Se o cinema em si já é algo bastante fascinante, conhecer então os bastidores da chamada "indústria dos sonhos" é algo tão prazeroso quanto perder a conta de quantas vezes já assistimos àquele filme favorito.

Em sua infinidade de histórias já contadas em mais de 120 anos, há um bom tempo o cinema passou a dramatizar seu próprio meio e rendeu obras que, de tão caprichadas, se tornaram fórmulas de prêmios na alta temporada — embora a crítica sempre faça questão de alçar títulos desconhecidos que possuem uma narrativa impecável e não deixam de ser obras de arte que merecem ser visitadas de quando em quando.

Confira abaixo uma seleção (em ordem cronológica de lançamento) dos 20 melhores filmes ficcionais sobre os bastidores do cinema, de acordo com os índices de aprovação do Rotten Tomatoes:

1. Crepúsculo dos Deuses (1950)

Se a inclusão do som no cinema trouxe novas possibilidades narrativas (ainda que com muitas ressalvas, como alguns filmes desta lista exemplificam claramente), essa nova era aposentou vários astros da velha Hollywood que encantavam audiências sem precisar falar nada em cena.

Vencedor de 3 Oscars, Crepúsculo dos Deuses ganhou um entusiasmado consenso dos críticos no portal: "Talvez o melhor filme sobre Hollywood, a obra-prima de Billy Wilder, Sunset Boulevard [título original], é uma tremenda combinação divertida de film noir, humor negro e estudo de personagens".

  • Aprovação dos críticos: 98% (9,3/10)
  • Aprovação do público: 95% (4,3/5)

2. Cantando na Chuva (1952)

Você conhece a letra, a melodia e (muito provavelmente) a coreografia da música-título, mas Cantando na Chuva é muito mais do que um filme repleto de músicas alegres até demais em uma produção caprichadíssima. O segundo longa de Gene Kelly aborda com bom humor e destreza o período de transição do cinema mudo para o sonoro, com uma narrativa que não poderia ser mais agradável.

Com duas meras indicações ao Oscar daquela época, o consenso no Rotten classifica o filme como "inteligente, incisivo e divertido", além de "uma obra-prima do musical clássico de Hollywood".

  • Aprovação dos críticos: 100% (9,2/10)
  • Aprovação do público: 95% (4/5)

3. Nasce Uma Estrela (1953)

O título é familiar, mas não estamos falando do ainda inédito filme estrelado por Lady Gaga e dirigido por Bradley Cooper — apesar de ser o terceiro remake de um longa homônimo de 1937 que lançou a ideia de "metacinema", ao narrar o drama de uma jovem aspirante ao estrelato.

Para o consenso dos críticos no Rotten Tomatoes, seria a segunda versão de A Star Is Born (título original) a melhor feita até agora, estrelando uma já crescida Judy Garland (a Dorothy de O Mágico de Oz) e no largo formato de tela do CinemaScope: "um filme de grande alcance e momentos íntimos, com a melhor performance de Judy Garland", como atesta o veredito no portal.

  • Aprovação dos críticos: 97% (8,1/10)
  • Aprovação do público: 83% (3,7/5)

4. (1963)

Um dos maiores nomes do cinema italiano, Federico Fellini apresentava no início dos anos 60 uma de suas obras mais oníricas, com pares de cenas emblemáticas que inspiram diretores até hoje. O elenco, tão formidável quanto: Marcello Mastroiani, Claudia Cardinale e Anouk Aimée.

O consenso dos críticos? "Inventivo, pensante e divertido, representa o ponto discutível dos muitos feitos de cinema de Federico Fellini."

  • Aprovação dos críticos: 98% (8,5/10)
  • Aprovação do público: 92% (4,3/5)

5. O Desprezo (1964)

É provável que Jean-Luc Godard seja um dos poucos cineastas franceses (com exceção dos seus colegas da Nouvelle Vague) que dificilmente se ativeram aos clichês do cinema em virtude do apelo popular; pelo contrário, ele questionava os princípios fílmicos (e até mesmo sociais) a cada obra lançada pelo resto da década de 60 em diante, enquanto se tornava um realizador para o entendimento de poucos.

