Roseanne Barr não está nada contente com os rumos que sua carreira vem tomando. Estrela da sitcom Roseanne, que teve 10 temporadas entre os anos 80 e 90, viu seus contratos serem cancelados após uma declaração racista.

Em maio de 2018, Roseanne Barr publicou um tweet para defender o Governo Trump, no qual comparava Valerie Jarrett (ex-assessora do presidente Obama) a um macaco. Com a repercussão que se seguiu, o recém-anunciado revival de Roseanne foi cancelado. Entretanto, a ABC queria dar continuidade a alguma produção relacionada, então encomendou o spin-off The Conners. Na série, acompanhamos a trabalhadora família de Roseanne.

Mas é claro que não seria possível incluir Barr na série — não depois da polêmica. Então, The Conners começa três semanas após a morte da "Vovó Rose", com seus filhos e netos lidando com o luto e descobrindo que a personagem, na verdade, era viciada em opioides e sofreu uma overdose.

Irritada com a decisão da emissora, Roseanne Barr e seu "rabino e amigo de longa data" Shmuley Boteach emitiram uma nota sobre a premiere de The Conners.

"Enquanto nós desejamos o melhor para o elenco e a produção de The Conners, todos os que estão profundamente dedicados à própria profissão e foram colegas queridos de Roseanne, lamentamos que a ABC tenha escolhido cancelar Roseanne ao matar a personagem Roseanne Conner. Isso foi feito através de uma overdose de opioides e levou a um luto desnecessário e uma dimensão mórbida para o que seria uma alegre série familiar. Essa foi uma escolha que a emissora não precisava fazer. Roseanne era a única série na TV a abordar diretamente as divisões que ameaçam nosso tecido social. Especificamente, promoveu que mensagens de amor e respeito para outro indivíduo deveriam transcender diferenças de bagagem e discordância ideológica. A produção reuniu personagens de diferentes inclinações políticas e contextos raciais em uma família unida, uma raridade no entretenimento da América moderna. Acima de tudo, a série celebrou uma mulher forte e matriarcal como protagonista, algo de que precisamos mais no nosso país.

Através do amor e de uma protagonista universalmente identificável, a série representou um momento semanal de educação para a nossa nação. Ainda assim, um inequivocado — mas não imperdoável — erro encobriu a lição mais importante de todas: o perdão. Depois de desculpas sinceras e repetidas, a emissora não quis relevar um erro lamentável, dessa forma negando os valores da América: arrependimento e perdão. Em um clima hiperpartidário, as pessoas às vezes erram, usando palavras que não refletem verdadeiramente quem elas são. Apesar disso, é o poder do perdão que define a nossa humanidade.

Nossa sociedade precisa se curar de muitas formas. Qual é o melhor jeito de se curar, senão em um momento compartilhado, uma vez por semana, onde todos nós podemos apreciar uma história convincente liderada por uma personagem espirituosa — uma mulher — com quem a América se conecta, não apesar das suas falhas, mas por causa delas. O cancelamento de Roseanne é uma oportunidade desperdiçada, devido a partes iguais de medo, arrogância e recusa em perdoar."

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.