Ansioso pela chegada de Doom Patrol ao DC Universe? Então anime-se, porque a estreia da série no serviço de streaming da DC está mesmo envolta em muitos rumores bastante positivos. A exibição de uma prévia da produção em Titans, no começo de novembro, foi decisiva para alimentar o que já vinha sendo comentado: o que deve vir por aí é uma série com as melhores características de todas as variações pelas quais Doom Patrol já passou, com novidades que vão tornar tudo ainda melhor.

Para ajudar você a acalmar os ânimos e entender o que pode representar o lançamento de Doom Patrol como uma série independente, fomos longe na história dos quadrinhos originais, da década de 60, e percorremos tudo o que foi feito até hoje – incluindo o episódio de Titans, que foi ao ar algumas semanas atrás – para compreender como tudo isso pode ter influenciado a produção, que estreia em 2019 com Brendan Fraser, Matt Bomer e April Bowlby no elenco. Confira!

Entendendo a origem da Patrulha do Destino

Doom Patrol no traço de Premiani, década de 60. Imagem: Reprodução/The Comics Journal

Apesar de só terem estreado numa live-action em 2018, os heróis de Doom Patrol fizeram sua primeira aparição em 1963, em tirinhas publicadas no comic book "My Greatest Adventure" (mais especificamente na edição de número 80). Na publicação, à época escrita pela dupla Arnold Drake e Bob Haney e ilustrada por Bruno Premiani, a Patrulha do Destino era composta por quatro integrantes: Rita Farr, ou Elasti-Girl, atriz e ex-nadadora olímpica que ganha poderes elásticos depois de ser exposta a um raro gás vulcânico; Cliff Steele, ou Robotman, piloto de corrida que tem seu cérebro resgatado e preservado depois de um grave acidente automobilístico; Larry Trainor, ou o Negative Man, piloto de testes que ganha poderes depois de ser exposto à radiação durante um voo; e Dr. Niles Caulder, ou The Chief, inventor paraplégico que inspira o resto do time a superar suas condições particulares, que faz deles excluídos da sociedade, e usar suas habilidades sobre-humanas para o bem maior.

Se você já está se perguntando qual é a relação entre Doom Patrol e outro time de heróis bem famoso, é bom que saiba que Drake chegou a levantar suspeitas contra Stan Lee, alegando que o escritor teria se “inspirado” no conceito de Doom Patrol para criar X-Men, que ganhou vida 2 meses depois da estreia da Patrulha do Destino. Anos depois da confusão, porém, tanto Drake quanto Lee desmentiram a acusação e alegaram que tudo não passou de mera coincidência – duas pessoas tendo ideias muito parecidas ao mesmo tempo, mas sem relação entre si. O fato é que, graças à sua irreverência, a tirinha de super-heróis de Drake salvou a "My Greatest Adventure" do cancelamento. Aliás, o impacto foi tão positivo que a publicação mudou de nome apenas cinco edições após a estreia do quarteto.

Rebatizada como Doom Patrol, era hora de a publicação arriscar novas ideias. Na edição de número 99, Garfield Logan, o Beast Boy, foi incluído ao time de heróis como o sobrevivente de um experimento que buscava a cura de uma doença rara, mas que acabou dando a ele a habilidade de se transformar em qualquer animal. O personagem até permaneceu por um tempo com o grupo, mas logo partiu para tentar a sorte em Hollywood, onde se juntou ao time de Titans West. A Doom Patrol em si só sobreviveu por mais 3 anos, até sua popularidade entrar em declínio e ela ser oficialmente cancelada – ocasião em que, frustrado, Drake decidiu dar fim ao time de heróis, tirando-os totalmente de circulação.