Desde sua cena inicial declamando um pensamento do crítico André Bazin ao uso de cores intensas, Le Mépris (título original) se faz uma verdadeira ode ao cinema que instiga pensamentos e desejos, como também detalha o consenso dos críticos: "Esse poderoso trabalho de cinema essencial une o 'meta' com o 'físico', estrelando Brigitte Bardot e a inspiração de Godard, Fritz Lang".

  • Aprovação dos críticos: 98% (8,5/10)
  • Aprovação do público: 92% (4,3/5)

6. A Noite Americana (1973)

Enquanto Hollywood já vendia uma ideia de que fazer cinema é difícil, mas com finais felizes garantidos, os franceses não tiveram receio de serem "pés-no-chão" ao mostrar como os bastidores de um filme podem ser caóticos. Dirigido por François Truffaut, La Nuit Americaine (título original) expõe os esforços de um diretor (interpretado pelo próprio Truffaut) e equipe ao tentarem completar seu filme, passível de todos os imprevistos possíveis na produção.

O consenso: "Um doce contraponto a O Desprezo de Godard, A Noite Americana de Truffaut é um tributo agradável à loucura autoinfligida que é fazer filmes".

  • Aprovação dos críticos: 100% (8,5/10)
  • Aprovação do público: 91% (4,1/5)

7. O Substituto (1980)

Estrelado por Peter O'Toole (de Lawrence da Arábia), The Stunt Man (título original) parece ser um filme contrário à idealização da indústria cinematográfica, munindo-se de um humor perverso ao apresentar os perigos que os dublês correm em cenas arriscadas.

O consenso classifica o longa como "um thriller absurdamente divertido com uma narrativa inteligente e uma performance digna de Oscar (indicação, pelo menos!) de Peter O’Toole".

  • Aprovação dos críticos: 89% (7,8/10)
  • Aprovação do público: 74% (3,7/5)

8. Barton Fink: Delírios de Hollywood (1991)

Um renomado dramaturgo de Nova York (vivido por John Turturro) é atraído para a Califórnia para escrever para cinema e descobre a infernal verdade de Hollywood. É assim que se pode resumir Barton Fink, uma obra dos irmãos Coen — de quem sempre há de se esperar muitas coisas boas sem nexo algum e uma ironia sempre afiada.

O consenso no Rotten é positivo: "Sinistra e inquietante, a história satírica dos irmãos Coen sobre um dramaturgo da década de 1940 lutando contra seu bloqueio criativo está repleta de seu senso de humor e ótimas performances de seu elenco".

  • Aprovação dos críticos: 91% (7,6/10)
  • Aprovação do público: 89% (3,9/5)

9. O Jogador (1992)

Dirigido pelo renomado Robert Altman a partir do romance escrito por Michael Tolkin, The Player (título original) apresenta o ator Tim Robbins em boa safra interpretando um produtor-executivo que passa a receber ameaças de morte de um escritor por ter rejeitado um roteiro dele.

Quer motivos a mais para se empreender nessa comédia? Além de 3 indicações ao Oscar, o filme tem Whoopi Goldberg, Vincent D'Onofrio e o diretor Sidney Pollack no elenco, incluindo um bom consenso da crítica: "Levemente cínico sem sucumbir à amargura, The Player é uma das grandes sátiras de Hollywood de todos os tempos — e um destaque entre o conjunto da obra de Altman".

  • Aprovação dos críticos: 98% (8,8/10)
  • Aprovação do público: 84% (3,7/5)

10. Ed Wood (1994)

Segunda parceria de Tim Burton com Johnny Depp, Ed Wood é uma honrosa cinebiografia a um dos piores diretores de Hollywood (sem contar a homenagem mais fascinante ao Drácula original, Bela Lugosi) e uma aula de 2 horas sobre o que não deve ser feito em uma produção de filme.

