Puxar o controle remoto e zapear as opções da TV – aberta ou por assinatura – à procura da melhor programação parece ser um hábito que está caindo em desuso nos Estados Unidos. Ao menos segundo os dados de uma pesquisa recente que provou ser cada vez maior o número de norte-americanos que, insatisfeitos com a dinâmica das emissoras de televisão, passaram a ter o streaming como primeira opção na hora de escolher uma fonte de entretenimento audiovisual.

A conclusão é da Hub Entertainment Research, que todos os anos publica um relatório completo sobre os hábitos televisivos dos cidadãos estadunidenses com base no estudo “Decoding the Default” (“Decodificando Padrões”, em tradução livre). Na edição de 2018, a instituição descobriu que, no país, apenas 39% dos espectadores continuam tendo os canais de TV tradicionais como primeira alternativa de entretenimento. Em 2017, esse índice era de 47%.

Em contrapartida, serviços de streaming, com exibição de conteúdo sob demanda, conquistaram uma fatia de 48% da preferência do público norte-americano. Em entrevista ao portal Deadline, Jon Giegengack, porta-voz da Hub Entertainment Research e um dos autores do estudo, explicou que isso “não quer dizer que essas pessoas não assistam mais à TV aberta ou por assinatura, mas que elas se condicionaram a assistir aquilo que querem na hora em que bem entendem”.

Mudança acentuada entre o público jovem

Como já era de se esperar, o estudo da Hub observou que a tendência de preferir conteúdo sob demanda é ainda maior entre espectadores na faixa dos 18 aos 34 anos de idade. Entre eles, o índice de quem ainda tem a TV como fonte primária de entretenimento audiovisual caiu de 35%, em 2017, para apenas 26% em 2018. Um dos fatores que mais vêm influenciando essa mudança certamente é o crescente número de opções que as pessoas têm à disposição.

De acordo com a pesquisa, o norte-americano costuma ter acesso a uma média de algo entre quatro e cinco fontes de conteúdo audiovisual, o que inclui televisão, aparelhos reprodutores de mídia e serviços de streaming. Em 2014, a média girava em torno de três e quatro. Ao considerarmos o público na faixa dos 18 aos 34, esse número é ainda maior, passando de cinco fontes. E mais: metade desse mesmo grupo assina ao menos dois serviços do trio composto por Netflix, Amazon e Hulu.

Novos hábitos também entre o público mais velho

Apesar de serem mais acentuadas entre os jovens, as mudanças nos hábitos dos espectadores também foram expressivas entre os mais velhos. Cerca de 56% dos entrevistados com mais de 55 anos seguem se declarando fãs dos canais de TV convencionais, mas no ano passado eles eram 66%. “Desde que começamos o estudo, em 2013, o índice de quem tem na TV a sua fonte primária de entretenimento só cai, mas 2018 foi muito representativo para a audiência mais velha”, disse Peter Fondulas, coautor do estudo da Hub.

Ainda de acordo com Fondulas, a mudança nos hábitos dos mais velhos traz grandes implicações para a monetização da TV convencional. “À medida que as plataformas de conteúdo sob demanda avançam e se popularizam, os canais de TV tradicionais vão se tornando a exceção, e não a regra”, concluiu.

Os dados que embasaram o estudo da Hub Entertainment Research, divulgado na última semana, foram coletados em junho de 2018 entre 1.933 consumidores norte-americanos com conexão banda larga e que assistem a pelo menos 1 hora de programação de TV por semana – mudança importante na metodologia do estudo conduzido no ano passado, que, de acordo com Giegengack, filtrou as entrevistas usando como critério um consumo mínimo de 5 horas semanais de conteúdo televisivo, o que acabava induzindo a certo desequilíbrio nos resultados, que tendiam a representar mais os hábitos de quem prefere a TV convencional.

The Handmaid's Tale alavanca desempenho da Hulu

Outro dado interessante observado a partir da pesquisa diz respeito à distribuição da audiência entre os serviços de streaming. O índice de pessoas que declararam estar assistindo ao conteúdo da Hulu mais do que no ano passado foi de 58%, contra 48% de pessoas que admitiram estar vendo mais as produções da Netflix do que em 2017 – tendência conhecida nos EUA como “Efeito Handmaid's”, referência ao sucesso da série The Handmaid's Tale. Além disso, 12% dos espectadores disseram estar assistindo menos à Netflix do que há 1 ano. Já quando o assunto é a Hulu, esse índice cai para apenas 10%.

Ainda que tenha se limitado aos hábitos dos norte-americanos, o estudo da Hub Entertainment Research certamente aponta caminhos e tendências para o comportamento da audiência em outros países, inclusive no Brasil. E você, considera que seus hábitos de consumo de conteúdo audiovisual foram afetados pela popularização dos serviços de streaming? Comente com a sua opinião!

Este texto foi escrito por Rodrigo Sánchez via nexperts.