É oficial: Hollywood não poupa esforços para fazer suas bilheterias renderem. Acontece que, às vezes, essa tentativa de fazer as coisas darem certo sai pela culatra. Foi pensando nisso que, entre vacilos de roteiro, produção e interpretação, nós listamos 20 dos filmes mais toscos (mas nem por isso os mais odiados) dos anos 2000.

Afinal, verdade seja dita: todo mundo gosta de algum flop hollywoodiano que, apesar dos deslizes, merece nosso carinho por um ou outro motivo. Confira nossa seleção e aproveite as dicas para aumentar sua lista de filmes para assistir quando estiver absolutamente à toa.

1. Do Jeito que Elas Querem (2018)

Pense em um filme que pode ficar esquecido para sempre na prateleira, ao lado dos títulos da franquia Cinquenta Tons de Cinza. É este. Com fundos horrendos em CGI e uma produção tão descuidada que arriscamos dizer ser quase porca, a única coisa que salva em Do Jeito que Elas Querem é o clima inevitavelmente despretensioso do clube de leitura sobre o qual a trama se desenvolve. Formado por um grupo de mulheres de terceira idade que inclui Jane Fonda, Candice Bergen, Diane Keaton e Mary Steenburgen que se encontram para fazer reuniões, a obra cinematográfica tem um cenário ideal para quem quer apenas dar boas risadas das discussões e dos suspiros que as madames trocam pensando em homens apaixonantes enquanto tomam suas taças de vinho. Assista ao enredo sem maiores pretensões.

2. O Rei do Show (2017)

É até difícil acreditar na ideia de que Hugh Jackman tenha estado tão emocionalmente envolvido com O Rei do Show – uma espécie de musical circense que já decepcionou desde o lançamento dos primeiros trailers, antes mesmo da estreia nos cinemas. O tema tem uma pegada inspiradora, mas é batido e mal-explorado, desafiando, às vezes, até a lógica. Quase nada ali faz sentido, e pouco do que é contado tem realmente a ver com a história de P. T. Barnum, o showman do entretenimento norte-americano que serve de inspiração para a obra. Nem a trilha sonora se salva. As músicas são tão sem graça quanto a trama, o que nos faz recomendar que você só assista ao O Rei do Show se estiver ciente de que ele é quase uma alucinação febril. Quem sabe, assim, engrena?

3. De Volta para Casa (2017)

Antes de qualquer coisa: onde foi que você se meteu, dona Reese Witherspoon? De Volta para Casa é uma semicomédia romântica estranhíssima e nada convincente. Assinado pela diretora Hallie Meyers-Shyer – filha de Nancy Meyers, que dirigiu Alguém Tem que Ceder (2003) –, o filme conta a história de Alice (Reese Witherspoon), uma mulher recém-separada (e desesperada) que conhece três bonitões aspirantes a cineastas em uma noitada, leva o trio para casa e acaba se sentindo atraída por um deles. Daí a história toma um rumo absolutamente bizarro quando, no dia seguinte, a mãe de Alice (Candice Bergen) chega e convida os rapazes para passarem o dia juntos depois de encontrá-los morgados na casa da filha. Lição do dia: até em Hollywood todos têm que pagar suas contas (ou, livrando os atores da responsabilidade, talvez a obra cinematográfica tenha parecido mais interessante quando era só um roteiro, vai saber).

4. SPF-18 (2017)

Antes de derreter corações em Para Todos os Garotos que Já Amei, da Netflix, Noah Centineo atuou em um projeto bem esquisito: SPF-18. Talvez o filme nem tenha a pretensão de ser levado a sério, mas a gente não tem como não se perguntar algumas coisas, como: o que é que Keanu Reeves faz ali? Aquela loira é Pamela Anderson? E a narração é de Goldie Hawn? Muitas perguntas, pouquíssimas respostas. Tudo o que sabemos é que o longa é uma aventura cinematográfica do artista plástico norte-americano Alex Israel, que, de acordo com uma entrevista, “considera o filme parte de seus experimentos artísticos”. SPF-18 navega pela temática do surfe e da virgindade para tentar se aproximar de um público adolescente que “nunca se viu representado pela arte”. OK, né? Prepare-se, porque as atuações dão muito sono.

