Se existe algo que se pode dizer sobre Big Little Lies, é que a série da HBO não tem medo de tocar em assuntos que costumam ser polêmicos, como o abuso doméstico.

E não é agora, em sua 2ª temporada, que a produção estrelada por Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Shailene Woodley e Laura Dern passará a pisar em ovos. De acordo com uma entrevista concedida por Woodley durante o Deauville Film Festival, desdobramentos do crime que foi finalmente revelado na season finale serão tão pesados e complexos quanto o crime em si.

Além disso, embora esclareça vários conflitos apresentados ao longo da temporada, a descoberta do que de fato aconteceu não os resolve.

Então, podemos esperar novas e velhas tretas quando for dada a largada para a 2ª temporada, inclusive para a própria Jane. Relembrando que, no final da temporada anterior, ela descobre finalmente a identidade do pai de Zeek e seu abusador, algo que vai ao mesmo tempo surpreender e chocar a todos, bem como aliviar um pouco a carga emocional sobre ela.

"Minha personagem tem uma história bem diferente, o que é maravilhoso; porém, para muitas outras pessoas, isso vai ainda além. Vai ser muito emocionante, mas ao mesmo tempo divertido e com aqueles momentos mais leves. E, claro, não se mantém longe da sujeira", revelou a atriz ao The Hollywood Reporter.

Para Woodley, o principal ingrediente responsável pelo sucesso de Big Little Lies foi o timing, além da qualidade da produção. "As pessoas estão buscando muito entender e ter uma versão cinematográfica da psicologia feminina".

Segundo ela, não se trata de substituir os homens pelas mulheres, mas sim reconhecer que falta igualdade de representação. "Não é questão de colocar as mulheres em papéis de heroínas ou transformar James Bond em Amelia. É reconhecer que há um enorme desequilíbrio na maneira como a gente explora a psicologia na nossa indústria e que, por muito tempo, isso tem sido entregue bem mais com os homens e a masculinidade."

Explorar o abuso doméstico a partir de uma perspectiva feminina é algo que a série faz e busca justamente equilibrar esse balanço. No entanto, tratar temas do tipo com o nível adequado de discernimento e sensibilidade demanda uma equipe tanto de atores e de produtores quanto de consultores e de apoio — e nem sempre os estúdios dispõem de tudo isso ou dão suporte a esse tipo de iniciativa.

Nesse sentido, os canais de streaming vêm surgindo como uma luz no fim do túnel, assim como as produtoras independentes, que têm feito um bom trabalho, mas nem sempre alcançam o reconhecimento que merecem.

"Eu acho que há bastante gente comprometida e muita bravura envolvida nesses trabalhos. Mas eu acho também que toda a indústria vai mudar muito nos próximos 10 anos, e ninguém está preparado para o que virá", completa.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.