O que se esperava ser uma nova franquia de sucesso do cinema chinês acabou tendo uma estreia desastrosa junto ao público. Asura, da Alibaba Pictures, custou US$ 113 milhões e fez apenas US$ 7 milhões no final de semana de lançamento.

Dirigido por Peng Zhan, com roteiro de Zhenjian Yang e Adam Chanzit, o filme de quase 2 horas e meia se passa em Asura, a dimensão do desejo, de acordo com a mitologia tibetana.

A intenção dos produtores com Asura é inaugurar uma trilogia baseada no místico universo tibetano, com alguns dos deuses e personagens mitológicos de diferentes reinos.

Para atrair o público, eles apostaram no elenco e trouxeram Lei Wu, um galã adolescente chinês que vive o herói do filme, um jovem que deve embarcar em uma jornada épica para salvar Asura depois que ela é tomada por um golpe de um rei do mal. Os veteranos atores de Hong Kong, Tony Ka Fai Leung e Carina Lau, também atuam como semideuses míticos.

Criaturas mágicas, uma infinidade de efeitos especiais, trilha sonora bastante original e até uma espécie de Daenerys. Eles não economizaram em nada: o figurino é assinado por Ngila Dickson, vencedora do Oscar na categoria por nada menos que O Senhor dos Anéis. O diretor de áudio é Martín Hernandez, nome conhecido em Hollywood pelo trabalho em O Regresso, Birdman, entre tantos outros sucessos de bilheteria.

O problema é que, aparentemente, o maior desafio dos heróis de Asura vai ser garantir que as pessoas se desloquem até o cinema para assistir. O fracasso de bilheteria assustou tanto os criadores do longa-metragem que eles preferiram retirá-lo de circulação após apenas três dias de exibição.

Segundo a Zhenjian Film, o estúdio responsável, o objetivo dessa retirada é fazer alguns ajustes e, quem sabe, conseguir recuperar um pouco do prejuízo.

O estúdio, ao lado da própria Alibaba Pictures e da Ningxia Film Group, acredita que a falta de interesse por parte do público é derivada do baixo investimento em estratégias de marketing e de uma campanha extraoficial de boicote do filme, na qual ele teria recebido diversas avaliações negativas, com notas 1/10 em agregadores de avaliação locais similares ao Rotten Tomatoes.

Essa prática é tão comum na China que o país já tem até um nome para quem é contratado para fornecer avaliações negativas ou positivas demais nos sites de avaliação: shuijun. O termo significa algo como "exército da água", porque é formado por pessoas pagas para "afundar" os fóruns com avaliações — ou floodar, como a gente também fala aqui no Brasil.

As três principais plataformas utilizadas para avaliação de filmes na China são a Tiao Piao Piao, a Maoyan e a Douban. A primeira, que calha de ser da Alibaba — mesma empresa que financiou o longa-metragem —, apresenta avaliações bem mais positivas. Mas, nas outras duas plataformas, especialmente a Maoyan, o estúdio de Asura diz ter encontrado uma sequência de reviews com nota 1 e todos de perfis suspeitos.

Outro fator que, se não atrapalhou, certamente não ajudou, foi a estreia simultânea de outros dois filmes bastante esperados pela audiência chinesa. Dying to Survive, uma comédia blockbuster do diretor Muye Wen, rendeu US$ 69 milhões, e Hidden Man, do ator e diretor Jiang Wen, estreou com US$ 46,2 milhões, ambos no mesmo período em que Asura arrecadou apenas US$ 7 milhões.

Agora, a expectativa do estúdio é que esses pequenos ajustes e o burburinho causado pela retirada e pelo relançamento do filme ajudem Asura a recuperar um pouco do tempo perdido. A data do retorno aos cinemas, no entanto, ainda não foi divulgada.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.