5. xXx: Reativado (2017)

Já nos acostumamos: a franquia xXx é tão ruim que os filmes se transformaram em experiências absolutamente divertidas. Em xXx: Reativado, o enredo, completamente sem sentido, parece ter sido pensado apenas para exibir corpos sarados, explosões e pessoas dirigindo carros de maneira muito perigosa. Esse é a terceira produção da franquia que tornou Vin Diesel famoso e também o responsável por trazê-lo de volta à história que teve outros dois longas lançados em 2002 e 2005. Motivos para acharmos xXx: Reativado péssimo: 1) O que é a cena em que Diesel calça um par de esquis para andar em uma floresta? 2) Como descrever o momento em que ele usa uma moto como jet ski e simplesmente inventa de furar uma onda gigante com ela? 3) Tudo tem limite.

6. O Garoto da Casa ao Lado (2015)

Jennifer Lopez na atuação e Rob Cohen (produtor executivo de xXx: Estado de Emergência) na direção até rendem uma dobradinha interessante, mas O Garoto da Casa ao Lado peca em tantos detalhes que o espectador passa o filme atento aos vacilos da produção. Quer saber qual é um dos maiores descuidos? Então, repare: quando o rapaz sedutor tenta se aproximar de Claire (Jennifer Lopez), sua professora de inglês, ele a presenteia com o que seria um exemplar da primeira edição de "Ilíada", de Homero – o que não teria problema algum se a primeira edição da obra, que tem origem na tradição oral da Grécia Antiga, não tivesse sido feita... no século X. Cohen tentou se defender dessa, mas não deu certo: o deslize pegou mal e virou chacota.

7. A franquia Cinquenta Tons de Cinza (2015 em diante)

Você pode ter os motivos que quiser para ver (e gostar de) Cinquenta Tons de Cinza, mas provavelmente nenhum deles terá relação, digamos, com a qualidade cinematográfica da franquia. Os filmes, que ganharam as telonas a partir da adaptação da bem-sucedida trilogia literária de E.L. James, capricham no mau gosto e se desenvolvem com base em uma história que tem tudo para ser mais assustadora do que cativante. Cinquenta Tons mirou na tentativa de ser um thriller sofisticado e acertou em uma trama cafona e esquisitíssima, mas, exatamente por isso, também potencialmente engraçada – inclusive com alguns diálogos cômicos, para não dizer bizarros. Pontos positivos? Provavelmente a trilha sonora. E olhe lá!

8. O Destino de Júpiter (2015)

Por incrível que pareça, Channing Tatum, Mila Kunis e Eddie Redmayne conseguiram (não sozinhos, claro) salvar O Destino de Júpiter do limbo. O filme conta a história de Jupiter Jones (Mila Kunis), uma princesa que descobre estar destinada a dedicar sua nobreza intergaláctica à proteção dos habitantes do planeta Terra – mas em um enredo que faz uma mistura de referências bastante questionáveis, incluindo, acredite, até uma espécie de lobisomem.

Bizarrices à parte, o roteiro e a atuação do elenco principal ajudam (e muito) a não fazer de O Destino de Júpiter um flop completo. Ah, e mais um detalhe: Eddie Redmayne está muito convincente no papel de Balem Abrasax, especialmente nas cenas em que espuma de raiva. Preste atenção!

9. O Ataque (2013)

Não tem discussão: o diretor Roland Emmerich é um dos maiores especialistas em filmes de ação. E Channing Tatum (olha ele aí de novo) é ninguém menos do que a estrela de O Ataque, que usa e abusa das explosões e da adrenalina para contar a história de um policial que precisa entrar em ação no meio de uma visita guiada à Casa Branca. Do nada, ele se vê na missão de salvar a própria filha, que o acompanhava no passeio, além do presidente dos Estados Unidos, de uma invasão de paramilitares que querem botar tudo a perder. Batido? Sim. Manjado? Também, mas até que, pelo elenco, vale a experiência. Além de Tatum, estrelam o filme nomes como Jamie Foxx, Maggie Gyllenhaal, Richard Jenkins e Jimmi Simpson.

10. Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (2011)

Apesar de o enredo ser esquisito e ter pesado a mão no melodrama, Espírito de Vingança é um filme que marca uma evolução bastante significativa em relação ao primeiro Motoqueiro Fantasma. O segredo do sucesso, caso você esteja se perguntando, não está na atuação de Nicolas Cage, mas na dupla que assumiu a direção do longa: Mark Neveldine e Brian Taylor. Os caras, que são bastante conhecidos pela capacidade de inovar em produções com fórmulas que já andam antiquadas, conseguiram criar um apelo visual quase imbatível entre os longas de super-heróis de qualquer época – e isso apesar de ter sido rodado em 2011. Alguns críticos chegam a apontar Espírito de Vingança como superior até aos filmes da Marvel. Será que vale o elogio?

