Passar pela adolescência sem ter tido ao menos uma quedinha por alguém é coisa para os fortes. Lara Jean (Lana Condor, a Jubileu de X-Men: Apocalipse), a protagonista de Para Todos os Garotos que Já Amei, é uma tímida estudante de ensino médio que conta nos dedos de uma mão o número de crushes que teve nos anos anteriores; porém, no embaraço de desenvolver a paquera, a jovem irmã do meio sempre se dedicou a escrever cartas para os garotos em tempo de esclarecer seus sentimentos, ainda que nunca tenha enviado tais correspondências secretas. Quando a sua irmã mais velha e conselheira, Margot (Janel Parrish), viaja para cursar faculdade, chega o momento de Lara preencher esse vazio no coração, o que rendeu uma divertida sessão para o público que não perde um bom e velho teen movie.

Para Todos os Garotos que Já Amei: um teen movie dos bons (crítica)

Inspirado no romance homônimo da best-seller Jenny Han e pegando carona nos sucessos adolescentes da Netflix, como A Barraca do Beijo e até mesmo Alex Strangelove, Para Todos os Garotos que Já Amei segue à risca a fórmula habitual de seu subgênero (o que envolve umas e outras referências à filmografia de John Hughes) para contar o caso da jovem Lara Jean — que, por acaso, se assemelha parcialmente com outro destaque do ano, Com Amor, Simon.

No entanto, as cartas que Lara escreveu no passado e (até então) mantinha bem escondidas caem precisamente nas mãos de seus respectivos destinatários, desde Josh (Israel Broussard), seu vizinho, melhor amigo e recém-ex-namorado de Margot, e o atlético Peter (Noah Centineo), com quem ela teve que cumprir as obrigações do jogo "Verdade ou Desafio" lá na 6ª série e que agora se encontra livre da ex-namorada — que, por sinal, é nada menos do que uma ex-amiga da nossa protagonista.

Acatando um contrato proposto por Peter para fingirem um namoro só para impressionarem seus devidos alvos, sem querer Lara encontra aí uma oportunidade de se livrar de sua introversão enquanto vai descobrindo que amor de verdade não se constrói a partir do que está prescrito no papel e na atração física.

Para Todos os Garotos que Já Amei: um teen movie dos bons (crítica)

É interessante notar como a diretora Susan Johnson e a roteirista Sofia Alvarez transformam o texto original de Jenny Han em uma história bastante agradável de acompanhar, mesmo que faça isso nos mesmos trilhos de outras produções recentes e similares — algo que pode decepcionar a parcela do público ansiosa em ver alguma mudança nos padrões estilísticos e até mesmo com um peso maior nos dramas que tanto parecem mover as personagens.

A fotografia bem iluminada faz dos cômodos da casa da família Covey espaços sempre aconchegantes (mesmo que façamos vista grossa para a bagunça no quarto de Lara Jean), enquanto locações no colégio já não compartilham do mesmo sentimento. Uma trilha sonora jovial embala a narrativa e se torna mais romântica ao passo em que a relação de Lara e Peter cresce, mas a impressão que fica é de que os dois não aparentam estar na mesma sintonia. Um problema de roteiro ou são muitos crushes para uma garota?

Para Todos os Garotos que Já Amei: um teen movie dos bons (crítica)

Se Anna Cathcart se destaca como Kitty, a irmã mais nova e destemida em lançar algum gracejo, e Madeleine Arthur também é digna de nota por fazer o papel da melhor amiga que não respeita os laços familiares em prol da amizade com Lara, o longa acerta em contar com a experiência de Israel Broussard no ramo enquanto John Corbett (Casamento Grego) injeta o carisma necessário na interpretação de um pai companheiro e incapaz de se opor ao melhor para suas três filhas.

Para Todos os Garotos que Já Amei: um teen movie dos bons (crítica)

Honesto e divertido sem precisar ser mirabolante, Para Todos os Garotos que Já Amei é um programa certeiro para o público jovem em diante, sem distinções entre "gatinhas e gatões". Com isso, a Netflix acerta outra vez ao ter mais e boas opções para essa faixa etária, que está mais do que conectada a seu conteúdo original.

Este texto foi escrito por Thiago Cardoso via nexperts.