Com um elenco de ponta e um retrato apurado dos bastidores dos filmes B da década de 50, o consenso elogia a dupla Burton-Depp pelo longa dono de "resultados tipicamente estranhos e maravilhosos".

  • Aprovação dos críticos: 92% (8/10)
  • Aprovação do público: 88% (3,8/5)

11. O Nome do Jogo (1995)

Do diretor Barry Sonnenfeld (da série Desventuras em Série) e adaptado do livro homônimo de Elmore Leonard, Get Shorty (título original) flerta com a ideia de que o mundo do crime anda de mãos dadas com os bastidores de Hollywood.

A produção tem um elenco (John Travolta, Gene Hackman, Rene Russo, Danny DeVito) considerado perfeito pelo consenso dos críticos, que pontuam sobre o filme oferecer "uma sátira afiada que também funciona como um divertido thriller de comédia".

  • Aprovação dos críticos: 87% (7,8/10)
  • Aprovação do público: 69% (3,2/5)

12. Boogie Nights: Prazer Sem Limites (1997)

O segundo filme de Paul Thomas Anderson é um mergulho à vida noturna desregrada dos anos 70 e à indústria pornográfica daquela época, prenunciando a capacidade do diretor com histórias densas e grandes elencos formados por astros conhecidos: Mark Wahlberg, Julianne Moore, John C. Reilly, Don Cheadle, Burt Reynolds, Heather Graham, William H. Macy e Philip Seymour Hoffman.

O consenso dos críticos sempre foi favorável para as obras do cineasta: "Firmado em personagens fortes, temas arrojados e narrativa sutil, Boogie Nights é um filme inovador para o diretor P.T. Anderson e a estrela Mark Wahlberg".

  • Aprovação dos críticos: 93% (8,1/10)
  • Aprovação do público: 89% (3,6/5)

13. Deuses e Monstros (1998)

Dirigido por Bill Condon, Gods and Monsters (título original) segue o esquema de cinebiografia ao narrar a vida íntima e os últimos dias do diretor de Frankenstein (de 1931).

Segue o consenso: "Deuses e Monstros é uma fascinante peça de semificção, apresentando ótimas performances; Ian McKellen lidera o caminho, mas Lynn Redgrave e Brendan Fraser não ficam muito atrás".

  • Aprovação dos críticos: 95% (8,4/10)
  • Aprovação do público: 83% (3,7/5)

14. Deu A Louca Nos Astros (2000)

Dirigido pelo famoso roteirista David Mamet, State and Main (título original) se resume ao fascínio do estrelato: uma fracassada equipe de produção chega a uma cidade pequena para rodar um filme que já estourou seu orçamento, mas são bem recebidos pelos moradores, que não pensam duas vezes em ter seus supostos minutos de fama e rendem uma série de incidentes hilários no longa.

O veredito da crítica no Rotten alega que a produção "oferece bastante humor e risos em sua sátira da indústria cinematográfica".

  • Aprovação dos críticos: 86% (7,3/10)
  • Aprovação do público: 70% (3,3/5)

15. Cidade dos Sonhos (2001)

O que era para ser uma nova série de David Lynch na virada do milênio acabou se tornando uma das obras mais prestigiadas do cineasta como um filme inventivo que rompia as fórmulas do clássico conto da jovem garota do interior americano que migra para a Califórnia em busca do estrelato.

Os críticos são minuciosos no consenso: "A sonhadora e misteriosa Mulholland Drive [título original], de David Lynch, é um sinuoso filme neo-noir com uma estrutura nada convencional que apresenta uma performance hipnotizante de Naomi Watts como uma mulher nas margens escuras de Hollywood".

