A atriz Eliza Dushku, conhecida pelas séries Buffy, Tru Calling e Dollhouse, fez um acordo de US$ 9,5 milhões com a CBS após ser cortada do seriado Bull, no qual ela diz ter sofrido assédio sexual por parte do ator principal, Michael Weatherly. O acordo sigiloso foi descoberto e exposto ao público pelo jornal New York Times.

Ela havia entrado no elenco no final da primeira temporada, em 2016, com a indicação de que poderia ganhar um papel fixo na temporada seguinte. A atriz alega que Weatherly, conhecido pela série NCIS, fazia comentários sexuais sobre a sua aparência, piadas sobre estupro e ménage-a-trois durante as gravações. Ela confrontou o colega quanto à sua atitude e foi informada, algum tempo depois, que a sua personagem seria excluída do seriado.

Dushku decidiu fazer uma reclamação formal à CBS, alegando sentir-se enojada e violada pelos comentários do ator. Ela argumentou que acreditava que sua retirada da série teria acontecido em retaliação por ter reagido contra Weatherly. O canal abriu uma investigação interna e decidiu fazer um acordo sigiloso, pagando à atriz o valor equivalente ao que ela teria recebido por atuar em quatro temporadas.

Weatherly respondeu ao Times admitindo que fez piadas durante as gravações, caçoando de algumas falas do script, e que se sentiu mortificado quando Dushku falou que se ofendeu com sua atitude. O ator afirmou ainda que se desculpou imediatamente e que não teve envolvimento na exclusão da atriz da série. “Depois de refletir mais sobre isso, entendo melhor que o que eu disse não foi engraçado nem apropriado; me arrependo e me desculpo pela dor que causei à Eliza,” finalizou.

A emissora confirmou a existência do acordo e diz estar “comprometida com uma cultura definida por um ambiente de trabalho seguro, inclusivo e respeitoso”, afirmando que “o nosso trabalho está longe de terminar”. Não é a primeira vez que a empresa enfrenta problemas por causa de assédio neste ano.

O próprio CEO do canal, Les Moonves, foi acusado por diversas mulheres de assédio sexual e abuso. Apesar de negar as acusações, ele se afastou do cargo em setembro, e a CBS abriu investigação interna para avaliar o caso. Segundo o portal Deadline, Moonves teria agido pessoalmente para que o acordo com Dushku ocorresse de forma sigilosa.

Assédio em Hollywood

Desde outubro de 2017 o movimento Me Too, que busca expor casos de assédio no ambiente de trabalho, tornou-se viral ganhando adesão de estrelas Hollywoodianas. O principal fator foi quando diversos casos do tipo vieram a público sobre o poderoso produtor Harvey Weinstein, que atualmente responde a processos judiciais.

Outro membro da indústria a ser incriminado foi o ator Kevin Spacey, da série House of Cards, que foi acusado de assédio e tentativa de estupro por diversos jovens atores e membros de equipe com quem ele trabalhou.

Eliza Dushku tornou-se uma voz ativa do movimento ao revelar ter sido molestada sexualmente quando tinha apenas 12 anos. O abusador seria o coordenador de dublês Joel Kramer, que trabalhou com Dushku no filme True Lies (1994). Kramer negou a denúncia, classificando-a como “bizarra”; posteriormente, outras duas mulheres também o acusaram.

Este texto foi escrito por Carolina Bernardi via nexpert.