Mesmo após 14 anos desde o seu término, Friends ainda é uma das séries mais assistidas no mundo — e na Netflix. Mas isso pode acabar: a Warner Bros. quer ter a própria plataforma de streaming.

A empresa está seguindo a tendência de outras produtoras e distribuidoras de vídeo — como a Disney, a HBO e a Amazon. A questão, obviamente, é um dos maiores desafios da Netflix: por mais que eles estejam focando em produzir conteúdo original, boa parte do catálogo ainda depende de outras gigantes do entretenimento.

Segundo o analista de mídia Rich Greenfield, da BTIG, "conteúdos como Friends devem desaparecer da Netflix em 2019 quando a Warner Media lançar sua própria plataforma de streaming. Quando mais criadores de conteúdo lançarem suas próprias plataformas, como os investidores deveriam pensar sobre o impacto de perder conteúdo de alto perfil?".

A questão é que Friends é a terceira série mais assistida da Netflix, considerando os espectadores estadunidenses. As aventuras no Central Perk ficam atrás apenas de Brooklyn Nine-Nine (antes da FOX, agora da NBC) e The Big Bang Theory (da CBS). A tendência é a mesma no Reino Unido e em boa parte do mundo — o que é surpreendente, visto que não existem episódios novos.

Para o consultor Peter Csathy, fundador da CreaTV Media, a questão tem que ser resolvida o quanto antes. "Se todos os 'Assassinos de Netflix' se movimentarem juntos e tomarem de volta suas próprias franquias, isso seria um sério golpe para a Netflix. Visualizações de crianças e famílias na Netflix representam um número surpreendentemente alto, e crianças assistem a conteúdos de franquias repetidamente. Pais da Netflix pagam felizes por esse tipo de 'babá', desde que o conteúdo esteja disponível ali. Se princesas da Disney, Star Wars, Marvel, DC Comics, Pixar e outras grandes propriedades saírem do universo da Netflix, a Netflix com certeza sentiria esse baque."

Netflix foca em parcerias com empresas público-privadas

Mas é claro que a Netflix tem consciência desses problemas. Ted Sarandos, Diretor de Conteúdo da empresa, explica que essa questão vem de longa data. "Nós temos sido compradores bastante dependentes. Cada vez mais, alguns desses vendedores se tornaram complicados, o que significa que existem conflitos nas próprias companhias sobre o que e quando eles querem vender."

"Algumas de nossas maiores marcas, como Stranger Things, são produzidas e mantidas 'dentro de casa', mas ainda estamos licenciando boa parte do conteúdo", explica Sarandos. Segundo ele, a maior parte das produções originais da Netflix têm sido bem recebidas, especialmente as que não são presas a um roteiro. "Queer Eye, Fastest Car, Mandou Bem, Sugar Rush. Esses todos são programas amados por uma grande quantidade de pessoas ao redor do mundo. E nós não temos que passar por renegociações tensas."

Sarandos também menciona uma nova estratégia: parceria com empresas cujo foco é o público aberto (e que frequentemente ganham financiamento do governo), como a BBC. Um exemplo é a coprodução de Dracula, uma série em três partes dos mesmos criadores de Sherlock, Steve Moffat e Mark Gattis. "Nós achamos que podemos ser grandes parceiros de emissoras e produtoras públicas pelo mundo."

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.