O texto a seguir contém spoilers do episódio 11x02 "The Ghost Monument" de Doctor Who.

O segundo episódio da 11ª temporada de Doctor Who consegue ter a energia da série moderna, referenciar o espírito da série clássica e ainda construir uma identidade própria.

Já conseguimos perceber isso logo na estreia da nova abertura, que diferente das últimas temporadas, cheias de efeitos e excessos, aqui faz uma versão moderna (e colorida) da primeira abertura da série de 1963.

E se o primeiro episódio ("The Woman Who Fell to Earth") serviu para apresentar personagens, "The Ghost Monument" estabelece relações e fortalece laços entre eles. E já podemos ver que existe uma ótima química rolando.

Junto com seus amigos Graham, Ryan e Yasmin, a Doctor acaba perdida em um planeta hostil no meio de uma corrida intergaláctica protagonizada pelos conflitantes Angstrom e Epzo.

Os dois competidores estão indo em direção a um ponto específico do planeta que simboliza o fim da corrida: o “Monumento Fantasma”, que por acaso é a nave em formato de cabine telefônica da Doctor. Então, todos os personagens acabam seguindo para o mesmo objetivo.

Se os amigos da Doctor ainda estão tímidos e desenvolvendo aos poucos suas interações e relações, a protagonista de Jodie Whittaker se mostra cada vez mais à vontade em seu papel e em suas descobertas.

A Doctor começa a impor mais de sua personalidade e características, como sempre ter algum item em seus bolsos (já sabemos que ela odeia bolsos vazios) e seu posicionamento extremamente negativo em relação a armas (assim como foi com seus antecessores).

O episódio tem um ritmo bom, consegue entregar os conflitos, as apresentações de novos personagens e o desenrolar da trama sem pressa — e até com tempos para interações mais profundas. Méritos de um bom roteiro e uma boa direção.

Mas o ponto forte está no desfecho e no clímax do episódio: o reencontro da Doctor com uma das personagens mais importantes da série, sua nave TARDIS. Toda reformulada e “regenerada” assim como a Doctor, a TARDIS (e a abertura) descarta todos os excessos e volta para um design mais alienígena e rústico dos “bons e velhos tempos”.

O encontro é carregado de emoção, e Jodie entrega uma performance apaixonada e de aquecer o coração de qualquer fã. Essa temporada promete muito, assim como a nova Doctor. A futura geração de Whovians está em ótimas mãos.

Relacionado: Doctor Who: tudo novo na 11ª temporada (e já era hora)

Este texto foi escrito por Mike Ale.