11. Sem Limites (2011)

Sabe aquele papo de que nós, humanos, não usamos nossos cérebros à máxima capacidade? Sem Limites parte desse mito para explorar a história de um escritor que, em meio a um bloqueio criativo, experimenta uma droga capaz de potencializar suas capacidades intelectuais. Acontece que o barato é tão grande que Eddie Morra (Bradley Cooper), o literato em questão, transforma-se em um todo-poderoso do mercado financeiro e conquista relevância no cenário político dos Estados Unidos, onde passa a ocupar o cargo de senador. À primeira vista, parece interessante, mas só até o ponto em que as coisas começam a ficar inverossímeis demais, como aprender uma língua só de ouvir meia dúzia de frases. Assista sóbrio e de mente aberta.

12. Caça às Bruxas (2011)

Alô, Hollywood: se você vai se meter a fazer um filme de época – medieval, ainda por cima – com Nicolas Cage, Ron Perlman e Claire Foy no elenco, por favor, invista em um CGI melhorzinho. Caça às Bruxas praticamente não tem salvação. A obra cinematográfica, que conta a história de uma mulher levada por cavaleiros a um monastério depois de ser acusada de bruxaria, comete vacilos técnicos sofríveis. Agora, se o cenário não convence, imagine em que pé ficam as atuações sem o suporte de uma produção decente. Pode apostar: se for assistir ao filme, você vai perder mais tempo prestando atenção nos fundos em CGI (e em outros detalhes de produção igualmente malfeitos) do que na história em si. Depois não diga que nós não avisamos, combinado?

13. Sucker Punch: Mundo Surreal (2011)

Sucker Punch conta uma história sobre fuga, mas não nos moldes de sempre. No filme, Babydoll (Emily Browning) é internada em um sanatório depois de testemunhar um crime que a deixa traumatizada, e projetar uma realidade paralela é a maneira que a jovem encontra para escapar da situação – uma alucinação em que ela e outras garotas enfrentam chefões de fases finais de jogos de video game. Achou estranho? O curioso é que, apesar de usar e abusar de cenas com garotas usando roupas curtíssimas, Zack Snyder, roteirista e diretor do longa, jura que seu filme é feminista. Tirando essa forçação de barra, as cenas de luta até convencem. Os embates, bastante fantasiosos, incluem orcas, um dragão, um samurai gigante e até zumbis nazistas. Como bem definiu Snyder em uma entrevista, Sucker Punch é uma espécie de “Alice com metralhadoras”.

14. Mamma Mia! (2008)

Dói admitir, mas Mamma Mia! precisava entrar nesta lista. O musical, inspirado no sucesso da banda sueca de música pop ABBA, exagera nas tomadas cafonas, faz um uso bastante questionável do chromakey e tem um enredo que apostou tudo na tendência do brega para fazer comédia. É ruinzinho? Sim, mas a gente continua adorando, apesar de os vocais sofríveis de Pierce Brosnan e a história nada convincente da tal paternidade tripla. De qualquer forma, eis aí um filme que convida o espectador a afrouxar os níveis de exigência e simplesmente curtir, até porque, vamos combinar, Meryl Streep, Christine Baranski e Julie Walters formam um trio incrivelmente divertido. Há quem diga que a sequência do filme, lançada em 2018, superou seu antecessor, mas a verdade é que essa é uma afirmação bastante questionável – mesmo com Cher no elenco.

15. Fim dos Tempos (2008)

M. Night Shyamalan penou, mas no fim das contas conseguiu produzir o que queria com Fim dos Tempos: uma espécie de thriller ecológico e apocalíptico. O longa conta a história de Elliot, um professor de ciências (interpretado por Mark Wahlberg) que tenta entender os motivos do desaparecimento repentino e sem explicação das abelhas. Intrigado, ele teoriza sobre a situação até ser surpreendido por uma nova mudança, mas que dessa vez afeta o comportamento dos frequentadores do Central Park, em Nova York, e logo se espalha para fora do lugar, ameaçando a sociedade. A situação sai de controle e, bem, a única teoria sobre a qual Elliot acaba verdadeiramente pensando a respeito é: para onde fugir? Resumo da ópera: o filme tenta e às vezes até acerta, mas não consegue cativar a atenção (e o respeito) do espectador.

