Como construir um universo cinematográfico que arrecade mais de US$ 17 milhões em ingressos, resista de forma relevante por mais de 1 década e tenha sempre pelo menos um filme entre os 10 mais assistidos durante 6 anos seguidos? Pergunte a Kevin Feige, o presidente dos Estúdios da Marvel e o cérebro por trás do Universo Cinematográfico da Marvel, uma das franquias mais lucrativas do mundo do entretenimento.

Feige pode ser facilmente considerado um dos produtores de cinema mais bem-sucedidos do mundo, mas o reconhecimento não veio sem esforço. Fã de quadrinhos desde a infância e com um sonho de tornar-se produtor, ele tentou entrar na Universidade de Artes Cinematográficas do Sul da Califórnia por seis vezes até ser aceito. Lá estudaram também alguns de seus diretores favoritos, como George Lucas (Star Wars) e Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro).

Ele começou sua carreira trabalhando como assistente da produtora Lauren Shuler Donner, em filmes como Volcano (1997) e Mensagem para Você (1998), até ser contratado pela Marvel em 2000 ao demonstrar seu vasto conhecimento em quadrinhos durante a produção do filme X-Men. Impressionando várias lideranças dentro dos estúdios, Feige ascendeu rapidamente na Marvel, chegando à presidência em 2007 e dando início ao MCU em 2008, com os filmes Hulk e Homem de Ferro.

Criar um universo compartilhado de filmes e séries baseados nas HQs da Marvel foi ambicioso e também desafiador na indústria, pois muitos não acreditavam que a febre por super-heróis duraria tanto quanto os planos de Feige para o MCU. Ele contou à revista americana Variety que “Não apenas a 'fadiga de super-heróis' não aconteceu, como nós estamos tendo o nosso melhor ano até agora”. O relato dele é sobre 2018, quando foram lançados três filmes da Marvel, e dois deles – Vingadores: Guerra Infinita e Pantera Negra – conquistaram o topo das bilheterias mundiais, somando juntos cerca de US$ 3,5 bilhões.

“Os nossos instintos sempre nos guiaram, e os sucessos sempre nos encorajaram a continuar seguindo esses instintos”, continua ele sobre a franquia. Ao se lembrar do que o motivou durante o planejamento do MCU, ele conta que “Eu queria replicar a experiência de ler um quadrinho para a audiência do cinema e gostaria de continuar expandindo a definição do que um filme da Marvel poder ser. Esses foram meus dois objetivos ainda antes de ter qualquer autoridade para implementá-los”.

No dia 19 de janeiro, Feige recebeu das mãos de Robert Downey Jr. o prêmio David O. Selznick do Producers Guild Awards, por suas realizações na indústria do cinema. Ele credita o sucesso a um planejamento meticuloso e uma capacidade de prever os desejos e as necessidades de um público que é global e diverso. “Nós sabíamos que dar oportunidades a pessoas que não tiveram a chance de, A: fazer esse tipo de filme ou B: ver-se nas telas nesse tipo de filme era importante e era o futuro”, comenta o produtor.

Com 22 filmes do MCU e quase 40 de super-heróis em sua carreira, Feige não tem hora de parar. Capitã Marvel, Vingadores: Ultimato e Homem Aranha: Longe de Casa estrearão neste ano, além de Fênix Negra, da 20th Century Fox, no qual ele atuou como consultor criativo. E não se restringe ao cinema; também já produziu séries da Marvel, como Agent Carter, e as minisséries sobre os personagens Loki e Feiticeira Escarlate, que ainda estão em fase de desenvolvimento.

Para além dos números, Feige acredita no valor da consistência e na superação de encantamento que os filmes devem trazer: “O mais importante é cumprir a promessa do que vai levar você ao cinema, mas então entregar muito mais do que você achava que receberia”.

Você poderá conferir o próximo filme do Universo Cinematográfico da Marvel no dia 8 de março, quando estreia Capitã Marvel, com Brie Larson no papel principal. Ela será a primeira super-heroína da franquia a protagonizar um filme sozinha.

Este texto foi escrito por Carolina Bernardi via nexperts.