A recém-chegada All American, que estreou nos Estados Unidos no último mês de outubro, acaba de exibir uma midseason finale de tirar o fôlego. Além de um jogo emocionante e do mistério envolvendo o pai do protagonista, o último episódio de 2018 da série surpreendeu com a morte de um personagem que tinha tudo para enriquecer o desenrolar da trama.

Em entrevista à Entertainment Weekly, o produtor Nkechi Okoro Carroll revelou detalhes importantes sobre a primeira temporada e o que esperar do que vem por aí a partir de janeiro, quando novos episódios serão exibidos na TV norte-americana. Confira uma seleção dos melhores trechos a seguir, e não se esqueça: há spoilers pelo caminho.

O porquê daquele desfecho de Shawn

Dentre todas as escolhas feitas pela equipe à frente do roteiro de All American, dar fim à história de Shawn foi uma das mais difíceis. De acordo com Carroll, todos amavam o personagem, interpretado pelo talentoso Jay Reeves, mas sua morte, nas circunstâncias em que se deu, terá uma importância enorme para os desdobramentos do enredo e de outros personagens. “Passamos muito tempo refletindo sobre a ideia da morte [de Shawn], mas vimos que era o certo a fazer, afinal, é isso o que acontece aqui fora, na vida real”, disse.

“O legado de Shawn vai seguir com a gente pelo resto da temporada, e terá um grande impacto sobre outros personagens. É algo que precisávamos fazer, que vai tornar a história mais densa e real. Queremos, a partir disso, descobrir como nossos personagens serão transformados”, completou. A ideia, pelo visto, é não enfeitar nada. Em All American, as histórias são duras justamente porque refletem sobre como as tragédias pessoais podem ser um ponto de partida.

E Coop, como fica?

Uma das primeiras perguntas dos fãs de All American diante da morte de Shawn certamente foi: e Coop (Bre-Z)? Para Carroll, esse é um dos acontecimentos mais marcantes do arco da personagem. “Isso vai mudar completamente a trajetória dela no restante da temporada, e acho que vai ser difícil acertarem que rumo Coop vai tomar. O que posso dizer é que vamos levá-la para um passeio, algo que será parte do seu processo de autodescoberta, de descoberta de quem ela quer ser, uma cobrança que as pessoas certamente farão a ela mais adiante”, revelou.

O futuro de Asher

Quanto a Asher (Cody Christian), Carroll admite que o personagem cometeu erros, mas alerta: devemos considerar o fato de que sua identidade foi virada do avesso com a trajetória de sucesso no esporte. “Asher disparou no último ano, então é natural que ele ainda esteja tentando se encontrar nesse novo universo. É um caminho escorregadio, afinal. Além disso, Asher também é um cara complicado, que tem suas questões. Às vezes, você precisa chegar ao fundo do poço em todos os aspectos da vida antes de perceber que precisa acordar, se mexer, e é mais ou menos isso o que está acontecendo com ele. Mas adianto: ele vai sair dessa, e de uma maneira que certamente vai surpreender os fãs da série. Apesar de ser ligeiramente imprevisível, Asher ainda vai continuar surpreendendo a si mesmo e às pessoas à sua volta”, contou.

Spencer e Layla: a relação tem futuro?

Outro ponto interessante abordado por Carroll tem a ver com o futuro da relação entre Spencer e Layla (Greta Onieogou). Para o produtor, o encontro pode ser produtivo e trazer surpresas, afinal, “são dois adolescentes com uma trajetória atípica, que tiveram de enfrentar questões complexas ainda muito novos e amadureceram bastante. Isso pode render uma dinâmica interessante, diferente da que costumamos ver entre adolescentes comuns”.

O mistério do pai de Spencer

Carroll promete que o mistério envolvendo o pai de Spencer terá solução. “Não vamos continuar cozinhando vocês, eu prometo. Ainda precisamos de algum tempo para desenvolver pontos relacionados ao pai de Spencer, mas quem for atento certamente já começou a juntar as peças e a entender o que está por trás do que já mostramos. Fomos bem cuidadosos com a maneira como montamos essa história, e talvez a gente tenha até conseguido confundir um pouco as pessoas, mas quem está realmente de olho nos detalhes já começou a sacar o que vem por aí. De qualquer forma, prometo que teremos respostas concretas em breve”, disse.

Problemas complexos

All American gira em torno de uma série de questões da juventude, mas, ao mesmo tempo, é capaz de refletir sobre problemas que vão além do que geralmente se espera do tema. Para Carroll, é como se aqueles jovens estivessem numa panela de pressão. “Eles têm de lidar com uma camada extra de problemas. Aqueles meninos estão sob um nível de pressão muito além da conta. São atletas que estão lidando com questões de identidade, de pertencimento, e às vezes nós nos esquecemos de que eles são apenas garotos. É esse debate que queremos alimentar, especialmente nas histórias de Coop e Spencer”, comentou.

O que vem por aí

Na continuação da temporada, All American trará uma série de desdobramentos da morte de Shawn, explorando ainda mais questões de identidade, violência e poder. “Vamos entrar na discussão sobre como pode ser perigoso julgar as pessoas de maneira inflexível, sem considerar suas diferenças”, finalizou Carroll. A série volta à grade da CW, nos Estados Unidos, no próximo dia 16 de janeiro.

Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez via nexperts.