm tido essa reação. Tenho recebido diversas mensagens de texto de pais de alunos que estudam com meus filhos, e os comentários são sempre muito positivos e gratificantes”.

Talvez o segredo por trás de tanto sucesso esteja na fala de Rodney Rothman. Para o diretor, o projeto de Homem-Aranha: No Aranhaverso sempre foi encarado de maneira diferente, talvez mais complexa e delicada. “Tivemos a convicção, desde o começo, de que a animação não é um gênero cinematográfico, mas um meio. Nossa abordagem era a de pensar a animação como um meio pelo qual contamos histórias visuais, e nosso objetivo era exatamente esse: fazer um filme bom para todos, que de certa forma fosse independente. Queríamos que ele falasse tanto com uma criança quanto com alguém de 40, 50 ou 80 anos. O longa sintetiza essa ideia”, contou.

Trabalho em equipe e liberdade criativa foram fundamentais

Para Persichetti, o sucesso também tem relação com o trabalho em equipe. “Parece muito evidente que há toda uma questão humana, de alma mesmo, que vem à tona quando assistimos ao filme. As pessoas ficam surpresas com o fato de que éramos três diretores trabalhando ao mesmo tempo, além de uma série de produtores e centenas de outros colegas de equipe, e, ainda assim, conseguimos entregar um filme harmonioso, com as pontas amarradas. Havia um compromisso, e todos, de certa forma, abraçamos essa causa. Foi uma experiência criativa esquisita, mas que surpreendentemente rendeu um resultado coeso”, disse.

Ramsey também destacou o estilo visual do filme, que mescla diversas referências, e, claro, o arco dramático de Miles Morales. “Nós nos perguntamos: como vamos fazer as pessoas realmente amarem o Miles? Como fazer a história dele ser relevante e envolvente sem ficar batida?” Rothman complementou: “Foi um desafio e tanto. Pareceu arriscado em certo momento, mas isso nos forçou a fazer o melhor: um filme interessante, que realmente acrescenta algo à vida das pessoas”, disse. Já para Persichetti, a liberdade criativa foi um fator decisivo. “Nós tínhamos espaço para criar, ninguém dizia não e, bem, era nossa missão tentar algo novo”, revelou.

Questionado sobre as indicações de Aranhaverso e Pantera Negra ao Oscar – movimento que talvez aponte para uma nova fase da Academia, que nunca foi muito chegada a valorizar filmes de heróis –, Persichetti revela: “Acho que é porque conseguimos superar as expectativas. Aranhaverso não é só um filme de herói nem uma simples animação. É mais que isso: é uma história sensível e tocante sobre um garoto e sua família. Claro que há todo um apelo visual, e o fato de ser um filme do Homem-Aranha nos favorece, mas é a essência da história que reverbera de verdade, que toca as pessoas. É hora de reconhecer isso”, concluiu.

Afinal, haverá um novo filme?

Para quem já se pergunta sobre uma possível continuação de Homem-Aranha: No Aranhaverso, adiantamos: as perspectivas são positivas, especialmente pelo sucesso nas bilheterias, mas, questionados, os diretores foram cuidadosos: enquanto Rothman e Persichetti lembraram que o filme explora a ideia de multiverso – ou seja, um universo com múltiplas possibilidades, sem muitos limites definidos –, Rothman concluiu: “Tudo é possível. Há muito o que ser explorado, mas nós terminamos Aranhaverso 7 ou 8 semanas atrás, e desde então temos nos dedicado ao lançamento, ou seja, estamos realmente sem saber o que teremos pela frente”.

Por mais que tentem nos despistar, nós já sabemos que vem novidade por aí.

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Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez via nexperts.