Ainda faltam quase 2 meses para a estreia da 15ª temporada de Grey's Anatomy, e a série já tem também mais uma temporada confirmada para o ano seguinte. Não se chega à marca de 16 anos no ar sem fazer um grande sucesso; e se há algo que se possa apontar na série, é que Shonda Rhimes é incrivelmente bem-sucedida em sua criação.

Mas você já parou para pensar que tudo o que acontece no seriado e prende nossa atenção com tanta facilidade por tanto tempo depende das decisões dessa pessoa? O que será que a faz decidir os caminhos que escolhe?

A própria showrunner já confessou que vários aspectos eram diferentes em sua mente e mudaram ao longo da jornada. Por exemplo, você sabia que, originalmente, Grey's Anatomy iria se chamar Surgeons? Pois é, talvez não tivesse se destacado de outras séries médicas se fosse assim.

Confira em seguida outros fatos curiosos sobre os bastidores da produção:

1. De uma ideia a outra

Quando você trabalha no showbiz, ter um projeto rejeitado – especialmente no início da carreira – é algo muito mais comum do que qualquer pessoa que lida com criatividade gostaria. E aconteceu até mesmo com a rainha Shonda Rhimes.

Uma das recusas pelas quais ela passou envolvia correspondentes de guerra lutando para seguir em frente em uma Washington que seria um verdadeiro campo de batalha.

Nessa série, cuja ideia não agradou as emissoras, os personagens eram pessoas que se destacavam dos populares, tanto em talento quanto em personalidade. Essas características permaneceram em Grey's Anatomy, com a diferença de que agora elas integram as personas dos médicos.

2. Por que Seattle?

Uma certeza que Shonda sempre teve sobre Grey's Anatomy é de que ela se passaria em uma grande metrópole. Afinal, é ali que estão os mais brilhantes médicos e as mais modernas estruturas. Embora sua opção inicial fosse por Chicago, a criadora não queria ter a mesma locação de Plantão Médico, um grande hit dos anos 90 e que, além de tudo, era também sobre saúde.

3. Universo particular

Você acha a mente de Shonda Rhimes inventiva? Deixe ver... Acidentes de carro, empalamentos, pessoas presas em cimento, bomba, tiroteio, cirurgias de todo tipo, personagens vivendo tantas tragédias e amores quanto se pode viver. Sim, há espaço para tudo dentro dessa cabecinha. Mas algo que ela já comentou em algumas entrevistas é que não há limites para quão detalhada é sua mente.

Quando pensa em um personagem, ela constrói todo um universo em torno dele, e isso inclui seu passado e seu presente, mas também aspectos de seu contexto de vida que nem sempre conseguem chegar ao produto final.

Por exemplo, quando pensava em Burke, ela lembrava que a mãe dele tem um restaurante em Alabama. É um detalhe tão pequeno que ela não fez questão de colocar na série em si, mas mantém sempre na mente para caso precise abrir essa porta.

4. Com armário, com tudo

Quando a gente fala em detalhes, está se referindo aos mais aprofundados mesmo. Quando fez sua primeira descrição de personagens, Rhimes incluiu, por exemplo, o que estaria guardado nos armários de cada um dos protagonistas no hospital.

"Pilhas de antigos cartões de aniversário que ela estava pensando em enviar, mas nunca postou, e três despertadores, porque ela tinha pânico de dormir demais nos intervalos" – é o que teria no de Meredith (Ellen Pompeo), no caso de você estar se perguntando.

George O'Malley (T. R. Knight) guardaria revistas de medicina e muitos livros antigos, enquanto Cristina Yang (Sandra Oh) teria "os mais recentes artigos científicos, sapatos de salto alto para sair depois do plantão e preservativos – porque nunca se sabe, não é?".

5. Sex and the... hospital

Um tantinho da inspiração para a personalidade de Meredith Grey vem de ninguém menos que Carrie, de Sex and the City. Uma versão um pouco mais contida e menos divertida, mas ainda assim com o espírito aventureiro e apaixonado da outra.

6. Grey sem Karev?

Você sabia que Alex Karev ainda não existia quando a série começou a ser gravada? Foi somente depois de filmar o piloto que a Shonda decidiu inserir o personagem de Justin Chambers – que, inclusive, inicialmente fez o teste para ser George O’Malley, o que não teria nada a ver, claramente. Ainda bem que ela mudou de ideia, não é?

7. Sem vagas para fumantes

Em seus primeiros rascunhos, Shonda havia construído personagens fumantes, e basicamente todo o elenco principal da série teria esse hábito. Inclusive, boa parte daquelas conversas que nossos protagonistas favoritos têm nos corredores aconteceriam entre um cigarro e outro. No fim das contas, ela decidiu não incentivar esse vício.

