O texto a seguir faz parte da edição #24 da newsletter “Intervalo”, que traz semanalmente conteúdos exclusivos com debate de assuntos do mundo das séries, recomendações de programas, citações da semana e o fluxo de catálogo da Netflix. Clique aqui e assine.

O custo da pirataria para as TVs

A pirataria tem um custo alto para a indústria audiovisual, em especial o cinema e as redes de TV. Os famigerados torrents que pipocam na internet e se propagam pelos computadores de todo o mundo distribuem gratuitamente conteúdos de maneira ilegal, violando direitos patrimoniais e impactando rendimentos.

O compartilhamento de arquivos pela rede certamente afeta o movimento nas salas de cinema e os pagamentos de TVs por assinatura, gerando prejuízo em diversos setores da produção e distribuição de entretenimento – ainda que os valores reais não possam ser calculados.

Outra prática igualmente ilegal é o streaming em sites piratas de filmes e séries – e bastam poucos cliques para encontrá-los e ver a quantidade de títulos disponíveis na web, muitos com legendas sincronizadas em português!


Essa facilidade de chegar aos conteúdos (ainda caracterizada como pirataria) pode ser analisada como um resultado da democratização do acesso à informação e da inclusão digital. Sob essa perspectiva, podemos pensar que hoje conseguimos localizar títulos raros ou sem uma distribuição nacional recorrendo a bibliotecas online – algo que seria inacessível por meios legais.

TV pirata

A pirataria está muito presente na vida dos brasileiros, e não apenas na web, mas também nos gatos de TV a cabo e nas senhas compartilhadas. Neste último ano, as companhas nacionais de TV por assinatura sofreram perdas acentuadas de clientes – provavelmente como reflexo da profunda crise econômica no país – e estão, cada vez mais, apostando em sua oferta de títulos por streaming.

Neste momento em que toda a indústria de entretenimento se adapta aos novos tempos, essas plataformas se tornaram as maiores aliadas no combate à pirataria. Netflix, Amazon Prime Video, as americanas Hulu, CBS All Access, bem como as futuras DC Universe, Disney Play, entre outras, se apresentam como alternativas às bibliotecas online e oferecem um serviço e uma comodidade por um preço “acessível” (com aspas porque são múltiplas variáveis aqui).

Se antes parecia razoavelmente fácil buscar um filme ou uma série na internet, os catálogos organizados e rapidamente acionáveis dos streamings são infinitamente mais práticos. E é possível notar que os espectadores estão aderindo a eles – talvez até mesmo com mais de 1 assinatura – e deixando um pouco de lado os torrents e gatoNET (e até a própria NET).

Combate à pirataria na realidade brasileira

A solução para acabar a pirataria parece estar mesmo na melhoria dos mecanismos de distribuição, com uma oferta mais rápida de episódios e temporadas (uma agonia eterna para os verdadeiros fãs, não é mesmo?).

A realidade no Brasil hoje obriga o público de Grey’s Anatomy a esperar por semanas e até meses para assistir aos novos capítulos (na TV por assinatura!), e leva quase 1 ano para uma temporada entrar na Netflix. Onde você acha que os fãs estão encontrando os episódios logo após a transmissão nos Estados Unidos?

Para fechar o cerco contra a propagação ilegal de filmes e séries, os canais e as operadoras de TV no Brasil devem continuar aprimorando seus serviços, estendendo-se ao streaming e à formação de catálogo (como a plataforma NOW) e disponibilizando com mais agilidade e praticidade os títulos que os espectadores procuram (ou procurariam na web).

Gostou do artigo? Acesse aqui a página de nossa newsletter e assine para receber as próximas edições da "Intervalo", com esse e outros conteúdos semanalmente.