Há 25 anos estreava uma das atrações de TV infantis mais icônicas dos anos 1990: Mighty Morphin Power Rangers. Para celebrar a data, o portal de entretenimento americano Entertainment Weekly fez uma edição especial, na qual entrevistou o elenco original em busca de histórias de bastidores e os motivos pelos quais eles resolveram abandonar o programa. Um dos entrevistados foi David Yost, mais conhecido como Billy Cranston, o Rangel Azul.

Yost, que publicamente se declarou homossexual em 2010, conta que o cenário era muito mais complicado para atores gays nos anos 90. Segundo ele, o assédio moral que sofria no trabalho era constante, assim como os xingamentos por parte de roteiristas, produtores e diretores. “Basicamente, eu senti que me diziam continuamente que eu não merecia estar onde estava, porque sou gay. Que eu não deveria ser um ator. E que eu não sou um super-herói.”

Esse assédio foi o principal motivo para que o ator deixasse de fazer parte dos Power Rangers. Depois de interpretar Billy por 3 anos, aguentando a perseguição por conta de sua sexualidade, em 1996 Yost decidiu tentar fazer terapia de reorientação sexual.

A Associação Americana de Psiquiatria é crítica de terapias desse tipo, por conta dos transtornos que podem gerar aos pacientes. Elas são consideradas práticas pseudocientíficas por diversos órgãos de saúde mental, já que não existem estudos que comprovem seus resultados. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) deixou de classificar a homossexualidade como doença ainda em 1990.

A tentativa de reorientação não funcionou. O ator recorda que teve um surto nervoso por causa da situação e necessitou de internação hospitalar. “Fiquei no hospital por 5 semanas e precisei iniciar o processo de aprender a me aceitar, o que foi muito difícil.”

Fama e um rosto reconhecível eram parte do problema para Yost, que tinha muita vergonha e medo de que o público descobrisse a sua sexualidade. “No começo, eu certamente não queria que as pessoas soubessem que sou gay. Então foi um processo de crescimento de uma forma completamente diferente”, lembra.

Desde que assumiu a homossexualidade, David Yost diz receber mensagens de fãs ao redor do mundo agradecendo-o por ajudá-las a se aceitarem e também se assumirem para a família e amigos. O ator relata que “elas me dizem ‘Obrigado por se assumir e dividir a sua história, porque ela ajudou a me assumir. Eu posso contá-la à minha família e ajudá-la a entender pelo que você passou e pelo que estou passando. Então, obrigado.’ É incrível.”

Além do contato com os fãs, Yost participa de eventos de caridade que auxiliam projetos e organizações como AIDS Project Los Angeles, Centro de AIDS do Hospital Infantil e também da campanha NOH8, que luta pelo direito ao casamento igualitário e contra discriminação de sexualidade e gênero.

Apesar de todo o trauma que passou, David Yost continuou trabalhando em Hollywood, mas atrás das câmeras, como produtor. Refletindo sobre o seu período como Power Ranger, ele fala que “pensando agora, talvez ter interpretado o personagem Billy tenha me ajudado de maneiras que nem sei explicar.”

Este texto foi escrito por Carolina Bernardi via nexperts.