O ator Nikolaj Coster-Waldau, que interpreta Jaime Lannister em Game of Thrones, foi condenado a pagar US$ 2 milhões (pouco mais de R$ 8 milhões) para sua ex-empresária, Jill Littman, devido a uma quebra de contrato. Ele decidiu encerrar a relação com a Littman and Impression Entertainment em 2015, após quase 10 anos de parceria. A partir daí, a empresária alega que ele a deve comissões.

O acordo entre os dois era de que Littman receberia 10% dos rendimentos do ator — que, na 7ª temporada de Game of Thrones, estava recebendo mais de US$ 900 mil (aproximadamente R$ 3,5 milhões) por episódio. Na 8ª, o salário dele ultrapassa a marca de US$ 1 milhão (mais de R$ 4 milhões) por episódio, além de ter direito a participação nos lucros da série. Coster-Waldau também recebe bônus por premiações e é remunerado por propagandas. A disputa com a ex-empresária se refere à dúvida se ela teria direito aos valores previamente acordados mesmo com o fim do contrato.

A questão é mais grave que um debate salarial, porque pode envolver uma fraude imigratória. De acordo com o ator, ele e a empresária fizeram um acordo verbal estabelecendo que ela não receberia comissões depois de encerrada a parceria. No entanto, Littman apresentou um contrato por escrito que diz o contrário.

O documento é da época em que a agência dela cuidou da emissão do visto norte-americano de Coster-Waldau. Um dos requisitos exigidos pelo governo dos Estados Unidos é um contrato por escrito entre a empresa e o ator. O problema é que ele insiste que o acordo é uma “farsa”, visando facilitar os trâmites migratórios. A testemunha em favor do ator era seu agente na agência de talentos William Morris Endeavor, Brandon Liebman.

De acordo com Liebman, o contrato foi feito apenas para ser usado no pedido de visto e não era considerado “real” pelos envolvidos. O advogado do ator, Michael Plonsker, também confirma que seu cliente foi avisado que o acordo serviria apenas para os trâmites de emissão do visto. Com base nessa argumentação, o advogado de Littman, Howard King, acusa os envolvidos de terem submetido documentos falsos para pleitear o visto, o que caracterizaria fraude.

Ao testemunhar, Liebman evitou usar o termo “farsa” para se referir ao contrato, mas explicou que esse tipo de documento é criado apenas para atores que precisam de visto para trabalhar nos Estados Unidos. Ele também disse que é antiético receber comissões depois de encerrado o contrato.

Apesar das alegações da defesa, o mediador Henry Silberberg decidiu que o contrato tinha todos os indícios de ser real. Mais ainda, rejeitou o argumento de Coster-Waldau, sustentando que o ator teve “bastante tempo, sem nenhum tipo de pressão, para ler e revisar o contrato proposto, bem como levantar questões ou comentar seu conteúdo, mas não leu o contrato nem levantou nenhuma questão ou questionamento sobre o documento”.

A sentença final saiu no dia 4 de setembro, mas o advogado do ator irá recorrer no Tribunal Superior de Los Angeles.

Este texto foi escrito por Camila Pessoa via nexperts.