A pior avaliação entre todos os filmes do universo Invocação do Mal e, ainda assim, a melhor bilheteria de estreia dentro dessa mesma franquia. O cenário que envolve A Freira, recente lançamento de terror sobrenatural sob direção de Corin Hardy, parece ser mesmo coisa de outro mundo.

A estrondosa abertura de US$ 136 milhões mundialmente — US$ 53,5 milhões somente nos Estados Unidos — em sua primeira semana mostrou que, claramente, as notas baixíssimas em agregadores de resenhas como o Rotten Tomatoes não assustaram os fãs de um bom jump scare, ao menos não o suficiente para fazê-los pular fora do cinema. Nem mesmo Annabelle 2: A Criação teve avaliações tão negativas.

O que criou esse movimento? Segundo o analista de bilheteria sênior Jeff Bock, em entrevista ao Business Insider, a "culpa" disso tudo é nossa, dos brasileiros, bem como de outras bilheterias estrangeiras de locais onde a expectativa em torno do longa-metragem era incrivelmente alta. A Warner Bros. soube usar muito bem essa ansiedade das massas e investiu em publicidade e marketing de um jeito inteligente, com muitos videozinhos de susto, polêmicas e bastante buzz criado em torno da produção.

"Quantas vezes você estava no cinema assistindo àquele trailer e ouviu pessoas gritarem quando a segunda freira aparecia? Depois de ver o trailer, você sabe que isso vai engajar a audiência. As pessoas amam se assustar e se deslocar ao cinema para ver filmes de terror em grupos, e essa é uma experiência que você não consegue ter em nenhum outro lugar além dos cinemas", elabora o analista, com relação ao que ainda atrai os fãs até as telonas.

Antes disso, no caso de A Freira o burburinho já começou lá no segundo Invocação do Mal, considerado por muitos fãs do gênero como o melhor filme da franquia e onde a famigerada religiosa assustadora faz sua primeira aparição.

Por falar em fãs do gênero, eles vêm sendo, segundo Bock, privados de boas obras do tipo. Com exceção talvez de IT: A Coisa, Corra!, Um Lugar Silencioso e Hereditário, poucos títulos conquistaram os fãs no último ano e garantiram os bons sustos e a satisfação com a trama de quem curte um terror. E, ainda assim, esses exemplos incluem estilos diferentes de terror, nem sempre sobrenatural, então um filme que trabalhe bem com isso sem dúvida conquistaria pelo menos a curiosidade dos fãs.

Aparentemente, essa curiosidade venceu até mesmo a implicância com as explicações chulas e forçadas que o longa-metragem entrega em sua execução.

É claro que esse sucesso não vai se manter, e a previsão para as semanas seguintes é de uma queda de 55% com relação à de lançamento, quando o boca a boca provavelmente espalhar que o filme não é realmente tudo aquilo que se esperava. Até lá, no entanto, a Warner Bros. já vai ter colocado a conta bem de longe no azul: a obra custou US$ 22 milhões e rendeu mais do que o dobro disso na primeira semana somente nos Estados Unidos.

Engajamento étnico

No caso de A Freira, outro detalhe que, segundo Bock, ajuda a compreender o sucesso do filme nos seus dias de estreia é a tentativa que produtoras como a Warner vêm fazendo de diversificar os atores para alcançar diferentes públicos.

O país estrangeiro com a melhor estreia desse longa-metragem em particular foi o México, onde a bilheteria de lançamento foi de US$ 10,7 milhões. O motivo? De acordo com ele, é a representatividade: o ator que estrela a produção é Demián Bichir, justamente um mexicano. Não à toa também o filme teve uma estreia de US$ 3,3 milhões na Espanha.

A estratégia é a mesma de produções como Megatubarão, por exemplo, que lotou a tela com atores e atrizes orientais e foi sucesso mundial, com um rendimento de US$ 500 milhões mundialmente. Vale também para Podres de Ricos, primeiro filme hollywoodiano a ter um elenco unicamente formado por atores asiáticos, o qual manteve uma bilheteria estável ao longo das três primeiras semanas.

"É o tipo de truque que vem sendo usado por muitos estúdios: elencar pessoas que façam bonito não só na América do Norte, mas ao redor do mundo", opina.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.