ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS DA SEASON FINALE DE THE HANDMAID’S TALE!

Depois de uma temporada marcada por crueldade, disputas de poder e lapsos de esperança – salpicados com mais crueldade –, The Handmaid’s Tale teve sua season finale exibida na quarta-feira (11), pelo Hulu.

E que temporada, Esposas e Comandantes! Sem deixar a peteca cair depois de uma genial, chocante e devastadora estreia em 2017, a série conseguiu dar continuidade ao raciocínio de Margaret Atwood mesmo depois que se distanciou da narrativa do livro "O Conto da Aia", ao qual foi extremamente fiel no começo.

"The Word", o episódio da última quarta-feira, é um encerramento com chave de ouro para os fatos da temporada, que deixa grandes interrogações e bons caminhos por onde desenrolar a história na próxima.

O arco narrativo de Emily (Alexis Bledel) é um dos que mais se transformam. Após ser enviada para as colônias como punição por suas transgressões, ela volta a ser uma das Aias depois que um ataque a um prédio de Gilead mata algumas e pune outras. Designada a servir ao comandante Lawrence (Bradley Whitford), a personagem é tomada por sentimentos conflituosos: ao mesmo tempo que confessa a June (Elisabeth Moss) que está grata por retornar, ela se prepara para sua primeira cerimônia com o comandante.

Caso você não se lembre, a cerimônia é aquele momento de copulação que a série mostra: quando o comandante penetra a aia, posicionada entre ele e a esposa, para que ela seja fecundada por intermédio da outra moça.

Dominada por medo e ódio, Emily rouba uma faca na cozinha para se defender durante o ato – ela se recusa a ser estuprada novamente. Mas, como o comandante a libera da experiência, dizendo "Eu não vou fazer isso com você", ela fica confusa e guarda a faca.

No dia seguinte, quando a Tia Lydia (Ann Dowd) aparece para saber como foi a noite, Emily se descompensa completamente. "Ela está agindo dominada pela raiva – uma raiva muito justificada. Eu penso que ela está querendo se vingar, por meio da dor", disse o showrunner da série, Bruce Miller, à Variety.

Alexis Bledel, que interpreta a personagem, concorda: "Aquela raiva toda não tem para onde ir. Você não pode submeter alguém a dor e trauma e esperar que tudo vá embora. Vive dentro dela e se manifesta de diversas formas".

E foi catártico, não acha? Ver Emily atacar Tia Lydia fez com que até mesmo o espectador se sentisse vingado – por ela e pelas outras aias. O problema é que isso deixa tanto a aia quanto o comandante Lawrence com um sério e perigoso inconveniente: como lidar com a situação toda? Ou, nas palavras do próprio homem:

Para alegria daqueles que já desconfiavam que o homem estava insatisfeito com seu governo, ele faz uma ligação e consegue um carro para finalmente tirar a aia do país.

Ninguém está satisfeito

Os acontecimentos da segunda temporada vão, aos poucos, revelando que aquele regime quase ditatorial implementado por Gilead nos Estados Unidos não é tão unânime assim, nem mesmo entre seus apoiadores. A season finale prova isso e oferece combustível para o desenrolar dos próximos episódios – que agora só vêm em 2019.

Assim como o comandante Lawrence não está contente com o resultado de seu projeto econômico e com quão desumanas as coisas foram se tornando, na casa dos Waterford as relações não estão muito mais estáveis do que isso.

A execução sumária de Eden (Sydney Sweeney), a esposa adolescente de Nick (Max Minghella), parece ter um efeito como nenhum dos outros fatos até agora. Some isso à chegada de Nicole/Holly, e você tem um ambiente quase entrando em combustão espontânea.

O período acorda uma personagem que se manteve relativamente isenta até então – Marta (Amanda Brugel) –, mas também afeta uma das responsáveis por todo o regime – Serena (Yvonne Strahovski). Ter um gostinho de como é ser parte do alto escalão fez a senhora Waterford recordar de como eram bons os tempos em que ela e outras mulheres tinham voz.

