A meta anunciada pela Netflix para o segundo trimestre de 2018 era de 6,2 milhões de novos assinantes, dos quais 1,2 milhão estariam apenas nos Estados Unidos. No entanto, a empresa acabou fechando o período 1 milhão abaixo da média. A companhia de streaming anunciou recentemente um crescimento de 5,2 milhões de assinantes.

Com isso, a plataforma alcança 131,2 milhões de assinantes no mundo todo e enxerga um desafiador segundo semestre. Desde o início do ano, as ações da Netflix quase duplicaram de preço, mas, na última sexta-feira (20), elas apresentaram uma queda de 4,3%.

Para os acionistas de Wall Street, o aumento abaixo do previsto não é uma surpresa, mas eles ainda acreditam no potencial do produto e nas estratégias de negócio da empresa, apesar de algumas ressalvas.

Para os investidores, o principal caminho para a plataforma seria continuar investindo em conteúdo original de forma a manter ou ampliar sua vantagem competitiva. Até o final de 2018, a Netflix projetou a entrega de mil conteúdos originais, com um investimento de 8 bilhões de dólares, 2 bilhões acima do valor dedicado à mesma finalidade em 2017.

A possibilidade de ampliar seu formato de consumo e a oferta de conteúdos também oferece todo um novo leque de oportunidades que fazem com que os acionistas de fato enxerguem potencial na plataforma. Segundo o analista da bolsa de valores Ben Swinburne, o serviço é dinâmico e adaptável às novidades e vem se mostrando capaz de encontrar soluções inovadoras desde a sua criação.

"Além da capacidade de usar dados para melhorar suas decisões de programação e marketing, a Netflix agora traz ao mercado o conteúdo que tem US$ 16 bilhões em valor de conteúdo líquido. Como resultado, além dos esportes e das notícias ao vivo, vemos o potencial da Netflix não apenas de participar de outras redes ou canais, mas de representar a TV para muitas famílias."

Transformar-se em referência para o mercado audiovisual é algo que a plataforma já alcançou, afinal. Em uma pesquisa realizada pela Cowen & Co. nos Estados Unidos, 27% dos participantes afirmaram que o principal formato pelo qual consomem televisão é via Netflix — acima da TV a cabo, que foi a resposta de 20%, contra 18% da TV aberta e 11% do YouTube.

Conteúdo que convence

Apesar de ter um catálogo formado principalmente por filmes e séries produzidas externamente, a chave que vai determinar o sucesso, a estabilidade ou o fracasso da Netflix nos próximos anos parece mesmo ser o conteúdo original.

E o que vai ditar se o resultado será positivo ou negativo para a empresa é o comportamento do público, que já traz alguns indicadores importantes, segundo os analistas.

Um dos pontos que já vêm sendo observados, por exemplo, é a redução de visualizações das séries em suas segundas temporadas. Já havia acontecido com Sense8, e agora a queda se repetiu com 13 Reasons Why, Luke Cage e Jessica Jones.

Uma fórmula que vem funcionando bem, no entanto, é inclusão dos conteúdos internacionais de língua não inglesa, como é o caso de The Rain e Dark, que foram grandes sucessos da plataforma.

Para o CEO da Netflix, Reed Hastings, as premiações dispensadas às séries e aos filmes originais são outro reflexo do sucesso que vem sendo alcançado. Foi a primeira vez em 17 anos que a HBO ficou para trás em indicações ao Emmy, por exemplo. "As 112 nomeações da Netflix incluem 5 em Melhor Série e Melhor Série Limitada, espalhadas por 40 séries, filmes, minisséries, documentários, talk shows, especiais de comédia e seriados para crianças. Isso atesta o quão fantásticos são os criadores com os quais trabalhamos em todas as formas de televisão."

Apesar disso, o CEO reconhece que será difícil manter a curva de crescimento tão inclinada nos próximos anos quanto foi nos últimos, especialmente agora que a concorrência vem crescendo e se especializando, com a chegada de serviços de streaming como o da HBO e o da Apple: "Nossa estratégia é continuar melhorando”.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.