Quando 12 meninos e seu técnico de 25 anos ficaram presos em uma caverna na Tailândia, em junho, a história parecia ter saído de um filme. Então era de se esperar que os grandões de Hollywood logo se interessassem em transformá-la em uma instigante narrativa cinematográfica. Assim como aconteceu com os 33 mineiros chilenos, cuja saga foi retratada em Os 33, esse caso traz um gigantesco potencial de alcance de público.

Assim, não demorou muito para que o Michael Scott, CEO da Pure Flix, uma empresa voltada a produzir filmes cristãos, se manifestasse. Aliás, não demorou nadinha mesmo, já que Scott estava, literalmente, do lado de fora da caverna no local de chegada dos meninos, acompanhando todo o processo. Na foto abaixo, divulgada pela Fox News, Scott está com o produtor Adam Smith; ambos estavam na Tailândia durante os eventos.

"Nós estamos realmente enxergando isso tudo como um filme capaz de inspirar milhões de pessoas ao redor do mundo. Estamos testemunhando os eventos, reunindo contatos e tudo, para realmente contar a história de um esforço internacional, com o mundo inteiro se reunindo para salvar os 13 meninos presos nessa caverna tailandesa", disse em um vídeo que gravou no dia do resgate.

Quando o caso aconteceu, antes mesmo que os estúdios se apresentassem, as redes sociais refletiam uma preocupação com relação à forma como a história seria narrada. Caindo nas mãos de Hollywood, poderíamos esperar todas as crianças interpretadas por atores caucasianos e loirinhos — uma prática de embranquecimento do elenco em relação às pessoas que de fato viveram a história, a qual é chamada de whitewashing.

Mas essa questão não é só dos twitteiros de plantão. Antes que o treinador dos meninos acabe sendo interpretado por um Liam Hemsworth ou um Chris Pratt, o diretor asiático Jon M. Chu também se manifestou dizendo que está mexendo os pauzinhos para garantir autenticidade na hora de retratar o que aconteceu com os meninos.

"Eu me recuso a deixar Hollywood embranquecer a história do resgate da caverna tailandesa. Não sob minha supervisão! Isso não vai acontecer, ou nós vamos transformar a vida deles em um inferno. Essa é uma bela história sobre humanos salvando outros humanos. Então qualquer um que estiver pensando sobre ela deve ter uma abordagem certa e respeitosa", disse em sua conta no Twitter.

O presidente da Ivanhoe Pictures, John Penotti, apoia a ideia e vai se juntar a Chu na produção. O mais recente trabalho da produtora com Chu foi o longa-metragem de comédia Podres de Ricos (Crazy Rich Asians), que estreia em agosto nos Estados Unidos.

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.