O roteirista Abdel Raouf Dafri vai ser o responsável por assinar a história da série baseada em O Profeta, filme de 2009 que ele mesmo roteirizou ao lado de Nicolas Peufaillit, Thomas Bidegain e Jacques Audiard — este último também atuou na direção. O projeto de criação vem sendo encabeçado por Marco Cherqui, da CPB Films, e Pascal Caucheteux, da Why Not Productions.

O Profeta gira em torno de um jovem muçulmano que é encarcerado em uma prisão francesa; no filme, o protagonista Malik El Djebena é interpretado por Tahar Rahim (o Ali Soufan, de The Looming Tower). O longa-metragem foi muito bem avaliado pela crítica e teve mais de 50 indicações em premiações, dentre elas à categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar e no Globo de Ouro.

Os produtores esperam repetir o sucesso agora no novo formato. A série vai partir do mesmo ponto em que o longa começou; ou seja, trata-se de um reboot, não uma sequência ou um prequel. Nela, um jovem árabe que vive em um subúrbio nada privilegiado passa por situações que transformam completamente sua vida e termina atrás das grades. "A série vai ser diferente do filme da mesma forma que o filme Gomorra, de Matteo Garrone, é diferente de sua adaptação televisiva", diz Cherqui.

E as alterações serão principalmente no sentido de trazer mais atualidade para a história, já que se vão bons 15 anos desde que o roteiro começou a ser rabiscado pelo criador da história, Dafri. Assim, segundo ele, a série vai refletir as mudanças que ocorreram na sociedade francesa desde 2004, com diversos ataques terroristas, e tudo isso estará presente na produção. "A comunidade árabe francesa é muito diferente do que era então, a harmonia com a religião é muito mais forte agora."

A equipe por trás de O Profeta

Além do sucesso que teve com o filme de 2009, Abdel Raouf Dafri vem há anos chamando a atenção do público e dos críticos à frente de títulos como a série Braquo, extremamente elogiada e premiada em todo o mundo, e o longa Inimigo Público nº 1.

Cherqui, por sua vez, participou também da produção do filme e tem uma carreira já bastante extensa no cinema e na TV na França, atuando por trás das câmeras em séries como Clash e Kaboul Kitchen. Já Pascal Caucheteux esteve em bem mais títulos de amplo alcance, como é o caso de Ferrugem e Osso, de 2012, e Jackie, de 2016.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.