Esta crítica da série ELITE é SEM SPOILERS, fique livre para ler mesmo sem ter assistido a série ainda.

Antes de mais nada, vamos desassociar ELITE de La Casa de Papel. Sim, ambas são produções espanholas e exclusivas da Netflix. Sim, parte do elenco é o mesmo. Mas as duas séries estão longe de ser o mesmo tipo de produção. Somente, talvez, as duas tenham o mesmo valor "maratonável". Leia-se: você vai querer assistir tudo de uma vez.

ELITE é um drama adolescente em seu core e abusa muito mais do gênero do suspense que séries modernas como Big Little Lies e How to Get Away With Murder aperfeiçoaram. Essas duas, aliás, tem uma forma narrativa extremamente mais similar à da nova produção do que a “irmã mais velha”.

Samuel, Nadia e Christian em cena da série Elite, da Netflix

A trama começa no primeiro dia de aula de Samuel, Nadia e Christian no colégio particular Las Encinas. Uma instituição para os filhos privilegiados da alta sociedade espanhola. O trio ganhou bolsas de estudos para o lugar após o colégio público em que estudavam desabar sobre suas cabeças e a construtora responsável tentar se redimir perante a sociedade.

Como esperado, eles encontram um ambiente hostil por virem da periferia e ainda no primeiro episódio ficamos sabendo que um assassinato aconteceu na celebração do último dia de aulas do semestre. Por meio dos interrogatórios feitos pela polícia e por flashbacks, ficamos sabendo os eventos que levaram ao fatídico incidente. E se o assassino/a só é revelado no episódio 10, a surpresa de quem é a vítima acontece já no primeiro.

Da esquerda para a direita: Polo, Carla, Ander, Lu, Guzmán e Marina (ao fundo).

Precisa-se dizer que ELITE é um bom suspense. Ainda que caia em alguns clichês do gênero, a vontade de continuar assistindo até que se descubra o final está lá. O mistério também funciona muito bem. Em nenhum momento a resolução fica óbvia, ainda que a série intencionalmente jogue o público de um lado para outro, ao mostrar que praticamente todos tinham motivos para cometer o assassinato.

Se você gosta de romances teen com um viés de amor proibido e traição entre irmãos, deve gostar também, mas é nos dramas paralelos ao trio central que moram os personagens mais interessantes – ainda que em muitos casos, não críveis.

Abstenha-se o fato de que a liberdade e “maturidade” física dos adolescentes é inacreditável, o trio formado por Polo, Carla e Christian parece se encaminhar para um triângulo amoroso óbvio, mas se revela algo mais criativo e do que isso, crescendo em espaço na trama até o final.

Esse é apenas um dos temas tratados de uma maneira menos tradicional. Alguns exemplos são a religião muçulmana – que para Nadia é mais um orgulho do que uma amarra – e a naturalidade dos jovens diante de tabus como o vírus HIV e a homossexualidade.

Mesmo a vilã Lu, que inicialmente parece somente um clichê da “garota malvada”, ou Guzmán, o “bully”, têm mais camadas do que o aparente – mas ainda são poucas. Os ricos são, sim, corruptos e sem escrúpulos, outro clichê recorrente.

Sem dar spoilers: o final não é frustrante como alguns podem pensar. Primeiramente, porque a 2ª temporada é quase certa, ainda que a 1ª temporada se encerre de maneira satisfatória. E segundo, porque ele acaba sendo um retrato das diferenças sociais ressaltadas durante todos os episódios de ELITE.

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