A atriz e roteirista britânica Michaela Coel, conhecida por sua atuação em dois episódios de Black Mirror e por estrelar a série Chewing Gum, contou em um evento em Londres na quarta-feira (29) que foi violentada sexualmente e sofreu assédios durante o período em que trabalhava na série da Netflix.

Durante a James MacTaggart Memorial Lecture, do The Edinburgh International Television Festival, ela fez um relato que surpreendeu o público. Uma noite, enquanto escrevia a série no escritório da produtora, decidiu fazer uma pausa e sair para encontrar um amigo.

Michaela não lembra muito o que aconteceu depois, mas se recorda de ter voltado à realidade somente no dia seguinte, quando estava trabalhando — mas não sabia como havia chegado até ali.

Somente mais tarde ela se lembrou de ter sido atacada por homens que não conhece. A forma como seus produtores da época lidaram com a situação toda, segundo a atriz, não ajudou muito. "[eles] oscilaram entre a linha de saber o que é a empatia humana normal ou não saber o que é empatia de uma maneira geral".

Isso porque, embora a empresa tenha enviado a atriz para uma clínica privada para um período de terapia, os produtores "esqueceram" de mencionar para o chefe de comédia do canal o que havia acontecido com ela. Michaela percebeu isso quando foi pedir uma extensão de prazo para escrever a 2ª temporada da série.

Dois anos depois, Michaela agora trabalha em uma nova série que tem justamente o assédio sexual e o abuso silencioso como tema: Jan 22nd, um drama da BBC que explora a questão do consentimento. A produção, descrita como "destemida, franca e provocadora, analisa a distinção entre libertação e exploração".

“Como qualquer outra experiência que eu achei traumática, tem sido terapêutico escrever sobre isso, e ativamente transformar uma narrativa de dor em uma de esperança, e até humor, e ser capaz de compartilhar com você, como parte de um drama fictício na televisão, porque acho que a transparência ajuda.”

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.