A diretora de conteúdo da BBC, Charlotte Moore, fez críticas à Netflix e à Amazon em palestra no último dia 11, em Londres, na Inglaterra. De acordo com ela, as companhias estão mais preocupadas em coletar o máximo de dados que conseguirem dos usuários, com uma ganância insaciável. Moore também condenou as motivações das gigantes americanas para produzir séries e filmes, argumentando que elas estão mais atreladas ao lucro que à qualidade do que é oferecido à audiência.

A executiva lamenta que muito do que está definindo os rumos da indústria do entretenimento é a tecnologia, e não a criatividade. “O cenário da televisão está crescentemente sendo definido pelo que vai gerar os maiores lucros para as empresas, não pela intenção de criar os melhores programas para a audiência”, Moore complementa.

A preocupação da BBC, que é uma emissora pública, parece ser de que o mercado de televisão passe a ser dominado mundialmente por algumas poucas companhias que não tenham o mesmo comprometimento com o interesse público da empresa britânica. Isso se expressa em outra fala de Moore, ao dizer que se preocupa com “a ganância insaciável por aquisição de dados, que pode estar servindo ao mestre errado. Todo esse mercado está focado no que pode conseguir da audiência, em vez de considerar quais retornos podem dar às pessoas”.

A manifestação da executiva é feita em um momento delicado para o futuro da BBC. A emissora foi fundada em 1922, com a missão de oferecer programas de televisão que dialogam com as mais diferentes audiências. Além disso, ela tem um impacto direto no setor de entretenimento do Reino Unido, sendo uma das mais importantes produtoras de conteúdo da região.

Ao mesmo tempo, Moore argumenta que o orçamento da BBC para isso vem caindo, enquanto os de Netflix e Amazon crescem. “O orçamento atual da Netflix para os programas é de US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 29,6 bi). O da Amazon é de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 18,5 bi). Mas o investimento delas em programas britânicos é de somente 150 milhões de libras por ano (aproximadamente R$ 735 mi). Menos de 10% do catálogo são compostos por conteúdo produzido no Reino Unido”, ela explica.

Segundo Moore, o cenário gera uma contradição entre a quantidade de escolhas disponíveis, algo sem precedentes na História, e a dificuldade que a audiência britânica pode ter para encontrar tramas com as quais realmente se conectem e sejam importantes para os espectadores da região. Nos últimos meses, executivos da BBC vêm defendendo a regulação de serviços de streaming como os que são oferecidos por Netflix e Amazon.

O site Business Insider entrou em contato com a Netflix e a Amazon, que não quiseram comentar as críticas feitas por Moore.

Este texto foi escrito por Camila Pessoa via nexperts.