Depois de confrontar o marido, Fred (Joseph Fiennes), repetidas vezes – entre elas levando um pedido aos governantes junto a outras esposas para que suas filhas também sejam educadas e ensinadas a ler –, Serena é punida e tem um dedo amputado, algo que o comandante faz para mostrar para ela e os colegas quem é que manda.

A rebeldia o incomoda, e ele tem mulheres desobedientes em sua casa. Mas, de todos os problemas gerados por esse dia, ao menos tivemos a chance de ver a cena mais catártica do episódio, junto com a surra da Emily na Tia Lydia:

O efeito dessa decisão, no entanto, vai ser catastrófico para o poderoso. Serena fica tão confusa e fragilizada que, quando Marta cria toda uma distração para que June fuja com Holly, ela se opõe apenas no início, mas acaba cedendo e permitindo. Mesmo ela sabe que uma menina não merece ser criada em um ambiente como Gilead.

E é assim que a fuga acontece com várias ajudinhas: desde Marta e sua rede de colegas até Nick, Lawrence e a própria Serena.

É curioso observar como essa temporada de The Handmaid’s Tale conseguiu trabalhar algo de que a primeira já havia soltado algumas pistas, que é a conexão entre Serena e June.

Elas se odeiam, e isso é ponto pacífico. Mas, mesmo entre todas as suas diferenças e com todo o mal que a primeira causou à segunda, elas reconhecem os pontos fortes uma da outra, se utilizam deles quando necessário e constroem alianças pontuais para o bem de ambas.

Isso acontece dia após dia na casa do comandante, como quando Serena precisa da ajuda de June para revisar os documentos no período em que Waterford está se recuperando do atentado ou quando June recorre a ela para mostrar a Bíblia de Eden e, com isso, desencadear tudo o que acontece em seguida. Custou um dedo, mas pelo menos ela tentou – e a aia respeita isso e é grata.

A decisão de June

June e Emily estão sozinhas com Nicole, no meio da estrada, e o resgate está chegando. Esse é um momento que nenhum dos fãs da série pensou que chegaria. No entanto, desde o minuto em que a aia diz a Serena que nenhuma criança merece ser criada em um lugar assim, fica bastante claro para todo mundo que ela não pretende ir a lugar algum sem Hannah, nem que isso signifique ficar lutando pelo resto da vida ou morrer tentando.

Quando chega ao ponto de encontro e vê Emily por lá, ela não precisa pensar muito – June confia na amiga e sabe que ela vai ser uma boa mãe para Nicole ou que ela vai tentar encontrar Moira (Samira Wiley) e Luke (O-T Fagbenle) quando sair do país.

A decisão de Serena de permitir que Nicole vá também inspira June para que ela aja pensando em Hannah, agora que ela tem com quem deixar o bebê.

No entanto, essa atitude abre grandes perspectivas para a próxima temporada. June está concentrada na segurança das filhas, mas sua decisão é um grande ato político que simboliza o quão vivos estão os esquemas de rebeldia dentro de Gilead. Não tem nada mais simbólico do que contrabandear um bebê, que calha de ser uma menina, para fora de um país que trata as mulheres como escravas sexuais e as pune pela mais leve transgressão.

Na próxima temporada, devemos ter os Waterford e a casa do comandante Lawrence em ebulição. Enquanto ele vai ter que explicar onde foi parar a aia que esfaqueou a Tia Lydia – que provavelmente não chegou a morrer –, os primeiros lidarão com a ira do comandante. No fundo, Waterford já imagina quem foi que armou tudo e quem contribuiu. Será que ele vai se livrar de todos os que o cercam ou vai acobertá-los, pura e simplesmente para não passar vergonha diante dos demais comandantes?

E, por fim, todo um novo arco se abre com relação à chegada de Nicole ao Canadá. Como Emily, Luke e Moira vão receber o bebê? Afinal, ela é filha de June, mas também é filha de um estupro...

Ansiosos para ver onde tudo isso vai dar? A gente também!

Este texto foi escrito por Lu Belin via nexperts.