The Walking Dead conseguiu exibir, com o retorno da 8ª temporada, um dos episódios mais dramáticos e tocantes da série, já que entendeu o quão grandioso era aquele momento não só para a trama, mas principalmente para os fãs que acompanham tudo desde os dias dos sobreviventes em Atlanta. Mostrar essa evolução de Carl (Chandler Riggs) ao dar espaço para que ele tenha um adeus digno era o que se esperava, considerando a relevância do personagem, mesmo que a produção tenha tomado caminhos ruins no último ano.

O capítulo “Honor” traça caminhos diferentes ao mesmo tempo que mostra o desfecho trágico de Carl, já que ele apresenta tudo que o personagem fez logo depois da mordida do zumbi, detalha o sofrimento de Rick (Andrew Lincoln) e Michonne (Danai Gurira) ao ver o jovem caminhando para a inevitável morte e também detalha como Morgan (Lennie James), Carol (Melissa McBride) e Ezekiel (Khary Payton) confrontam alguns salvadores, o que quebra o tom narrativo dramático construído pelo núcleo principal.

Enquanto o episódio realmente entrega uma narrativa interessante para o momento importante da trama, o núcleo focado em Morgan oscila pelo desequilíbrio narrativo existente no personagem há muito tempo. Ele se tornou um sobrevivente imprevisível devido às escolhas exageradas que soam incoerentes a quem ele é, e isso faz com que qualquer decisão dele seja pouco impactante ao espectador, ainda mais quando se sabe que seu futuro é no spin-off Fear The Walking Dead.

As questões de moralidade de Morgan voltam a ser debatidas enquanto o personagem está em tela, chegando ao ponto de um uso exagerado de força do sobrevivente contra um humano para tentar intensificar o quão transtornado ele está. Entretanto, eles conseguem dar um contraste de conduta no envolvimento do salvador Gavin (Jayson Warner Smith) e de Henry (Macsen Lintz), uma das crianças do Reino.

Enquanto um núcleo oscila para tentar resolver um personagem que já perdeu qualquer ponto cativante, o desfecho de Carl é uma das melhores despedidas de The Walking Dead. Em vez de apostar em um possível melodrama que seria arrastado e cansativo, o uso da canção “At the Bottom of Everything”, da banda Bright Eyes — que fala sobre os últimos momentos de vida de alguém —, suaviza a situação, principalmente pelo ritmo musical animado, apresentando como ele prefere aproveitar o que ainda lhe resta de vida e o que quer deixar para quem ama.

A morte inevitável de Carl é muito bem construída na forma como o personagem já estava sendo trabalhado e, principalmente, na boa atuação de Chandler Riggs. A direção entende bem o peso do acontecimento ao criar pontos emotivos eficientes; são utilizadas as câmeras com ótimos enquadramentos para mostrar o relacionamento com Judith e até mesmo construir simbologia visual das decisões do jovem com o local onde falece.

The Walking Dead retorna com uma qualidade fora do padrão para o caminho trágico que a série vinha tomando. O episódio consegue fazer com que o espectador se importe com o adeus de um personagem querido, soluciona os vislumbres maldesenvolvidos nos episódios anteriores e possibilita um novo arco para a trama, principalmente ao traçar um rumo muito diferente dos quadrinhos. O difícil é imaginar que a história vai conseguir manter esse nível, já que o motivo disso é algo que foge totalmente do padrão narrativo da série.

Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via n-experts.