Analisando a história de Estrelas Além do Tempo – que retrata o caso real de mulheres negras que trabalharam no departamento de matemática da NASA – seria fácil imaginar a realização de um dramalhão sobre preconceitos raciais dentro de uma das maiores instituições dos Estados Unidos.

Felizmente, o longa evita o sentimentalismo e trata sua história com uma agradável leveza. Isso porque Estrelas Além do Tempo não se prende ao discurso racial, mas amplia o contexto para a corrida espacial do ano de 1961 – quando os americanos tentavam superar os russos na conquista do Espaço.

O filme apresenta a história de Katherine Goble Johnson, uma jovem negra que desde criança se destacava pelo seu intelecto e pelas suas habilidades em cálculo. Dentro da NASA, Katherine fazia parte do departamento de matemática até ser indicada para entrar na equipe que projetava os números de lançamento e navegação das missões espaciais!

Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox

Taraji P. Henson, a Cookie da série Empire, traz simpatia e carisma na sua interpretação de Katherine, o que deixa o filme tão gostoso de assistir. Ao lado de grandes profissionais da NASA, sua personagem enfrenta preconceitos da equipe – incluindo a segregação e a divisão de banheiros e garrafas de café – para conseguir realizar o seu trabalho.

A força de vontade de Katherine em estar presente e participar dessas conquistas da Agência Espacial é motivadora. A personagem não se deixa abater pelos obstáculos sociais e luta ferozmente por seu espaço – o que acaba sendo fundamental para a história da NASA.

É interesse ver um retrato histórico ser adaptado para as telas de forma tão graciosa e sem grandes pretensões – com humildade e um pouco de humor, o longa consegue transmitir seu discurso de forma tão eficaz quanto outros dramas “mais sérios”. A receita deu tão certo que Estrelas Além do Tempo se tornou um sucesso nas bilheterias e concorre ao Oscar de melhor filme!