A comédia The Marvelous Mrs. Maisel foi lançada pela Amazon em novembro do ano passado e já se tornou uma das queridinhas da crítica. Mas era de se imaginar: apesar de se passar no fim dos anos 50, a trama é extremamente atual, especialmente quanto ao tratamento que a protagonista recebe só por ser mulher.

Uma jovem divorciada (pense na polêmica para a época) tenta ganhar a vida como comediante no ano de 1958. Com a ajuda de sua agente, ela vai tentando driblar as situações complicadas desse mundo completamente machista. A série já tem dois Globos de Ouro: Melhor Comédia de TV e Melhor Atriz — para a protagonista, Rachel Brosnahan. Mais recentemente, Mrs. Maisel recebeu 14 indicações ao Emmy, incluindo Melhor Série de Comédia e prêmios para os atores individualmente.

Mrs. Maisel mostra que as coisas não mudaram tanto assim

Os problemas retratatos em The Marvelous Mrs. Maisel não poderiam ser mais atuais. Pense em como a Sra. Maisel consegue derrotar a famosa Sophie Lennon (Jane Lynch) em uma das apresentações de stand-up, mas acaba irritando o agente de Lennon. Então, ele convoca uma votação para proibir que Midge Maisel se apresente no Café, além de impedir sua agente, Susie Myerson, de fazer negócios na cidade. Ou seja: ele tenta acabar com a carreira de uma mulher só porque ela não fez o que ele queria — de forma bastante parecida com o que produtores atualmente têm sido denunciados por fazer, como o caso de Harvey Weinstein (para além de assédio e abuso sexual).

Outro problema parecido é quando Joel, o ex-marido de Midge, percebe que ela está começando a crescer em sua carreira de comediante e fica com inveja, por não ter talento para isso. Então, na última vez que o vemos, ele está bravo com Susie porque Midge está triunfante — e ainda faz piada sobre os problemas de seu antigo casamento. A diretora Amy Sherman-Palladino falou sobre a abordagem feminista e como se relacionar com isso em tempos de movimentos como #MeToo e Time's Up.

"Quando nós começamos a série, não queríamos que ela soasse política em vez de relevante para uma jovem hoje. Nós não queríamos que soasse muito 'Ah, isso é história pra minha vó', e sim que pudesse ser a história delas. Então, chegou a hora de derrubar os gigantes da indústria, e isso trouxe uma visão diferente para a série, que não foi necessariamente intencional. Funcionou de um jeito esquisito, assustador e também mostra como não chegamos tão longe desde 1950."

A série mostra a necessidade extrema das esposas de se apresentarem bonitas sem esforços aparentes. Em outra face dessa mesma moeda, Sophie chega a sugerir para Midge que comediantes mulheres só obteriam sucesso se fizessem caricaturas delas mesmas. Para ela, esse seria o único jeito de fazer a audiência masculina rir, porque se eles a julgassem bonita e simpática, iriam apenas desejá-la.

"A jornada de Midge está em sua coragem de se divertir com a apresentação, mas querer ver o que há por baixo da apresentação e ser muitas coisas. É um dos temas que queremos aprofundar mais na segunda temporada, especialmente com Rose (Mrin Hinkle). Isso é extremamente relevante para 1950, mas também para hoje."

Este texto foi escrito por Verenna Klein via nexperts.