No dia 13 de julho, saiu uma entrevista conflituosa de Harvey Weinstein, na qual o produtor teria assumido "trocar papéis por sexo". Horas mais tarde, surgiu uma nota de seu advogado negando a fala.

No ano passado, Harvey Weinstein recebeu quase uma centena de denúncias de assédio, abuso sexual ou estupro. Boa parte delas é de algum tempo atrás, mas só vieram à tona com movimentos como #MeToo e Time's Up, que lutam contra a violência sexual em Hollywood. No momento, Weinstein está sendo julgado pelo estado de Nova York.

Então, o jornalista Taki Theodoracopulos, da revista Splendor, publicou uma matéria com uma entrevista exclusiva com o produtor. O texto começa com as seguintes palavras. "Harvey Weinstein: 'Eu ofereci papéis para atrizes em troca de sexo, mas todo mundo faz isso — ainda fazem.'"

Advogado de Weinstein nega a fala, e jornalista volta atrás

Algum tempo depois da publicação da entrevista, o advogado do produtor, Benjamin Brafman, se pronunciou a respeito; ele nega que Weinstein tenha dito tais palavras.

"Eu estava presente na conversa; não era uma entrevista, mas sim um encontro casual entre velhos amigos. Harvey e Taki não discutiram o caso, até porque eu não permitiria isso. Nós conversamos sobre a velha Hollywood e o contraste com a cultura europeia, e acho que Taki vê Harvey sob essa luz antiga. O sr. Weinstein nunca disse nada sobre trocar papéis de filmes por favores sexuais. Você tem a minha palavra de que ele não disse isso."

Então, em seguida, o próprio Theodoracopulos soltou uma nota de reparação. "Depois de 41 anos como colunista da Spectator sem nenhuma retratação, acho que interpretei errado a conversa com Harvey Weinstein no mês passado. Foi um erro meu. Nós estávamos discutindo Hollywood, e posso ter confundido certas coisas sobre os métodos desse lugar. Espero não ter estragado o caso dele. Afinal, isso foi uma visita social."

Objetivo da matéria era defender Weinstein

Mas as coisas não são tão simples. Por mais que o título chamativo possa dar a ideia oposta, o artigo do jornalista na verdade defendia Weinstein; descrevia o produtor como "parceiro" e "velho amigo". Além disso, no ano passado, ele anunciou que o The New York Times — que fez um dossiê com as denúncias contra o produtor — tinha "um plano para destruir Weinstein"; ainda, comparou o movimento de denúncias em Hollywood à Insiquição Espanhola. Até atacou Rose McGowan, uma das vítimas de Weinstein que mais deram entrevistas sobre o caso, e chegou a afirmar que "Na América de hoje, uma mulher pode fazer uma acusação e o homem instantaneamente ganha sentença de morte".

A ideia central do texto era que esse tipo de assédio — exigir sexo em troca de uma contratação — é uma estratégia comum em Hollywood, de forma que Weinstein seria, na verdade, uma vítima da mídia. Mas vale frisar: isso é crime, tanto nos EUA quanto no Brasil.

Theodoracopulos chega a afirmar que a denúncia de McGowan seria uma "história distorcida". A atriz diz que Weinstein a estuprou em 1997, durante o Festival de Cinema de Sundance. Na época, eles estavam trabalhando juntos no filme Pânico. Ela também foi uma das primeiras a se manifestarem contra o produtor.

"Estupradores são mentirosos. Eu estava lá no meio do meu segundo filme para a companhia dele [Weinstein], sem NUNCA o ter encontrado antes da manhã do meu estupro, nem trabalhado para ele de novo, essa é uma mentira deslavada. Boa tentativa, estuprador", rebateu McGowan em sua conta no Twitter, em resposta à matéria da Spectator.

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.