As séries vêm tomando um espaço cada vez maior nos corações do público. É claro que o cinema continua firme e forte, mas as plataformas de streaming com certeza nos ajudam a assistir a várias produções, e é isso que fazemos.

Então, assim como vários filmes têm franquias secundárias (pense em X-Men e Wolverine, por exemplo), diversas séries começaram a se expandir também, com spin-offs. Mas nem sempre dá certo: logo após o fim de Friends, tentaram emplacar um chamado Joey, que acompanhava as aventuras de Joey Tribbiani tentando se estabelecer em Los Angeles como ator. Após duas temporadas, a produção foi cancelada em virtude da baixa audiência.

Por outro lado, muitos spin-offs funcionam e conseguem ter até mais sucesso do que a série original. Confira abaixo nossa lista de bons títulos derivados.

1. Better Call Saul

A proposta da série não era fácil: Breaking Bad ganhou vários Emmys, e nitidamente a produção não queria deixar esse universo de lado. Então, se aproveitaram de um personagem já existente: o advogado Saul Goodman (Bob Odenkirk). Better Call Saul se passa 6 anos antes do diagnóstico de câncer de Walter White (Bryan Cranston) e antes mesmo de Jimmy McGill se tornar Saul Goodman.

Mesclando dramas da advocacia e do mundo do crime, a série conseguiu convencer. Mas o ponto principal é como é mostrada a transformação do próprio Jimmy, incluindo as circunstâncias trágicas que o transformaram em Saul Goodman. Se você não viu, a hora é agora: com certeza vale a pena.

2. Angel

Se você é bastante jovem, talvez não entenda o apelo, mas Buffy, a Caça-Vampiros era uma das melhores séries da virada do milênio (foi ao ar entre 1997 e 2003). Criada por Joss Whedon (Os Vingadores), a trama acompanhava Buffy (Sarah Michelle Gellar), uma adolescente que tinha a responsabilidade de caçar vampiros.

Então, em 1999, surgiu o spin-off Angel, focado em um vampiro com alma (David Boreanaz) tentando combater as forças do mal. A série tinha um ar mais "adulto" e sombrio, mas reunia tudo de que os fãs gostavam em Buffy: bestas do apocalipse, humor inteligente, investigações e Cordelia Chase (Charisma Carpenter). Com exceção da horripilante (no mau sentido) 4ª temporada, a produção se manteve estavelmente boa. E, claro, não dá para deixar de mencionar a excelente 5ª temporada, que trouxe Spike (James Marsters) e um dos melhores encerramentos de série de todos os tempos.

3. Daria

Conhecemos Daria Morgendorffer em Beavis & Butt-Head, uma animação exibida pela MTV no fim dos anos 90, criada por Mike Judge. Apática, cínica e bastante inteligente, a adolescente ganhou seu próprio spin-off. Assinada por Glenn Eichler e Susie Lewis, Daria teve cinco temporadas, exibidas entre 1999 e 2002. Seu jeito irônico conquistou a audiência, e muitos adolescentes conseguiam se identificar mais com ela do que com adolescentes em séries live-action.

Além dela, personagens fixos incluíam seus pais, sua melhor amiga, Jane, e Quinn, sua irmã narcisista. Daria foi uma sátira tão boa e de tanto sucesso que muita gente assiste mesmo que ela esteja fora do ar (está disponível no Hulu), e existem rumores de um reboot sendo produzido pela MTV.

4. Degrassi: The Next Generation

Ok, não é exatamente um spin-off, já que toda a franquia sendo seguida de outros spin-offs — algo semelhante à Malhação. Degrassi: The Next Generation continua no universo das duas principais, Degrassi Junior High e Degrassi High, e aparece nesta lista por dois motivos: o primeiro é o fato de ser muito boa; o segundo é por ter introduzido Drake em nossas vidas (na época, Wheelchair Jimmy).

A série trazia adolescentes passando por vários problemas e lidando com eles, como homofobia, bullying, autoestima, abuso sexual, suicídio, violência doméstica e aborto. Abordar esses temas é ótimo, não só por ensinar e ajudar adolescentes, mas também porque garante que a produção possa ser recriada a todo instante.

5. The Good Fight

The Good Fight, não surpreendentemente, tem seguido o caminho de sucesso da série original, The Good Wife. Exibida entre 2009 e 2016, a série teve sete temporadas protagonizadas por Julianna Margulies e coleciona vários prêmios. Na trama, Alicia (Margulies) precisa voltar a trabalhar como advogada após um escândalo de seu marido envolvendo com corrupção e prostituição.