Em 1967, foi a vez de Paul Kupperburg dar vida a um novo time de heróis que ressuscitou o Robotman e trouxe à tona a Negative Woman, além de Celsius, criação de Caulder que até então não havia sido explorada. A tentativa se revelou um tiro no pé, afinal não foi capaz de conquistar o público nem reverter o cenário crítico das publicações da DC. Dez anos depois, Kupperburg voltou a tentar emplacar um novo time de Doom Patrol, mas foi substituído por Grant Morrison na 18ª edição da nova publicação. Nessa fase, considerada definitiva para a solidificação da Doom Patrol por conta do tom surrealista, muito próprio das aventuras dos heróis, o grupo seguiu contando com personagens como Robotman, The Chief e Negative Man, mas também ganhou a presença de Crazy Jane (uma mulher com transtornos dissociativos e um superpoder para cada uma de suas personalidades), além de Danny, uma rua (sim, uma rua!) com habilidades humanas.

Estética de Doom Patrol sob o traço de Nick Darrington. Imagem: Reprodução/Comic Books Corps

A saída de Morrison da equipe de criação de Doom Patrol foi seguida pela chegada e pelo rodízio de diversos escritores, entre eles Rachel Pollack, John Arcrudi, John Byrne e Keith Griffen, que assumiram as rédeas da história com erros e acertos que fizeram a aceitação da publicação oscilar bastante entre os leitores. Foi só em 2016 que Gerard Way, líder da banda My Chemical Romance e também um talentoso escritor de histórias em quadrinhos, renovou o conceito de Doom Patrol para o selo Young Animal, da DC. À frente do projeto, Way e Nick Darrington, responsável pelas ilustrações, conseguiram dar novo gás à produção ao mesmo tempo que honraram muito do que já havia sido criado e explorado antes.

A estreia do time em Titans

Trazidos para as telas em Titans, os heróis de Doom Patrol mostraram muitas das características que já carregavam na época de Drake e Haney, com toques da influência de Morrison – um mix de características que aparentemente preservou o que cada um dos criadores que esteve à frente do projeto conseguiu dar de melhor a ele. Além disso, a harmonia entre os heróis, notável do começo ao fim, dá ainda mais sustentação à história, que retrata personagens que, apesar de donos de superpoderes (o que geralmente suscita disputas), agem como uma família – certamente uma animadora prévia do que vem por aí na série que chega em 2019.

Também chamaram a atenção as atuações de The Chief, interpretado por um Bruno Bichir (foto acima) bastante ameaçador (e que, consequentemente, derruba de vez a benevolência de Caulder), e de Cliff (talvez a melhor inclusão de um personagem na história). Cliff é um cérebro humano no corpo de um robô; ou seja, um personagem pelo qual o espectador pode se afeiçoar com alguma facilidade. Quem tiver a oportunidade de assistir ao episódio certamente vai notar como, no áudio em inglês, Fraser fez uma dublagem genial, com a propriedade de quem parece interpretá-lo há séculos – o que é ótimo, já que ele deve seguir na pele de Robotman por um bom tempo.

Doom Patrol, a série

Doom Patrol vai chegar ao DC Universe em 2019 com Fraser, Bomer e Bowlby, além de uma repaginação de The Chief, que deve ser repensado para ser mais verossímil na tentativa de inspirar a devoção de Cliff, Larry e Rita. O serviço de streaming também anunciou, em agosto, que o ex-James Bond Timothy Dalton deve assumir o papel de Niles Caulder – uma escolha inspirada, afinal Dalton parece ser bastante capaz de equilibrar o lado ameaçador e a compaixão do personagem.

A experiência de Doom Patrol em Titans aumentou as expectativas para o lançamento da série própria do time. A inclusão de alguns personagens da época em que Morrison esteve à frente da publicação parece apontar para um rumo mais absurdo do que imaginamos inicialmente – algo que talvez respeite a essência bizarra que Doom Patrol sempre carregou, independentemente das suas diferentes versões. Ao que tudo indica, a estreia no serviço de streaming acontece em fevereiro de 2019.

Se você não tiver visto o episódio de Titans que antecipa um pouco da produção, assista ao vídeo abaixo, com cenas de bastidores (em inglês):

Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez via nexperts.