16. Homem-Aranha 3 (2007)

Não tem discussão: Peter Parker e sua identidade secreta estão entre os maiores nomes da literatura de quadrinhos e do cinema de super-heróis. Stan Lee foi um gênio e suas criações são algumas das mais originais e criativas da indústria do entretenimento. O que não dá para aceitar, porém, é como Homem-Aranha 3 conseguiu ser tão diferente (no mau sentido) dos seus antecessores. É claro que toda franquia tem suas variações de qualidade, mas aqui o longa se desenvolve de maneira tão pouco elaborada, que 2 horas e meia viram uma tortura. Desdobramentos óbvios e tramas mal conectadas fazem com que nem o Venom convença o espectador. Até a interpretação de James Franco decepcionou a crítica, na época. Mais um filme para assistir se perguntando repetidamente: o que é isso?

17. Bee Movie: A História de uma Abelha (2007)

Na versão original, em inglês, as dublagens de Renée Zellweger, Matthew Broderick, Chris Rock e Jerry Seinfeld são ótimas, irretocáveis. Pena que eles emprestaram suas vozes para uma produção tão sem pé nem cabeça. É sério: aonde a DreamWorks pretendia chegar com um enredo que envolve abelhas que processam a humanidade por exploração, além de um plot sobre um cara que se sente traído pela namorada por ter se apaixonado por um inseto voador? Isso não dialoga nem com crianças, nem com adultos – a não ser que estes estejam em um grau de abstração além do normal, é claro. Não é que discutir nossa relação predatória com a natureza não seja importante, mas, sejamos sinceros, o mel de Bee Movie só podia estar batizado.

18. O Amor Não Tira Férias (2006)

Sabe aqueles dias em que você precisa assistir a um filme no qual tudo acontece de maneira absolutamente perfeita? Pode apostar: O Amor Não Tira Férias é a pedida. O longa é quase uma alucinação, mas até que a história de Amanda (Cameron Diaz) e Iris (Kate Winslet) prende a atenção. As duas trocam de casa durante as férias e se apaixonam por rapazes locais na viagem – a americana na Inglaterra, a britânica nos Estados Unidos. Nada como cruzar o mundo para passar uns dias em uma casinha com decoração de revista e ainda viver um caso de amor na cidade, não é mesmo? É o conto de fadas perfeito para quem quer uma comédia romântica que simplesmente não foge de nenhum estereótipo do gênero, incluindo Jude Law no papel de um mocinho sedutor.

19. A Lenda do Tesouro Perdido (2004)

Não é implicância, mas aparentemente Nicolas Cage adora estrelar filmes que entram para a lista de flops que merecem ser vistos. Em A Lenda do Tesouro Perdido, o ator interpreta Benjamin Franklin Gates, um especialista em criptografia que, em plena paranoia conspiratória, entra em uma corrida (contra o FBI, veja só) para salvar o documento que declarou a independência dos Estados Unidos. Não fossem as coincidências absurdas que ajudam a história a se desenrolar, até que o enredo seria interessante. Outros detalhes improváveis envolvem um romance que nasce de uma afinidade pouco comum (quando duas pessoas apaixonadas por documentos históricos emplacariam como casal em Hollywood?) e uma cena de Cage derramando suco de limãoem um documento raríssimo para decodificar o que estava escrito. Estranho, mas engraçado.

20. Voando Alto (2003)

Gwyneth Paltrow dá muita graciosidade a Donna Jensen, a menina recatada do interior que vai para a cidade grande viver o sonho de se tornar aeromoça e conhecer o mundo, mas Voando Alto é o tipo de filme que faz coisas absurdas pularem à vista constantemente, e sem um propósito bem definido. Mike Myers, Christina Applegate e Kelly Preston interpretam o núcleo excêntrico da trama e às vezes provocam até certa vergonha alheia, mas, apesar de bizarro, esse filme tem um quê de fofura e ainda carrega uma mensagem minimamente interessante. O destaque, além de Paltrow, vai para Mark Ruffalo, que ajuda a equilibrar as coisas e tornar o longa – que, a propósito, foi dirigido pelo brasileiro Bruno Barreto – menos intragável do que parece.

E você, quais filmes incluiria nessa lista? Deixe suas sugestões nos comentários!

Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez via nexperts.