8. Tequila

Em vez dos cigarros, a criadora escolheu dar a seus personagens outro tipo de consumo: o de tequila. Shonda estava cansada dessa história de drinks femininos e ouvir que mulheres só ingerem coisas leves e docinhas, então decidiu que Cristina e Meredith seriam fortes também para bebida.

9. Cristina romantiquinha

Aliás, essa diferença de personalidade também esteve presente na hora de construir o perfil romântico de Yang. Nos planos iniciais da showrunner, quem se apaixonaria por Denny (Jeffrey Dean Morgan) a ponto de quebrar meia dúzia de regras do hospital seria ela, e não Izzie, mas logo na primeira temporada a criadora já percebeu que tal atitude teria muito mais a ver com a personagem de Katherine Heigl do que com a de Sandra Oh.

10. Burke e o altar

Por falar na vida amorosa da Cristina, um episódio bem triste, embora cheio de fundamento, é o quase casamento dela com Burke. O que muita gente não sabe, no entanto, é que, nos planos originais de Shonda Rhimes, o cirurgião cardíaco já entraria na série sendo casado e pai. O romance com a residente chegaria para justamente retirar o homem da prisão em que ele se sentia com essa vida.

11. Pai de adolescente

Outro protagonista que viria de uma família já construída seria Derek Shepherd (Patrick Dempsey). Além de ser divorciado, ele chegaria à série trazendo na bagagem uma filha adolescente. Ela não contou se essa personagem seria filha de Addison Montgomery (Kate Walsh) ou não, mas quem sabe, não é? Sendo o McDreamy um carinha mulherengo, não seria de se duvidar que a mãe fosse outra.

12. Chefe Webber malvadeza

Enquanto em alguns ela mudou a história, em outros o que foi sendo atualizado conforme a série se passava foi a personalidade. Por exemplo, tudo o que vemos em Bailey – o fato de ela ser tantas vezes quase intratável – são alguns traços que estariam mais presentes no Chefe Webber, mas Shonda preferiu fazê-lo mais paternal e amigável em vez de apenas durão.

13. Deborah Bailey

Por falar em Bailey, essa é outra transformação que fez todo o sentido e deu muito, mas muito certo. É inegável o quanto essa personagem conquistou o público e é até hoje uma das mais amadas. Essa combinação de extrema competência com falta de paciência com quem está começando é parte da receita de seu sucesso – a outra é, sem dúvida, a atriz Chandra Wilson.

E se Miranda se chamasse Deborah? Pois, inicialmente, o nome da personagem era esse e seria uma médica loira, bonita e de cabelos cacheados. Apesar de não se encaixar na descrição física, quem fez o primeiro teste para o papel foi ninguém menos que Sandra Oh, mas ela o recusou depois de conhecer Cristina.

14. De Helen a Ellis

O nome Ellis Grey também era para ser outro! Nos escritos iniciais de Shonda, ela seria Helen, mas a criadora decidiu mudar para algo mais original. Outro aspecto diferente a respeito dela é que a ideia de Shonda era manter a mãe da Meredith na tela por mais tempo.

Sabe aquela ideia de que as narrações iniciais de Grey’s são, na verdade, Meredith contando sobre sua vida para a mãe com Alzheimer – que inclusive, dá base para outra teoria a respeito da produção? Então, a princípio, ela estaria presente por muito mais tempo, mas Shonda decidiu retirar a personagem já no final da terceira temporada.

15. As regras de Shonda

Pense por 1 minuto: o que faz de Grey's Anatomy uma série tão envolvente? Algo na escrita da sua criadora consegue realmente prender o espectador, e ela atribui isso a algumas regrinhas que criou para tudo o que desenvolve. A primeira delas é evitar clichês. "Pegue metade dos personagens que você havia escrito como homens e os transforme em mulheres. Escolha um personagem que você ia escalar de uma cor e selecione outro diferente", diz.

Segundo ela, é importante ressignificar e transformar a TV. "O que as pessoas veem na TV muda o que as pessoas pensam sobre elas mesmas." Essas regras transformaram para sempre a forma como Shonda passou a enxergar seus personagens e fazer seu cast, principalmente depois de Bailey. Ela nunca mais descreveu personagens por seus traços físicos e começou a inserir mais aspectos psicológicos e de personalidade. Em vez de "uma loira bonita com cabelos cacheados", agora ela determina pontos como a aura da pessoa ou o efeito que ela causa nos outros.

Na hora de escolher quem ia interpretar Denny, por exemplo, a descrição do personagem era: "ele tem uma qualidade que faz com que você queira lambê-lo" e, assim, contratou Jeffrey Dean Morgan. Se isso não é um casting bem-sucedido, bem, encerram-se por aqui as argumentações.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.