Em The Good Fight, quem assume o papel principal é Christine Baranski, que interpreta Diane Lockhart, a sócia sênior do escritório que contrata Alicia. Situado 1 ano depois do fim da série original, o spin-off traz uma Diane forçada a sair da própria companhia junto de sua afilhada Maia (Rose Leslie), cuja carreira foi destruída por um escândalo financeiro. A série tem feito sucesso ao abordar vários temas contemporâneos, como assédio sexual, o movimento Me Too e fake news, tudo isso muito conectado com a era Trump.

6. Law & Order: Special Victims Unit

No plano original, a série não era parte da franquia Law & Order — e se chamava Sex Crimes. Mas o criador Dick Wolf insistiu que fosse um spin-off, e é por causa dele que temos o Capitão Cragen (Dann Florek). Protagonizada pela incrível detetive Olivia Benson (Mariska Hargitay), a produção tem fôlego e estrutura suficientes para ter chegado à sua 19ª temporada!

Para constar, isso faz de SVU a série dramática de maior duração nos EUA. E olha que nem sempre foi fácil: um baque, por exemplo, foi a saída do sensível detetive Elliot Stabler (Chistopher Meloni), parceiro original de Olivia. Mas, ao longo dos anos, o seriado se mostrou extremamente consistente sem ser enjoativo e pode continuar por mais tempo.

7. NCIS

Muita gente não se lembra, mas NCIS (sigla para Naval Criminal Investigative Service) é um spin-off de JAG (Judge Advocate General), que foi ao ar entre 1995 e 2005. Eis que NCIS conseguiu bem mais sucesso do que sua série original e está chegando à 16ª temporada. Protagonizada por Mark Harmon, ela acompanha um crime por episódio, assim como a maior parte das produções do gênero. Afinal, não se mexe em time que está ganhando: NCIS é um dos programas mais assistidos no mundo todo. Ela até ganhou seus próprios spin-offs NCIS: Los Angeles e NCIS: New Orleans. Nada mal, hein?

8. Os Simpsons

Essa a gente duvida que alguém saiba: Os Simpsons surgiu como um spin-off de The Tracey Ullman Show, que foi ao ar entre 1987 e 1990. O programa de variedades mesclava esquetes cômicas, números musicais e coreografias, e, entre esses quadros, apresentava alguns curtas de animação. Foi assim que Os Simpsons surgiu, com curtas de cerca de 2 minutos. Somados, são 48 miniepisódios, divididos em 3 temporadas, que você pode encontrar legendados em português.

Então, o aprendiz superou o mestre: Os Simpsons chegou a 29 temporadas, se tornando não só a mais longa sitcom estadunidense, mas também a mais longa série em geral. E dispensa apresentações, né? Tornou-se parte da cultura popular, tendo uma influência absurda por todo o Ocidente.

9. Torchwood

Doctor Who tem vários spin-offs, o que é esperado se considerarmos que a série de ficção científica tem mais de 50 anos. A BBC chegou a lançar oito spin-offs para a TV, além de livros e quadrinhos. De todos eles, o que mais se destaca é Torchwood, que foi ao ar entre 2006 e 2011. A série trazia um ar mais adulto ao universo de Doctor Who, acompanhando um dos personagens favoritos dos fãs, o Capitão Jack Harkness. Interpretado por John Barrowman, ele é um artista bissexual que viaja no tempo e enfrenta, com sua equipe, ameaças alienígenas.

10. The Originals

Como o nome sugere, The Originals acompanha os vampiros originais da cidade de Nova Orleans, no mesmo universo de The Vampire Diaries. A série foca nos vampiros (alguns híbridos com lobisomem) da família Mikaelson enquanto eles tentam se restabelecer na cidade que ajudaram a fundar — e da qual foram exilados. Com produção assinada por Julia Plec, o seriado é um sucesso: foram cinco temporadas. Mas mais do que isso, ela tem a certeza de que deu certo quando lançou seu próprio spin-off, Legacies. Com estreia prevista para 2019, a trama vai acompanhar uma adolescente Mikaelson em seu ensino médio.

11. Xena: A Princesa Guerreira

Exibida entre 1995 e 2001, a série já seria ótima se continuasse no estilo de Hercules, a original. A princesa (Lucy Lawless) aparecia em três episódios de Hercules e foi tão adorada pelo público que ganhou sua própria produção. Mas ela acabou se tornando melhor ainda, porque além de se relacionar de um jeito incrível com a mitologia, trazia uma personagem feminina forte e corajosa.

Na trama, ela se arrependia de sua violência anterior e passava as temporadas tentando ajudar as pessoas e se tornar uma guerreira melhor. E claro, ainda chama a atenção sua relação com Gabrielle (Renée O'Connor), que muitos fãs juram que era um relacionamento amoroso. Um reboot da série, na qual Xena seria abertamente lésbica, chegou a ser cogitado, mas foi descartado antes mesmo de sua produção começar.

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.