Lançado em setembro nos Estados Unidos, vencedor do British Independent Film Awards (BIFA) em dezembro e com previsão de chegar ao Brasil em 24 de janeiro de 2019, A Favorita (de Yorgos Lanthimos) vem ganhando o público e a crítica do mundo todo.

O filme centrado na figura da rainha Anne (Olivia Colman) se passa no início do século XVIII, enquanto acontecia uma guerra entre Inglaterra e França e a monarca não estava lá muito bem de saúde, de modo que, na prática, quem governava mesmo era sua amiga Lady Sarah (Rachel Weisz).

A situação, que já era – no mínimo – peculiar, fica mais complicada quando aparece Abigail (Emma Stone), uma nova serva que acaba encantando Sarah e, assim, aproximando-se da rainha movida pelo desejo de recuperar suas raízes aristocráticas. Com o envolvimento de Sarah na guerra, Abigail vê sua amizade com Anne crescer e acaba se tornando sua companheira.

Como qualquer ficção histórica, é claro que A Favorita também apresenta momentos e detalhes que são fiéis à história real, mas também é lógico que algumas imprecisões tiveram de ser utilizadas como recurso narrativo para que assim se criasse um filme de altíssima qualidade.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o diretor Yorgos Lanthimos destacou que houve uma preocupação de realizar uma pesquisa histórica com o objetivo de incluir no filme alguns fatos que realmente ajudassem a contar a história que sua equipe desejava contar – mas só até certo ponto. “Depois queríamos poder desviar para qualquer direção que achássemos necessária a fim de tornar este filme poderoso e complexo”, explicou, concluindo que “algumas das coisas no filme são precisas e muitas não são”.

Vamos descobrir quais as partes de A Favorita são menos fiéis à história real?

A rainha Anne era lésbica?

Pode até ser que sim, mas tendo em vista sua devoção à igreja anglicana e sua fama de esposa dedicada ao marido, príncipe George da Dinamarca, é provável que não. Pelo menos é nisso que acredita a historiadora Anne Somerset, autora de “Queen Anne: The Politics of Passion” (não publicado no Brasil).

Aliás, em A Favorita, o príncipe George da Dinamarca sequer existe.

De qualquer modo, o boato sobre a sexualidade da rainha realmente existiu e sua autoria pode ser atribuída à própria Sarah, que estava decidida a arruinar a reputação de Anne depois de um rompimento. Ela escrevia poemas obscenos e os divulgava.

De que doença padecia a rainha?

Como o filme realmente mostra, Anne sofria com dores terríveis, o que pode inclusive ser um indicativo de que, naquele momento da vida, seu apetite sexual não devia ser dos melhores. Na época, acreditava-se que o problema era gota, mas hoje em dia há quem diga que ela tinha lúpus.

Havia mesmo coelhos no palácio?

Não! Na época, esses animais eram considerados uma praga e, para que fossem quistos em casa, só se fosse na forma de alimento.

Então por que há tantos coelhos no filme?

Trata-se de uma representação dos filhos perdidos da rainha. Há registros de que Anne tenha sofrido com 12 abortos e que cinco dos seus filhos tenham morrido ainda crianças.

Envenenamento?

Embora muito se estude sobre a rainha Anne, até hoje não há nenhuma evidência de que ela tenha sido envenenada. Muito menos por Abigail!

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Este texto foi escrito por Gabriela Petrucci via nexperts.