  • Aprovação dos críticos: 83% (8/10)
  • Aprovação do público: 87% (3,7/5)

16. Adaptação (2002)

Escrito por Charlie Kaufman (Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças) e dirigido por Spike Jonze (Ela), Adaptation é um filme que se diverte com as crises criativas de seu roteirista (interpretado por ninguém menos que Nicolas Cage) e quando ele decide levar as coisas a sério por demais, a ponto de frequentar um curso lecionado por Robert McKee, conhecido por seu livro "Story".

Considerado "estonteantemente original", "divertido e instigante" pelos críticos, Adaptação tem ainda no elenco Tilda Swinton, Meryl Streep e Chris Cooper, que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante na ocasião.

  • Aprovação dos críticos: 91% (8,2/10)
  • Aprovação do público: 85% (3,6/5)

17. A Invenção de Hugo Cabret (2011)

Não é nenhum segredo que Martin Scorsese é um aficionado por cinema, e Hugo (título original) se faz sua ode à sétima arte acessível para todos os públicos, que, entretidos com a boa projeção em 3D, também redescobriam um dos primeiros cineastas da História: o ilusionista francês Georges Méliès.

Vencedor de 5 Oscars, os críticos descrevem A Invenção de Hugo Cabret como "uma fantasia extravagante e elegante, com uma inocência em falta em muitos filmes infantis modernos, e que não tem vergonha de emanar um amor pela magia do cinema".

  • Aprovação dos críticos: 94% (8,3/10)
  • Aprovação do público: 78% (3,9/5)

18. O Artista (2011)

Quem diria que um filme em preto e branco, "mudo" e dirigido por um cineasta francês faturaria o prêmio principal do Oscar em 2012? De certa forma, The Artist reconta o que já havíamos aprendido em Dançando na Chuva sobre a transição para o cinema sonoro, mas aqui há uma cativante história que faz um uso interessante de seus elementos narrativos, tal como a sequência do sonho do personagem de Jean Dujardin.

"Uma homenagem agradável à magia do cinema mudo, O Artista é um filme inteligente e divertido, com desempenhos deliciosos e estilo visual de sobra."

  • Aprovação dos críticos: 95% (8,8/10)
  • Aprovação do público: 87% (4,2/5)

19. Ave, César! (2016)

A Era de Ouro de Hollywood rendeu obras clássicas consagradíssimas (e com diálogos pomposos até demais), mas isso não conseguia encobrir a série de escândalos de suas estrelas que se tentava acobertar ao máximo, mesmo com a imprensa no encalço.

Munidos de um elenco fabuloso e recontando aqueles anos com seu sarcasmo de sempre, nas palavras dos críticos, os irmãos Coen fizeram de Hail Caesar! (título original) "uma carta de amor agradavelmente leve para a Hollywood do pós-guerra" enquanto se divertem com os causos dentro e fora dos estúdios. Ainda que os críticos tenham gostado, considerando os títulos desta lista, esse é o que leva a menor nota dos espectadores no Rotten Tomatoes.

  • Aprovação dos críticos: 85% (7,2/10)
  • Aprovação do público: 44% (2,9/5)

20. La La Land: Cantando Estações (2016)

Os musicais nunca deixaram de existir — embora sua exímia qualidade do passado tenha sido substituída pelas escandalosas adaptações de peças da Broadway nas últimas décadas que, ainda assim, conquistaram um ou outro prêmio importante. O vencedor de 6 Oscars em 2017, então, seria a retomada do que estava perdido em Hollywood.

O consenso dos críticos no Rotten Tomatoes alega que La La Land "respira uma nova vida para um gênero defasado com direção garantidamente emocionante, performances poderosas e um irresistível excesso de coração". Muito além de ser uma história sobre jovens tentando conquistar seu espaço na "Cidade dos Sonhos", La La Land não só traz referências ao passado do cinema americano, como também homenageia algumas produções francesas, como o curta O Balão Vermelho e os musicais assinados por Jacques Demy.

  • Aprovação dos críticos: 92% (8,7/10)
  • Aprovação do público: 81% (4,1/5)

Este texto foi escrito por Thiago Cardoso via nexperts.