Succession é a nova aposta da HBO, lançada no dia 9 de junho. Criada por Jesse Armstrong (Peep Show), a trama acompanha a família bilionária Roy, que comanda a mídia nos EUA. O enredo não é surpreendente: o patriarca está doente, e os filhos disputam seu império. Apesar disso, as críticas são bem positivas.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Armstrong conta que a série partiu do seu interesse em grandes conglomerados da mídia e nas famílias que os controlam — na vida real, os Murdochs e Redstones, por exemplo. O criador começou a estudar essas famílias lideradas por magnatas poderosos após assistir The Jinx, um documentário sobre Robert Durst, um bilionário que descobriram ser serial killer. Então, ele começou a pesquisar sobre o poder que esses clãs exercem na sociedade, através da mídia. Se você já assistiu, sabe como os Roy compram silêncio dos empregados e dos jornais, além de "vazarem" informações que eles acham conveniente.

Como a trama é bastante pesada — bilionários egoístas que manipulam informações —, os roteiristas resolveram dar uma suavizada tornando a série um bocado cômica. Na verdade, ninguém sabe se é comédia ou drama, e o criador se recusa a explicar. Em entrevista, ele brincou: "Não, eu não vou revelar isso. [Risos] De jeito nenhum. Fico feliz que seja um assunto de debate. Se a série tivesse uma voz, ela iria se recusar a dizer. Nós temos consciência disso. Na sala dos roteiristas, passamos uma boa parte do tempo discutindo sobre o que é engraçado. As séries de que eu mais gosto — como Os Sopranos e Breaking Bad — também poderiam ser descritas como comédias em alguns aspectos. E nem todas as tramas que saem de um ponto cômico necessariamente se expressam em cenas que vão te fazer rir. Mas geralmente há uma energia — um 'empurrão' — na abordagem que soa cômica".

Succession foi renovada para uma 2ª temporada, e Jesse Armstrong e os outros roteiristas já estão trabalhando nela. "É uma série que tem um tom inusitado, e eu fico muito feliz por isso, mas às vezes tem um ar de 'Espera. Eu devia estar rindo?", ele explica. Ao ser indagado se eles se baseiam em experiências reais, e como isso acontecia, já que pode acarretar em problemas legais para a produção, Armstrong esclareceu: "Eu não acho que tenhamos feito algo tão próximo da vida real a ponto de nos preocupar com isso. Ao menos, os advogados da HBO nunca falaram nada. Nós lemos muitas coisas, e às vezes podemos pegar o centro de uma transação [real], mas geralmente fica irreconhecível".

Criador explica final obscuro da 1ª temporada

O 10º episódio, "Nobody Is Ever Missing", termina de um jeito bastante estranho. A princípio, parecia que a família se reconciliaria — mas então, não seria Succession. Kendall (Jeremy Strong) está bastante estressado por tentar conseguir a companhia e acaba tendo uma recaída: junto com um garçom recém-demitido do casamento da irmã, eles partem em busca de cocaína. Contudo, eles acabam tendo um acidente e caem em um lago — e o garçom se afoga. Kendall se limpa e volta ao casamento como se nada tivesse acontecido, até que Logan (Brian Cox) descobre tudo e dá um ultimato: se o filho desistir de controlar a empresa, ele irá abafar todo o ocorrido. Desesparado, Kendall chora como um bebê nos braços de seu pai, que murmura: "Você é meu menino, meu menino favorito".

Logo quando Kendall parecia estar ficando mais autoconsciente, uma recaída — quase grotesca — que serve para mostrar o privilégio dos poderosos. Sobre o fim da temporada, Jesse Armstrong explicou: "Acho que nós tivemos uma sequência de eventos particularmente dramáticos antes disso. Acho que escolhi levar isso para a sala [dos roteiristas] meio como 'bom, você acha que conseguimos acomodar um evento como esse na série, considerando o tom cômico e a atitude despreocupada que damos aos nossos personagens? As pessoas vão se preocupar com isso acontecendo?' E simplesmente pareceu encaixar de uma forma meio musical, sinfônica, meio 'é-assim-que-vamos-levando. Eu não sei como a audiência vai responder a isso, mas quando eu assisti durante a edição, pareceu certo. É difícil descrever em palavras, mas parece um jeito natural de as coisas se encaminharem. Acho que havia dois impulsos. Um é seguir a linha 'ah, é fascinante quando o poder encobre as coisas'. O outro é 'é fascinante que o poder não consiga encobrir tudo, e as pessoas veem o que eles fazem.' Eu espero que não seja idiota dizer que ainda não temos certeza do que fazer com isso. Mas, enquanto pensamos, acho que temos ótimas direções para seguir".

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.