A viagem humana para o espaço em busca de colonizar outro planeta e tentar salvar a espécie de um futuro escasso na Terra serve de objetivo para o que dá rumo ao enredo, mas no meio do caminho o roteiro, de Max Hurwitz e Arash Amel, para The Titan torna-se desconexo com o assunto principal, tornando ainda mais trabalhosa a tarefa do diretor Lennart Ruff de tirar algum proveito de mais um projeto original fraco da Netflix.

A trama do filme acontece numa versão distópica do Planeta Terra que tem sofrido cada vez mais problemas naturais e sociais, tornando algumas megalópoles inabitáveis. Para tentar salvar a humanidade, um experimento organizado pela OTAN faz com que sobreviventes de situações de extremo risco à vida passem por uma experiência que modificará seus corpos, os deixando capazes de sobreviver em Titã, o maior satélite de Saturno.

O grande problema de toda a produção desse filme está no roteiro, o que torna ainda mais alarmante como a Netflix abraça projetos que são visivelmente problemáticos. Enquanto o primeiro ato inicia a discussão sobre a dificuldade humana em relação ao que é esse futuro do Planeta Terra, pouco tempo depois o foco se torna uma experiência científica cujo propósito final ninguém realmente sabe. O terceiro ato parece um filme totalmente diferente, ainda mais quando um epílogo ganha espaço para revelar para onde tudo aquilo caminhou. Ainda falta consistência na tragédia que os humanos têm vivido para que essa missão seja tão necessária, tornando a motivação principal pouco crível.

Esses problemas no roteiro fazem com que a direção não consiga dar o tom narrativo de que a trama precisa para ter ritmo, então as mudanças na história se mostram extremamente bruscas. Mesmo que os coprotagonistas Rick e Abi Janssen, interpretados pelos limitados Sam Worthington e Taylor Schilling, tenham tempo de tela e oportunidade suficiente para ganharem profundidade, nada faz com que as motivações deles sejam realmente compradas pelo espectador, o que se torna ainda pior de entender quando se pensa nos coadjuvantes.

A produção mostra que é limitada conforme os recursos visuais se tornam mais necessários. Mesmo que a fotografia combine com a palidez causada pelo experimento, efeitos especiais e maquiagem não dão vida com fluidez ao que a história conta. Esse problema também fica evidente no design de produção, que tem dificuldades para estabelecer a tecnologia desse futuro, que em circunstância parece avançada, mas logo em seguida se torna muito próxima à dos dias atuais.

The Titan acaba sendo um longa de baixa qualidade que começa com uma premissa bem estabelecida para uma ficção científica, principalmente em relação à colonização humana em outro planeta, mas muda drasticamente sua abordagem e traça um caminho totalmente inesperado, não entrega nada de especial no visual, muito menos atuações memoráveis.

Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via n-Experts.