Depois de desbancar a HBO em número de indicações no Emmy Awards 2018, a Netflix – a maior plataforma de streaming do mundo – está de olho no Oscar!

Como forma de cumprir o regulamento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para a elegibilidade ao prêmio máximo da indústria, a Netflix planeja o lançamento de seus melhores filmes originais inéditos nos cinemas.

Para competir à estatueta dourada, as produções precisam ser exibidas nas salas americanas (mesmo que em circuito limitado) no ano anterior à premiação.

Em 2015, a Netflix fez seu primeiro teste para o Oscar com a exibição de Beasts of No Nation por duas semanas em cerca de 30 cinemas nos Estados Unidos. O resultado: meros US$ 90 mil em arrecadação e zero indicações pela Academia.

No ano passado, o streaming conquistou 4 nomeações para Mudbound, produção adquirida no Festival de Sundance, mas não conquistou a cobiçada estatueta de Hollywood.

Agora, com a estrategista de prêmios Lisa Taback na equipe, a Netflix estuda como irá qualificar seus lançamentos “de qualidade” para o Oscar 2019.

De acordo com uma reportagem do The Hollywood Reporter, há duas produções em foco pela Netflix para o próximo prêmio da Academia: Roma, de Alfonso Cuarón; e 22 July, de Paul Greengrass.

Segundo a matéria, a companhia planeja exibir os dois filmes nas salas de cinema ainda neste semestre – e espera fazer isso em grande circuito! A questão que permanece problemática é a intenção da Netflix de manter o lançamento simultâneo nos cinemas e no streaming.

O concorrente Amazon Prime Video, que emplacou Manchester à Beira-Mar no Oscar do ano passado (vencendo, inclusive, na categoria melhor ator para Casey Affleck), tem uma política diferente para esses lançamentos, respeitando a janela de exibição tradicional antes do lançamento na plataforma digital.

A Netflix, porém, parece decidida a manter a simultaneidade de estreias no streaming e nos cinemas – apesar da pressão dos próprios cineastas.

Nos bastidores, fica a discussão sobre “o preço que se paga” por fazer negócio com a Netflix: ao optar por trabalhar com a gigante do streaming, diretores prestigiados como Cuarón e Greengrass (e Scorsese também desenvolve um projeto na companhia) correm o risco de perder a “visibilidade” dos cinemas.

Outra questão importante é como os realizadores passam a ficar reféns da estratégia de lançamento da Netflix. Se a produção não tiver uma passagem pelos cinemas, ela não poderá se candidatar aos prêmios cinematográficos e, obrigatoriamente, será caracterizada como um “filme para TV ou streaming” (concorrendo ao Emmy e premiações de sindicatos, mas não ao Oscar).

Nas próximas semanas, a Netflix deve anunciar como irá promover as obras com intenção de Oscar. Será que a companhia vai ceder dos lançamentos simultâneos e dar uma maior chance aos títulos “de Oscar” nos cinemas? Ou será que vai conseguir emplacar as produções na premiação seguindo suas próprias regras?