A atriz Cláudia Rodrigues, mais conhecida por seu trabalho em A Diarista, apareceu na TV, no último domingo (31), durante o programa da Record Domingo Show, depois de passar por um transplante de medula óssea como parte do tratamento contra a esclerose múltipla, doença com a qual convive desde 2000. A esclerose múltipla coloca o organismo em degeneração progressiva e pode impedir, a longo prazo, que a pessoa execute uma série de atividades normais.

Nas palavras do médico responsável pelo tratamento de Cláudia, o Dr. Nelson Hamerschlak, do Hospital Albert Einstein, “a esclerose múltipla é uma doença autoimune, é uma doença de autoagressão. O indivíduo agride os seus próprios nervos através do seu sistema imunológico.”

Depois do bem sucedido transplante, Cláudia se mostrou esperançosa por sua recuperação: “O médico falou que eu estou perfeita. É como se a gente fizesse um reset. Você tira tudo, eu zerei meu equipamento, eu zerei minha máquina. É como se eu renascesse”, disse a atriz.

Cláudia depois do transplante

Cláudia Rodrigues em A Diarista e recentemente depois de fazer transplante de medula óssea. Fontes das imagens: Reprodução/Globo, Domingo Show

Na entrevista, depois de fazer o transplante, Claudia, ainda tendo que ficar de máscara e sem poder encostar em outras pessoas, mostrou sua fé: “Ele é maior do que tudo. Com Deus tudo é possível. Tudo. Entrega nas mãos dele que tudo acontece”. Em outro momento, ela mostrou que faz o possível para manter o pensamento positivo: “Não dá pra ficar se lamentando, se eu tenho Deus acima de tudo. Ficar: ‘Meu Deus, ah coitadinha!’. Gente, tem gente muito pior que você!”

Cláudia ainda revelou que nunca sentiu medo durante todo esse processo, pois teve confiança em Deus: “Tô ótima. Tô num momento em que estou muito feliz. Estou de alta e indo pra casa. Não tenho do que reclamar.”

No entanto, nem sempre foi fácil manter o pensamento positivo nos momentos mais difíceis: “Chegou uma hora que eu falei: ‘Quer saber? Não sei fazer mais humor. Eu vou me jogar.’ Eu moro lá no 20º [e pensei]: ‘Eu vou me jogar daqui, vou tirar a vida.’” Ela revelou que depois de entrar em contato com sua empresária e ouvir uma ‘bronca pesada’, repensou esse ato: “Se você pensa nisso, pode esquecer. Ninguém tem o direito de tirar a vida. Só Deus.”

Agora, Cláudia vai se concentrar em se recuperar ao lado da família: “O médico falou que eu estou perfeita. É como se a gente fizesse um reset. Você tira tudo, eu zerei meu equipamento, eu zerei minha máquina. É como seu renascesse.” A atriz ainda explicou que terá que voltar ao hospital todo mês para tomar “vacinas de criança”. “Eu me sinto curada”, disse Cláudia.

A atriz não tem mais contrato de trabalho com a Globo, mas a emissora ainda paga por seu plano de saúde e cobriu também o tratamento para a esclerose múltipla. Cláudia ainda falou de seus desejos depois de se recuperar: “Vou fazer todo mundo rir mais do que antes. Sei que o mundo está precisando muito rir”.

Confira na íntegra a matéria do Domingo Show sobre o tratamento de Cláudia Rodrigues. A entrevista com ela depois do transplante começa aos 51 minutos de vídeo:

Doença e tratamento

A doença foi descoberta pela atriz em 2000 e terminou afetando sua carreira, deixando-a afastada da TV. Para passar por um recente transplante de células tronco, ela teve que se submeter a um processo rigoroso de preparação e quimioterapia, o qual durou quatro meses. Durante todo esse tempo, Cláudia ficou isolada, longe da família e dos amigos. Ela ainda optou por raspar a cabeça por completo depois de sofrer quedas de cabelo com as sessões de quimioterapia.

“O transplante de medula óssea é um tratamento de exceção para esclerose múltipla”, explicou, em entrevista ao programa da Record, o Dr. Hamerschlak. “O tratamento contra esclerose múltipla é feito normalmente com remédios que diminuem a imunidade ou que fazem com que a imunidade seja modulada”. O médico ainda explicou a escolha pelo transplante de medula óssea, relatando que ele oferece bons resultados em 75% dos pacientes.

O procedimento faz com que o sistema imunológico do paciente seja paralisado, para que ele pare de atacar o sistema nervoso. Com o transplante, as novas células-tronco constroem um novo sistema imunológico e acredita-se que, por isso, a doença possa ficar estável.

A Academia Brasileira de Neurologia alerta, no entanto, que há grandes riscos para esse tratamento, ressaltando que os efeitos a longo prazo desse transplante em pessoas com esclerose múltipla são desconhecidos e que o procedimento não significa, necessariamente, a cura da doença.

O órgão ainda afirma que o transplante é um tratamento muito forte e debilitante, com risco frequente de infecções graves e até de morte durante o procedimento: “Em pacientes com esclerose múltipla é ainda um procedimento em fase de experimentação que deve ser realizado somente em instituições de pesquisa.”